10 abr
Antes de adotar, é preciso elaborar o luto pelo filho não gerado

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Há tempos vinha pensando em abordar sobre este tema, sobre a situação de vários casais que enfrentaram a infertilidade e chegaram a seus limites, e que naquele momento o desejo da paternidade e maternidade continuam latentes e decidem partir para adoção. Ato este que por várias vezes estimulo por aqui, com certeza de ser apenas outra forma de realizar plenamente este sonho de ter um filho, e diante do exposto não poderia calar para um “alerta” que li há anos atrás num blog querido que deixou saudades, o Quero Ser mãe, da brilhante jornalista Cláudia Collucci, que com seus textos mágicos me ajudou demais nos anos de tentativas. O texto a que me refiro me cruzou novamente por esses dias, justamente quando pensava em lhes abordar sobre a importância de fechar um ciclo e recomeçar e abraçar outro. Não que o desejo em ser mãe ou pai mude, mas as circunstâncias serão diferentes e para um casal que um dia sonhou com o filho gerado na barriga acredito ser saudável e prudente viver, digamos assim, o luto pela “perda” do filho biológico que nunca chegou e posteriormente estar consciente e de coração aberto e totalmente receptivo para a chegada daquele filho tão sonhado, que chegará através da adoção. O texto foi escrito pela psicóloga Luciana Leis:

“A maioria das pessoas- tanto homens quanto mulheres- possui dentro de si o desejo de ter filhos, de poder continuar existindo através de um outro que o represente.

Porém, não necessariamente, isso tem a ver com continuidade genética, já que é possível também se fazer existir por meio de valores e atitudes passados a uma criança com a qual não há laços consanguíneos.

Nem todas as famílias possuem uma configuração na qual há continuidade genética, uma vez que, as relações parentais que se formam nas famílias adotivas são baseadas fundamentalmente em laços de amor que unem seus membros.

A palavra “adoção” significa cuidar, considerar, se apropriar; é também o ato de dar um lar a crianças que não puderam ser criadas por seus pais biológicos; e significa ainda, dar a possibilidade de ter filhos à pessoas que tiveram problemas com a fertilidade ou que optaram por cuidar de crianças sem ter laços biológicos.

No caso de casais com dificuldade de gravidez, nota-se que a adoção surge como uma outra porta que pode ser aberta a caminho da maternidade e paternidade. No entanto, para que essa porta possa se abrir, é necessário que o luto pela perda do filho biológico possa ser vivenciado.

Não há como adotar uma criança, de forma saudável, sem se passar pelo processo de aceitação e elaboração da infertilidade, pois é justamente após esse processo que o casal pode, aos poucos, abrir espaço emocional para a chegada do filho de uma outra forma, diferente da idealizada, mas uma forma possível e não menos satisfatória.

Faz-se relevante destacar também, que o desejo de ajudar uma criança não é suficiente para que a adoção se dê, pois não estamos falando de um ato de amor ao próximo e sim, da constituição de uma família, dentro da qual é necessário que essa criança tenha um lugar de filho, assim como qualquer filho biológico. A criança adotiva precisa se sentir escolhida e desejada por seus pais.

Portanto, a adoção sempre implicará em tomar para si algo que antes era estranho e que, com o tempo, poderá se tornar muito familiar. Coloco para finalizar uma questão: Muitas mulheres não conseguem adotar os próprios filhos, será que são mães?”

E dando prosseguimento ao texto e respondendo esta última pergunta me atrevo a responder: mãe é aquela que ama outro ser mais que a si mesma, é aquela que para estar bem o filho tem que estar bem, é aquela que ama, cuida e se doa incondicionalmente, e infelizmente muitas mulheres tem apenas o título de mães, sem tê-lo merecidamente. Triste realidade.
Felizes as crianças, os filhos de todas vocês que mesmo ainda sem serem mães, já incorporaram essa figura e o amor maternal já transborda nos seus corações!

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