04 jun
A infinita espera pelo resultado do beta…

beta

Meninas, hoje lhes falarei um pouco sobre a espera infinita que sucede nas duas semanas pós tratamento, a espera do dia do beta hcg… São dias que não passam, são horas que se prolongam, são minutos eternos.
Um explosão de sentimentos que se turnam dentro da gente, ansiedade constante, esperança, ilusão, desilusão, medo, euforia, alegria, tristeza, desespero, calma, nervosismo… e por aí vai… É uma verdadeira roda gigante emocional, difícil de controlar. Somos humanas e estamos naquele momento vivendo a maior das incertezas,e o que mais desejamos é que seja logo o tão sonhado dia do beta, dia esse que parece não chegar nunca!
A sensação que se sente é que se passa um ano, mas não passam essas duas semanas  de espera, para se confirmar o que está já decidido e confirmado para nossas vidas, mas que ainda não sabemos. É chegado o momento após a transferência dos embriões que não podemos fazer mais nada, que a “sorte” está lançada e o que nos resta é esperar, e essa espera em geral é cruel em alguns instantes.
Saber que dentro da gente pode estar ele, o filho tão sonhado já crescendo! Mas que também dentro da gente possa ainda não haver “nada”, apenas um vazio maior que tudo… E é nessa incerteza que ficamos a mercê do tempo, dessa espera que se alarga e muitas vezes até machuca, mas que não tem como pular esta etapa final.
Na primeira inseminação e nas duas primeiras fertilizações não cheguei ao dia do beta, passei por todo processo, mas a confirmação de que não estaria grávida se adiantava… E com ela a dor vinha junto… Mas com essa dor a vontade de ser mãe só aumentava. Incrível! Como cresci nessa caminhada e como descobri o quanto era mais forte e determinada do que eu própria imaginaria.
Na terceira fertilização tudo foi diferente, desde a mudança da equipe médica à minha postura em todo processo, mas lhes confesso que o misto de sentimentos na espera do dia do beta não foi diferente, foi diferente sim a minha postura em encarar com mais confiança e fé aqueles dias, independentemente do resultado que viria. Havia chegado num dado momento em que estava super consciente do quanto havia lutado e que tudo o que estaria ao nosso alcance tínhamos feito.
O cenário na espera daquele beta era bem diferente dos anteriores, o marido havia viajado a trabalho nas vésperas da transferência embrionária e voltaria apenas na véspera do exame, e então me mudei para a casa da minha mãe. Carinho e atenção não me faltaria, tirei 15 dias de licença para aguardar em repouso o tal dia 6 de novembro de 2006, dia estipulado pelo médico para realização de  exames, entre eles o beta HCG Quantitativo… Quantas e quantas vezes olhei para aquela requisição, algumas vezes chegava a chorar tocando aquele papel que o tenho guardado até o dia de hoje, colado no diário… Chorava conversando com Deus, colocando nas mãos DEle a decisão sobre a minha vida, sobre a maternidade tão sonhada e desejada… Foram dias enriquecedores de escutar a voz de Deus, dias de saber e sentir que aconteceria o melhor para mim, independentemente do resultado, dias de entender que o controle da minha vida não estava 100% na minhas mãos…
Os cuidados nesses dias eram redobrados em tudo, uma alimentação equilibrada, nada de esforço, ao contrário muito repouso, muita leitura,  visitas queridas, aliás só visitas queridas e que não me trouxessem mais ansiedade, e sim muita paz e bons sorrisos, isso é tão importante no processo… Sempre fui muito aberta quanto às dificuldades para engravidar mas na hora dos tratamentos evitava falar para muitas pessoas justamente para evitar dar brecha para mais ansiedade e pressão externa, e recomendo muito essa postura mais discreta em momentos de tratamentos, depois sim “boca no trombone” caso seja positivo, mas enquanto isso ficar quietinha e se resguardar é uma boa opção.
Lembro bem que na véspera do beta estava eu, minha mãe e minha irmã conversando na sala e eu me quebrei chorando muito, eu sabia que faltava horas apenas para saber o que estava reservado para mim e naquele momento desabei, eu estava cansada, eu realmente havia chegado ao meu limite e o que eu mais queria naquele momento era já saber o resultado do exame para poder seguir a minha vida.
E, enfim, chegou o dia 6 de novembro de 2006…

 

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