15 mai
12 Anos de Espera, Negativos, 1 Aborto e… A Princesa Celine!

Celine

Um certo dia lendo algumas mensagens numa postagem do blog me chamou a atenção o comentário de uma seguidora chamada Viviane, ela brevemente relatava a sua espera de 12 anos para realizar o seu sonho da maternidade e de imediato entrei em contato e a convidei para nos contar a sua história, e ela amavelmente se dispôs a vir nos trazer esperança e ânimo! Com vocês a longa e linda história da mamãe Viviane até a chegada da princesa Celine!

“Minha história começa em 1998 quando conheci meu marido e começamos um namoro que durou 04 anos até o casamento em 2002. Sempre tivemos planos de formar uma família e ter nosso primeiro filho logo depois que eu terminasse minha faculdade, e assim, logo depois do primeiro ano de casados começamos as tentativas em busca do nosso tão desejado filho. Tínhamos em nossa mente que seria fácil e logo estaríamos com ele em nossos braços…porém, o destino foi nos pregando peças mês após mês de tentativas, sempre alimentando a esperança que no próximo seria nossa vez!
Cada dia das mães e dos pais, sim dia dos pais também, porque meu marido sofria comigo todas as frustrações que aconteciam, cada grávida que eu via na família, na rua ou em qualquer lugar me causava uma enorme ferida no coração, pois eu pensava comigo “porque eu não tenho a graça de poder gerar meu filho também como essas mulheres?” e assim os dias, meses e anos foram passando sem conseguir realizar o grande sonho das nossas vidas. Em 2007 após 5 anos de tentativas frustradas, resolvemos procurar um especialista pra realizar as investigações e descobrir o que impedia a gravidez. Foram meses de muito sofrimento, com exames de todo tipo, e por incrível que pareça tudo estava normal, meus exames e do meu marido não apontavam nada que pudesse estar impedindo a gestação.
O médico então indicou a inseminação artificial ou a fertilização in vitro para o nosso caso. Como na época não tínhamos condições de fazer uma FIV, optamos pela inseminação. Saímos do consultório com aquela certeza de que iríamos conseguir já na primeira tentativa, e depois de todas aquelas agulhadas e exames pra indução de ovulação, a primeira tentativa foi realizada. Novamente saímos do consultório com os corações cheios de esperança e fomos pra casa já com a sensação de que estávamos grávidos. Porém após os dias de espera que se sucederam, obtivemos nosso primeiro negativo. Quanta dor sentimos naquele momento e novamente o sonho caia por terra.
Mas tudo bem, tínhamos ainda uma reserva de dinheiro e uma enorme esperança que não perdíamos nunca, e lá fomos para a segunda tentativa que novamente culminou com um resultado negativo. Por que aquilo acontecia com a gente, essa era a pergunta que vinha a nossa cabeça em todos os momentos. Ainda assim, partimos para uma terceira e última tentativa de inseminação, pois já não tínhamos recursos para seguir mais adiante e nem para tentar a FIV. Infelizmente, novamente o resultado foi negativo. Então, já no ano de 2008, decidimos parar com todo o tratamento, pois estávamos desgastados emocionalmente com tudo o que já havíamos passado em busca do nosso tesouro. Decidimos que entraríamos pra fila de adoção e tínhamos certeza que nossa família seria constituída dessa forma, com um filho adotado.
Paramos com todos os tratamentos e eu resolvi voltar a estudar. Entrei pra faculdade de arquitetura em 2009 e decidi que deixaria por conta da vontade de Deus. Foram 5 anos estudando e com tanta correria não tinha tempo de ficar pensando na gravidez, mas lá no fundo do coração a vontade continuava a mesma. Queria ser mãe!! E a fila da adoção, até esquecemos, pois nunca mais fomos chamados.
Nesse meio tempo, no final de 2012 por conta de um problema de saúde tive que procurar meu médico novamente. E durante a consulta, reacendeu em nós a vontade de tentar novamente e pela última vez o tratamento, pois já estava com 34 anos e não tínhamos muito mais tempo pra esperar.
Então dessa vez, partimos logo para a FIV. Nos organizamos financeiramente, pois o valor para esse tipo de tratamento era alto e mesmo assim não tínhamos a garantia de que iria dar certo. Mas com as esperanças renovadas, lá fomos nós novamente enfrentar todas as agulhadas, medicamentos, exames e monitoramentos necessários para esse procedimento. Então, em meados de 2013 começamos a batalha mais uma vez! Moramos em cidade pequena, então nosso médico era de uma cidade que fica a 80km de onde moramos. Dessa forma, fazíamos várias viagens seguidas para fazer os acompanhamentos necessários para uma FIV. Além dos gastos com o tratamento, ainda tínhamos os gastos com deslocamento entre as cidades. Mas nada disso era motivo pra desanimar, pois a chama da esperança estava acesa dentro de nós mais uma vez.
Depois de todo o preparo com os medicamentos, foram coletados os meus óvulos e os espermatozoides do meu marido para a concepção dos embriões. Apesar de todo o medicamento utilizado, foram coletados somente 4 óvulos bons pra serem utilizados, mas isso não tirou nosso ânimo, pois estávamos certos de que teríamos nosso positivo desta vez. Então fomos pra casa e todo dia éramos informados do desenvolvimento dos embriões, cada vez que meu telefone tocava com o número da clínica, meu coração disparava, pois eram notícias dos nossos pequeninos. Três dias depois da coleta, fomos chamados para fazer a transferência dos embriões, que ao final eram somente dois em condições de serem transferidos para meu útero, que já estava sendo preparado para recebê-los.
No dia marcado então, fomos bem cedinho pra clínica buscar nossos pinguinhos de esperança. Chegando lá, fui levada pra sala onde eram feitas as transferências e preparada para o procedimento. Devo ressaltar aqui, que meu médico foi um anjo colocado por Deus em nossas vidas, pois nos dava ânimo pra seguir em frente. Meu marido ficou aguardando lá fora todo ansioso. Enquanto o médico fazia o procedimento da transferência, eu podia ficar olhando tudo pelo monitor de ultrassom e vi o momento em que aqueles dois pinguinhos foram colocados dentro de mim. Minha vontade era sair de lá correndo pra abraçar meu marido e dizer que já estavam ali. Mas depois disso, ainda tive que ficar de repouso e observação por mais uma hora. Quando fui liberada, fui ao encontro do meu marido que estava aguardando lá fora, nos abraçamos e saímos de lá já com a sensação de que seríamos pais apartir daquele momento. Como a cidade era longe, optamos por ficar aquela noite em um hotel para não ter que fazer a viagem de volta e correr o risco de fazer algum mal para os embriões. A partir dali, a única coisa que podíamos fazer era esperar 14 dias pra fazer o exame e ter o nosso tão sonhado positivo. Nossas famílias também sofriam com a gente e se alegravam a cada nova esperança.
Então, às vésperas do natal de 2013 chegou o tão esperado dia de realizar o exame. Fomos novamente a cidade vizinha para que o resultado ficasse pronto no mesmo dia. Chegando lá, coletamos o sangue e fomos informados que até o meio dia sairia o resultado. Aguenta coração, fomos passear pela cidade pra esperar o tempo passar, não aguentávamos de tanta ansiedade. No horário marcado, nem um minuto a mais, lá estávamos nós pegando aquele envelope com o resultado, minha vontade era que a moça que fazia a entrega me dissesse o que eu estava esperando, mas ela não falou nada, apenas entregou um envelope fechado. Saímos pra fora do laboratório e meu marido foi abrindo o envelope, eu tinha medo de olhar e ao mesmo tempo procurava o resultado com o canto do olho. Ele não entendeu nada, pois o exame era o beta HCG quantitativo, e quando eu olhei aquele número 25, comecei a dizer que era positivo e ficamos no meio da rua sem entender direito, mas com o coração transbordando de felicidade. Então, pra tirar a dúvida, fomos até o consultório do médico mostrar pra ele. Chegando lá a atendente olhou o resultado, olhou pra nós e disse “é positivo” você está grávida. Nesse momento, nos abraçamos e começamos a chorar igual duas crianças, pois era o nosso sonho se tornando real. As pessoas que estavam no consultório olhavam pra nós e sorriam querendo chorar junto. Ainda assim, ela disse para entrarmos e mostrar ao médico para que ficássemos mais tranquilos. Quando cheguei na sala dele, ele estava com o exame na mão, e me disse “pode entrar gravidinha”, nessa hora meu coração não batia, ele corria de tanta felicidade!! Tinha esperado tanto tempo pra ouvir aquelas palavras, que pra mim parecia que era um sonho!!
Depois disso, fomos pra casa comemorar com toda nossa família e saímos contanto pra todos os amigos que se alegravam junto com a gente, pois sabiam da nossa luta. Para nós aquele seria o natal mais maravilhoso de todos, pois estávamos ganhando o presente mais precioso que alguém poderia ganhar. Porém, nossa alegria não durou muito tempo, uns dois ou três dias antes do natal, o médico pediu pra que fizesse o exame novamente pra acompanhar a evolução do beta hcg. Desta vez, fizemos na nossa cidade mesmo, pois não tínhamos pressa em saber o resultado. No outro dia meu marido ia passar pegar e trazer pra casa de meio dia pra gente simplesmente acompanhar. Naquele dia meu coração estava apertado… Quando meu marido chegou em casa, já com os olhos cheios de lágrimas e com o exame na mão, eu tive a certeza de que algo estava errado. Ele me abraçou e disse “esse era pra ser o natal mais feliz das nossas vidas” e nessa hora eu já sabia que nosso sonho tinha virado pesadelo. Mesmo assim, chorando muito tivemos que ser fortes um para o outro e também pra nossas famílias.
No mesmo dia, fomos até o consultório mostrar o exame para o médico e saber o que havia acontecido. Ele nos disse que a gravidez não havia evoluído e que não tinha uma razão pra isso acontecer. Então, mais uma vez aceitamos a vontade de Deus, mas a esperança havia renovado, pois tínhamos sentido o gostinho da felicidade e sabíamos que não era impossível.
Decidimos que no ano seguinte 2014 iríamos tentar novamente e pela última vez a FIV, pois não tínhamos mais condições financeiras e nem emocional pra continuar e caso não desse certo aceitaríamos nosso destino e seriamos somente nós dois a nossa família. Temos nossos sobrinhos lindos que são tudo pra nós, e que fazem a nossa alegria também!! E num determinado dia, do nada, minha sobrinha de 3 anos disse para minha mãe: “A tia Vivi vai ter uma menina e vai se chamar Celine”. Isso mexeu com a gente, e decidimos que se tivéssemos a graça de ter uma menina, daríamos esse nome a ela!
Esperamos passar as festas de final de ano e logo no começo de 2014 fomos novamente ao consultório pra fazer todo o protocolo da FIV, pois não tínhamos embriões congelados. Então, já com o emocional esgotando mas com muita fé de que seria dessa vez começamos o tratamento. Sim, porque já estávamos convencidos que seria a última tentativa que faríamos.
Marcamos a coleta e para nossa alegria, dessa vez obtivemos muitos óvulos, foram 14 no total. Fomos pra casa e novamente as ligações nos informando sobre o desenvolvimento dos embriões nos deixavam com as esperanças renovadas. Ao final do terceiro dia estávamos com 8 embriões saudáveis e aptos a transferência, quanta alegria! No dia seguinte logo cedo estávamos novamente na clínica pra fazer a transferência de 2 embriões para o meu útero, porque minha idade só permitia essa quantidade. Meu marido aguardando do lado de fora e eu mais uma vez vivendo o sonho na pele. Consegui ver os pinguinhos de novo e a alegria tomava conta de mim naquele momento.
Fomos pra casa mais uma vez com aquela certeza de que tudo daria certo e de que nossa hora tinha chegado. A angústia e ansiedade pela espera pra fazer o exame após 14 dias só aumentava. Então, dois dias antes da data marcada pra fazer o exame, num sábado pela manhã, nós fomos a cidade vizinha mais uma vez realizar o teste. Coletamos o sangue logo cedo e fomos informados que as 11:00 horas estaria pronto. Fomos passear até que aguardávamos o horário pra ir buscar o resultado, mas a angustia tomava conta de nós. As 11:00 horas em ponto lá estávamos novamente vivendo a mesma cena, recebendo aquele envelope em nossas mãos, aquele que nos faria chorar, ou de alegria ou de tristeza. Saímos pra fora do laboratório e fomos até o carro estacionado pra abrir, meu marido ficou com a tarefa de abrir de novo, o coração parecia que ia saltar pela boca de tanta ansiedade e medo de abrir aquele papel.
Quando ele abriu eu já consegui ver um número 622, quase não acreditei e comecei a chorar, ele tremia e não sabia o que estava acontecendo. Então eu falei “isso é positivo, e bem positivo”, choramos os dois abraçados dentro do carro, choro de felicidade!! O sonho estava novamente na nossa frente se realizando. Ligamos pro médico, ligamos para nossas mães dando a boa notícia. Dessa vez tudo estava mais claro, e estávamos com nosso tão sonhado positivo nas mãos.
Desta vez resolvemos que não contaríamos pra mais ninguém além de nossas famílias até que se passasse alguns dias. Não cabíamos em nós de tanta felicidade, o que parecia impossível estava acontecendo!! Depois disso ainda tivemos um pequeno susto, pois tive um sangramento logo no começo, mas que graças a Deus não foi nada de grave.
E assim, fomos vivendo cada dia da nossa gravidez com todo amor e carinho que estavam guardados à 12 anos esperando para vivenciar esse momento tão esperado. Com três meses de gravidez soubemos que nosso tesouro seria uma princesa!! A nossa Celine tão desejada nasceu em 01/12/2014 e hoje já está com 1 ano e 5 meses alegrando as nossas vidas, e nos dando a certeza de que tudo o que passamos até a sua chegada valeu a pena, e que demorou tanto porque era para ser ela, tinha que ser ela!!
Por isso, nunca desistam e persistam enquanto houver um fio de esperança e fé!!”

Celine2

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3 comentários

  1. Parabéns Viviane,Deus sempre no comando ,e passei por algo parecido e simplesmente Deus colocou um anjo em nossa. vidas e deu tudo certo é,uma alegria ouvir aquele médico chamando "e ai como vai. minha gravidinha ",
    Mais a poucos meses tive tabem uma grande perda tava grávida de 33semanas de uma linda prinscesa e veio a falecer por um problema qe tenho trombofilia. tive dois abortos,uma menina e outra menina (óbito fetal ) mas tenho fe qe Deus sabe o que faz e se for da vontade dele vamos ter mais com ajuda dos médicos.

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  2. Obrigada Jocelaine! Realmente o dr. Marcelo é um anjo que ajuda todas nós! Fiquei sabendo da sua perda, sinto muito. Mas com certeza na hora e na vontade de Deus vc terá outro anjinho em sua vida! Bjs.

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  3. Otimo esse post!!

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