21 dez
A Tal “Pilha” de Exames

pilhaPara quem já está nessa caminhada há algum tempo com certeza irá se identificar com o post de hoje… As que estão começando agora, mas por acaso já foram a alguma consulta com algum especialista em Reprodução Assistida também já deve entender o que lhes espera…

Venho aqui lhes falar sobre a ENORME quantidade de exames geralmente requeridos para uma análise do casal em busca de algum diagnóstico que justifique a gravidez que não vem…

Me lembro que começei levando os exames na mão, depois já providenciei um envelope para guardá-los e assim mais facilmente transladá-los, depois o envelope foi sendo trocado por um maior e outro maior e outro beeeeem maior e por aí vai. Naquele envelope estava guardado a minha história referente à infertilidade, valia ouro, era precioso! Detalhadamente e cronologicamente estavam todos os exames requeridos pelos médicos que passei e constava a evolução da minha endometriose e outros detalhes mais referentes a mim. Também constava ao final uma coleção de espermogramas colecionados pelo meu marido. Laudos das cirurgias, resultados de histerossalpingografia, dezenas de ultrassonografias e tantos outros mais.

Considera-se infertilidade conjugal quando não surge gravidez após um ano de casal sexualmente ativo sem uso de métodos anticonceptivos, sendo indicado a partir desse período a busca de um médico especialista em reprodução humana para análise do casal e a investigação básica complementar visa responder, de modo preliminar, a quatro questões:

1- a avaliação seminal é normal?

2- a ovulação é normal?

3- o canal reprodutor é normal?

4- a reserva ovariana é adequada?

E a partir de então se começa a “maratona” de exames e a “tal pilha” vai crescendo… Alguns casais fazem os exames, logo é detectado algum diagnóstico e aí já se inicia algum tratamento para o caso. Outros fazem os exames e nada é detectado, não justificando essa demora e por muitas vezes mais e mais exames são solicitados para uma investigação mais detalhada. Alguns casais conseguem engravidar logo após um tratamento e a “tal pilha” não chega a crescer tanto, mas outros tantos vão somando exames e mais exames e a pilha só faz crescer.

Lembro que chegou a um determinado momento que tive que organizar os exames por data, período, tipo de exames, porque até eu mesma já não estava entendendo tanta informação, então tive que organizar melhor para quando me “apresentasse” a um novo médico o mesmo pudesse entender a cronologia dos fatos no meu histórico.

Lembro que no último médico que fui a pilha era tão grande que ele passou bastante tempo para analisá-la e entender o turbilhão de informações ali contidas. A tal pilha se tornou pesada e o envelope era ENOOORME.

Era chato chegar aos consultórios com a bendita pilha de exames nos braços, era a prova “viva” de que eu era uma “tentante das antigas” e todas que por ventura estivessem na sala de espera me olhavam com pena, “bichinha, com toda essa papelada o caso aí deve ser bem complicado…”, imagino eu o que elas pensavam rsrs.

E os médicos então! Acho que ao ver o tamanho pensavam: “caso brabo a se resolver!” rsrs.

Só sei que a tal pilha me acompanhou e foi crescendo por mais de 5 anos e quando minha Mariana nasceu ela se foi! Um dia arrumando o guarda roupas achei que estava mais do que na hora da despedida, TUDO aquilo já não fazia mais sentido para mim, TUDO aquilo tinha ficado para trás.

Aquela paciente infértil tinha morrido e havia nascido uma MÃE que conseguiu superar todos aqueles diagnósticos e estava disposta apenas para pilhas de receitas rosas e lindas de recomendação de tal pomada para bumbum fofinho de bebê, vacinas a serem aplicadas para sua proteção e tudo o mais lindo e suave que a vida começou a me brindar desde a realização da maternidade. Naquele dia me desfiz da referida “tal pilha” e fui mais feliz!

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