22 out
Após 16 anos de espera, Amanda chegou!

vivi

 Gente, estarei aos poucos lhes trazendo algumas histórias daqueles “anjos” que cruzaram no meu caminho enquanto ansiava pela maternidade que não vinha. Viviane foi uma das primeiras que conheci, uma mulher linda, educada e muito amável. Aos 29 anos ela e o marido decidiram buscar o primeiro filho e foram 16 anos de caminhada, incluindo 3 inseminações e 5 fertilizações in vitro, até a chegada da princesa Amanda. Ficando mais uma vez a prova do quanto que é importante a empatia médico-paciente, fazendo toda diferença nestes processos a confiança no profissional escolhido e a atenção dispensada à paciente, que na maioria das vezes se encontra frágil emocionalmente.

Se valeu a pena toda esta espera? E como valeu! Com vocês um pouco de TUDO isso, contado pela própria Vivi. Uma história lindíssima de superação, determinação e fé, com um final super feliz!!!

“Eu venho de uma família grande. Meus pais tiveram seis filhos e se dependesse de meu pai seriam doze, mas minha mãe sabiamente pôs um freio nas pretensões dele. Sou a segunda filha desta grande prole e minha mãe desde cedo me “treinou” no caminho da maternidade. Como ela nunca teve empregada, babá ou ajudante em casa, eu e minha irmã (onze meses mais nova que eu) a ajudávamos com nossos irmãos mais novos. Eu cresci achando que era fácil ter filhos… Não sabia o que me aguardava.

Conheci meu marido, Renato, na Universidade. Fazíamos o mesmo curso: Engenharia Agronômica. Começamos a namorar em 1988 e em abril de 1994 nos casamos. Evitamos filhos durante dois anos, pois estava desempregada e fazendo mestrado. Em junho de 1996 liberamos o caminho para gravidez. Tentamos naturalmente por 2 anos até 1998, quando procuramos um especialista na área de reprodução humana assistida. Fomos encaminhados para um médico e ele passou os exames investigativos para detectar a possível dificuldade da gravidez. Por não atender pelo meu plano de saúde,  fomos encaminhados para outra médica especialista que estava iniciando sua clínica de reprodução em Recife e atendia na época pelo convênio. Isso aconteceu em 1999. Fui muito bem acolhida por ela e por sua equipe. Ela foi muito minuciosa em seu diagnóstico e fizemos todos os exames possíveis para detectar a causa de nossa infertilidade. Os resultados dos exames não apontaram problema algum com meu marido, mas comigo havia a suspeita de endometriose. De posse dessa informação foi realizada uma videolaparoscopia em 2000 e foi confirmada a endometriose grau leve. Após esse procedimento seguimos o tratamento recomendado pela médica, porém não consegui engravidar. Utilizamos todas as técnicas conhecidas para engravidar  naturalmente e dentre elas o coito programado e nada da gravidez chegar. Meu marido odiou esse negócio de ter hora para ter relações. Começou a apresentar certo descontentamento com o início do tratamento. Mas, sempre me apoiou.

Com esse resultado a próxima etapa foi tentar a inseminação artificial. Isso aconteceu no início de 2003. Marcamos o dia e lá fomos nós dois tentarmos fazer nosso bebê com a ajuda da ciência. Fizemos tudo como tinha sido recomendado pela médica, mas o resultado foi negativo. Essa foi a primeira vez que fui ao fundo do poço. Questionei o mundo, Deus, a vida. Fiquei sem chão completamente, me achando a criatura mais defeituosa do mundo. Achei que era castigo, sei lá porque, e fiquei muito mal. Meu marido fazia de tudo pra me fazer enxergar que isso não era o fim do mundo. Éramos jovens e ainda tínhamos muito tempo pela frente para realizarmos esse sonho. Bom, nada como o tempo e a família pra nos ajudar a nos levantar de um grande baque. Eu consegui me reerguer, e procurei ajuda de uma psicanalista para passar bem por essa luta. E ela me ajudou muito mesmo, aliás, até hoje eu continuo indo pra ela.

Após meu primeiro resultado negativo de gravidez e consequentemente me recuperar disso fomos novamente ao consultório da médica e ela nos explicou o que poderia ter levado a esse resultado. Escutamos e após digerirmos a explicação chegamos à conclusão de que o próximo passo seria a fertilização “in vitro”. As chances seriam maiores e o custo também. Quando por fim resolvemos nos submeter a esse procedimento, em março de 2004 realizamos nossa primeira FIV. Colocamos quatro embriões excelentes, de acordo com a classificação do biólogo da clínica. Saímos da clínica tão confiantes… Fizemos tudo que a médica recomendou e após 15 dias ao receber o resultado do exame de gravidez que deu negativo, mais uma vez desabei. Chorei muito e me senti muito mal. Levamos muito tempo para nos reerguer financeiramente e emocionalmente, mas nunca desistimos do nosso sonho. Sabia que ia tentar de novo, mas não sabia quando. O desespero começou a bater porque os anos iam passando e eu ficando mais velha. Então passei a não querer comemorar mais meu aniversário, pois cada ano que passava eu sabia que ia ficando mais difícil realizar esse sonho.

Mudamos de médica (por imposição do marido) e fizemos duas inseminações em 2005 e novamente o resultado foi negativo. Procurei então outro médico especialista, desta vez com a indicação de minha querida amiga Taci, e de posse de todos meus exames investigativos realizados até então e a “experiência” de três inseminações e uma FIV realizadas com resultados negativos, ele resolveu continuar com a investigação. Passou a observar o que ainda não tinha sido visto pelas médicas anteriores e disse que ia passar para os testes imunológicos. Na época estava sendo muito divulgado que deveria haver compatibilidade entre os pais para facilitar a nidação do embrião no útero. Nesse momento eu estava na categoria de ESCA (esterilidade sem causa aparente) e falha de implantação, uma vez que a endometriose diagnosticada impedia a gravidez natural, mas não impediria a gravidez por FIV. Na sequencia fiz os exames de imunologia e cheguei a tomar 3 doses de uma vacina feita com o sangue do meu marido e por fim ao chegar na percentagem de compatibilidade decidimos fazer a nossa
segunda FIV. Em 2007 colocamos 3 embriões e novamente seguimos todas as orientações médicas. Após 15 dias de ansiosa espera, veio mais um resultado negativo. E agora meu Deus? Choro, desespero, desalento e luto… Foi muito difícil. Após uns dias fomos falar com o médico e ele nos disse que foi falha de implantação… Deveríamos esperar três meses e tentar novamente. Mas, a questão financeira não permitia isso. Resolvemos então deixar pra outro momento. Resolvi que minha vida não poderia parar  por isso. Eu tinha uma vida boa, uma família maravilhosa, meu trabalho. Eu era uma pessoa feliz e seria mais feliz se tivesse um filho. A minha felicidade não dependia de ter ou não um filho. Ela seria maior se eu o tivesse. E assim vivi esse luto.

No fim do ano de 2007, eu estava a trabalho em Belo Horizonte e minha cunhada me liga falando de uma nova clínica de reprodução humana que estava abrindo suas portas em Recife e que estava se apresentando como mais uma alternativa de tratamento para casais com dificuldades para engravidar. Ela ligou pra lá e marcou uma consulta pra nós. A clínica era composta por três médicos e dentre eles estava o primeiro médico que nós procuramos nessa nossa jornada. Disse a minha cunhada que eu estava meio cansada de tentar mas ela insistiu tanto que fui. Levei todos meus exames, resultados, enfim todo meu histórico e fomos lá conversar com ele. Foi ótima a conversa e assim eu e meu marido decidimos fazer mais uma tentativa. A equipe era ótima. A médica que fazia as ultrassonografias para acompanhamento dos folículos era maravilhosa. Adorei ela assim de cara e de graça. Seria um anjo na minha vida, mas naquele momento eu não sabia. Fizemos nossa terceira FIV e colocamos 2 embriões excelentes. Saímos de lá tão confiantes, tão alegres e seguimos novamente todas as recomendações médicas. E quinze dias depois… resultado adivinhem? Negativo. Eu já estava me acostumando com essa tristeza, mas algo me fez levantar mais rápido.  Fomos conversar com o médico e ele nos disse que foi falha de implantação. A medicina ainda não sabe qual o local certo e exato para colocar o embrião dentro do útero. Saímos de lá e fomos para casa, cada um de nós pensando no que estava acontecendo. Estávamos cansados dessas tentativas. Meu marido já tinha desistido, mas eu não. Tinha gostado tanto daquela médica que tinha feito a ultrassom e que inclusive me ligou para me confortar quando soube do resultado negativo que quis conversar com ela. E lá fomos nós. Marquei consulta e ela nos recebeu muito bem. Nos explicou tudo nos mínimos detalhes e meu marido ficou também encantado com ela. Explicou que poderíamos fazer uma FIV no ciclo natural, sem precisar de hormônios para superovulação. Resolvemos fazer, mas no dia da punção o óvulo não atingiu o tamanho ideal e tivemos que desistir dessa tentativa. Isso ocorreu em 2008. Resolvemos novamente dar um tempo e viver sem pensar nisso.

Em 2009 minha mãe foi diagnosticada com câncer, raro e agressivo, e assim devido a isso demos uma pausa nos tratamentos. Foi um momento muito triste em nossas vidas. A incerteza do tempo de vida de minha mãe me fez viver cada dia como se fosse o último dela. Todos da minha família nos dedicamos inteiramente a ela. Todavia, quando ela estava relativamente bem, entre um ciclo e outro de quimioterapia, retomei minha luta em realizar meu desejo de ser mãe. Em 2011 resolvi que seria minha ultima tentativa. Fomos conversar com aquela médica (meu anjo) e ela disse-nos que estava nos devendo um resultado positivo. Achei aquilo tão tocante, ela torcia muito por mim! Fiz todos exames necessários e em março de 2012 fiz a minha última FIV aos 44 anos. Foi o momento mais mágico que vivi. Tudo transcorreu tão tranquilo desde o princípio que parecia que desta vez ia dar certo. No dia da transferência colocamos 4 embriões e após 15 dias, aos 45 anos recém completados, recebi meu primeiro resultado POSITIVO. Liguei pra meu marido e disse a ele o que eu passei nossa vida inteira querendo dizer: você vai ser papai!!! Foi a maior emoção da minha vida até então. A família ficou toda emocionada, muitos de nossos amigos nos ligavam para parabenizar e choravam conosco de alegria. Para minha mãe esse resultado foi um alento imenso em seu tratamento. Foi simplesmente maravilhoso. O segundo telefonema foi para a médica e ela já foi logo me recomendando repouso e progesterona e que eu repetisse o beta em dois dias. Assim fiz e deu tudo certo.

Na primeira ultrassonografia vimos que havia apenas um bebê no útero e que estava muito bem. Porém com 9 semanas de gravidez fui internada muito mal, sangrando e desmaiando, e o diagnóstico foi de gravidez tubária. Um dos quatro embriões fez o caminho inverso e saiu do útero e foi pra trompa esquerda e lá ficou até provocar o esgaçamento da referida trompa. Mas aí entrou outro anjo da minha vida, minha médica ginecologista e obstetra. Ela foi me ver na emergência e já contactou toda sua equipe e me operou  duas horas depois da minha entrada na emergência. Quando pensei que tinha conseguido engravidar e que estava tudo bem comigo e com meu bebê tive que passar por esse susto. Na hora eu pensei que ia perder tudo. Na minha cabeça eu não entendia que essa cirurgia poderia ser feita tendo outro bebê no útero e que ele não seria afetado. Eu pensei apenas no seguinte: estou em Tuas mãos meu Deus. Seja feita a Tua vontade e fui. E graças a Ele deu tudo certo. Três dias após a cirurgia estava muito triste e senti que foi por ter perdido o bebê da trompa. Chorei bastante e depois me acalmei pois tinha outro bebê que dependia de mim para viver e aí juntei minhas forças e lutei pelo bebê que ficou. Permaneci de repouso durante 30 dias e depois disso tive vida normal. Passamos a fazer as ultrassonografias de rotina, os exames todos e estava tudo dando certo até que cheguei na vigésima quinta semana quando, novamente tive um sangramento e fui novamente pra emergência. O desespero tomou conta de mim, pois não tinha feito nada que tivesse provocado isso. Quando fui atendida diagnosticaram descolamento de placenta e diabetes gestacional. Meu bebê poderia nascer ali naquele momento, mas novamente Deus estava no comando. Me lembro que nesse momento miha querida amiga Taci e sua mãe estiveram lá me visitando e a mãe dela me entregou a oração de Maria passa na frente. Graças a Deus e aos médicos eu saí do hospital e controlei a diabetes gestacional apenas com a alimentação, porém tive que ficar de repouso até minha filha nascer. E ela nasceu com 38 semanas e 3 dias de gestação. Saudável, normal e linda. Pesou 3,434kg e mediu 51 cm. Meu sonho realizado, aos 45 anos fui mãe! Essa é minha história!!!”

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Pin on PinterestEmail this to someone

5 comentários

  1. Que história linda!!!

    Comentário
  2. Me identifiquei com essa história. Muito parecida com a minha. Mas parei com o tratamento pois só obtive resultados negativos. Mas hj ainda penso em retomar o tratamento. Queria sua opinião. Obrigada.

    Comentário
    1. Acho que se está no seu coração por que não??? Claro que sim! Lute pelo seu sonho! TUDO valerá a pena!!!

      Comentário
  3. Meu Deus, que história emocionante, estou aos prantos aqui. Parabéns minha linda e obrigada por dividir conosco sua experiência pois é um alento aos nossos corações

    Comentário
    1. Demais mesmo! Historias assim que faço questão de dividir por aqui e trazer esperança a todas! Ânimo!!!

      Comentário

Deixe seu comentário