12 mar
O Diário

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A 3a fertilização, como eu já lhes adiantei no post anterior, foi bem diferente de todas as outras tentativas. Por um lado, a princípio, eu e meu marido chegamos sofridos e cansados, após anos de caminhada, nos desmoronamos emocionalmente com o diagnóstico da falência ovariana precoce, descoberta nos exames prévios ao início deste tratamento, mas após tomarmos um tempo e “digerirmos” esse atual panorama, nos reerguemos diferentes, mais maduros e conscientes de que aquela seria a nossa última cartada e nossa postura foi de bravos guerreiros preparados para a grande batalha das nossas vidas.

Juntamos nossos “caquinhos” e a única palavra que nos regia era: ESPERANÇA! Estávamos conscientes de que fizemos tudo o que estaria ao nosso alcance, estávamos conscientes de que fomos ao máximo dos nossos limites e estávamos ali apostando naquela oportunidade, a abraçando de forma única.

Eu especialmente me entreguei por completo àquele momento! Não que eu não soubesse das possibilidades de não dar certo mas necessitava viver aquele momento plenamente, queria me entregar e confiar que poderia, que iria dar certo. E foi nessa convicção e esperança avassaladora que tive uma ideia de escrever um diário para meu futuro filho… Sim! Eu ainda não estava grávida, com baixas possibilidades de êxito, mas possibilidades essas que não eram nulas, possibilidades que existiam e que eu optei por me entregar por completo a elas e ACREDITAR!

Então a partir de hoje estarei compartilhando com vocês pedaços do diário escrito lá em 2006… Diário este que foi escolhido com muito carinho, com capa colorida e florida, que o abraçei e me dirigi ao caixa da papelaria com um sentimento lindo e uma vontade enorme de começar a escrever. Eu que sempre amei escrever, eu que um dia sonhei em ser jornalista e acabei me formando em direito, eu que tenho prazer em expor para fora o que penso e sinto através de palavras, lá estava eu prestes a começar a escrever para ninguém menos que… meu filho(a) que estaria a caminho! Meu filho que chegaria de alguma forma, fosse através daquele tratamento, fosse através de adoção, mas um filho que estaria reservado para mim, porque uma certeza eu tinha: eu seria mãe!

05 mar
Michele e suas vitórias contra a endometriose

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Gente, nessa caminhada penso sempre que já tenha visto todo tipo de história, mas sempre aparece uma nova história para me surpreender! Ontem conheci um blog que se chama ostrigemeosdamichele.com.br que babei e vibrei muito com a história de Michele, mãe de uma linda princesa de 3 anos e de um trio fofo de bebês ruivos e encantadores de 1 ano!

A história por si só já chama muito a atenção, e mais ainda quando soube que Michele tinha endometriose! As gestações, inclusive a trigemelar, se deram de forma natural, a primeira apenas com ingestão de indutor de ovulação e a segunda dos trigêmeos sem nada, de forma naturalíssima, sem tratamento!

Conversei rapidinho via email com ela e resolvi trazer para vocês um pouquinho dessa história linda e mega animadora!

“Sempre quis ter filhos. Quando meu marido e eu casamos, em 2006, combinamos de esperar cinco anos, já que eu tinha 23 anos e ele, 27. Mas em 2009 eu já comecei a insistir e começamos a tentar. Foi quando descobrimos minha endometriose. Minha ginecologista na época me sugeriu a videolaparoscopia para desobstrução das trompas e “faxina” dos focos no organismo. Disse que poderíamos tentar engravidar um mês depois da cirurgia. Me submeti à vídeo em fevereiro de 2010, quando ela viu que meu caso era mais grave do que parecia e me disse que, além da videolaparoscopia, deveria tomar uma injeção de Zoladex, que me deixaria em menopausa forçada por três meses e faria com que os focos que não haviam sido removidos na cirurgia secassem. Passados esses cruéis três meses, reiniciamos as tentativas, sem sucesso. Foi quando a médica me deu indutor de ovulação e acompanhamento do ciclo através de ecografias transvaginais. Vimos que um óvulo maturou e assim que passaram os dias da ovulação e fizemos o “tema de casa” comecei a tomar progesterona para segurar uma possível gravidez. Alguns dias depois, fiz teste de farmácia em casa e estava grávida. Foi uma alegria muito grande.

Pois essa história que conto não é a da minha gravidez múltipla e sim, de minha gravidez única, quando tive minha maravilhosa filha Mônica, nascida de 38 semanas e 2 dias, com 2 quilos e 545 gramas e 47 centímetros, no dia 4 de agosto de 2011.

Como contei no início, queria ter filhos, assim, no plural. Mas dois estaria bom. Então no início de 2013 decidi (e meio que fiz meu marido aceitar meio goela abaixo) que queria ter mais um bebê. Parei de tomar meu anticoncepcional em janeiro e em fevereiro engravidei. Assim, rapidinho mesmo, depois de tanto tempo de tentativas na primeira gravidez sinceramente não esperava que fosse dar certo tão rápido. Mas devido às mil coisas que tinha lido e tinha feito para engravidar da Mônica no final de 2010, imaginei que as informações que tinha me ajudariam a conseguir logo. A única medicação que tomei foi a progesterona, pra “segurar” a gravidez já que meu histórico anterior mostrava que eu tinha falta desse hormônio na segunda fase do meu ciclo. No dia 7 de março descobri minha gravidez através de exame de sangue, que mostrou uma gravidez ainda muito no início. Mas foi no dia 22 de março que tivemos nossa maior surpresa: nossa primeira ecografia mostrou dois sacos gestacionais. Entrei em pânico. Chorei, esperneei e perdi o chão, o porquê mal sei explicar. Acho que é uma insegurança muito grande e um medo de não dar conta do recado. E eu já tinha uma filha. Teria três. Passamos 10 dias nervosos esperando o próximo ultrassom porque naquele anterior não tinha dado para ver os corações batendo, era muito cedo. A médica ecografista alertou que gravidez gemelar tem mais riscos e que é normal perder um no início. Estava chateada comigo mesma porque meus pensamentos estavam muito negativos. Quando chegou o dia da segunda ecografia, nos primeiros dias de abril, tomamos o choque número 2. Fiquei contente ao começar o exame e ver que os dois sacos gestacionais ainda estavam ali, não havia perdido nenhum bebê. Já estava me culpando mentalmente se tivesse perdido um. Foi quando o médico nos mostrou a situação: um dos sacos gestacionais estava normal, com um embrião dentro e a vesícula vitelínica. Só que (nunca vou esquecer aquele “só que” que o médico disse) no segundo saco gestacional existem dois embriões. São trigêmeos! Dois idênticos e um diferente. Univitelinos e bivitelinos na mesma gravidez. Dá pra imaginar algo assim? Saí daquela sala em choque e completamente apavorada. E agora? Terei quatro filhos com diferença de dois anos. Como isso foi acontecer comigo? Sem nenhum tratamento de fertilização? Sem qualquer histórico de gêmeos na família? E então começou nossa preparação para receber mais três membros na família.

Ainda quando eu estava de 12 semanas, descobrimos que eram três meninos. Nosso médico ecografista nos alertou sobre uma possível transfusão feto-feto entre os meninos idênticos (leia sobre isso aqui). Nosso drama foi muito grande porque ele nos disse que havia uma possibilidade grande de isso estar acontecendo com nossos bebês por causa de alguns indicativos no exame. Esse tipo de problema pode levar os dois a óbito porque um vira um doador de sangue e outro o receptor. O doador fica muito pequeno, frágil e anêmico enquanto o receptor cresce demais e fica com excesso de glóbulos vermelhos, forçando demais seu coração.A partir daquele momento, fomos de 15 em 15 dias no consultório para sermos capazes de intervir no momento certo se isso se confirmasse. O jeito de “consertar” é através de cirurgia intra-uterina, para separar os dois cordões umbilicais. Por muita sorte, todos os três se desenvolveram de forma igual, sem descompensação entre os idênticos. Fizemos as ecografias até as 32 semanas de gestação.Os meninos nasceram de 34 semanas, pesando cerca de 2 quilos cada um. Passaram 7 dias na UTI neonatal e mais 8 na salinha de aquisição de peso. Tiveram alta quando atingiram novamente os dois quilos (Marcelo veio pra casa com um pouco menos), já que todos os bebês perdem um pouco de peso nos primeiros dias.”

Querendo saber um pouco mais sobre esta história e a rotina dessa turminha indico o blog dela: www.ostrigemeosdamichele.com.br, estando também no instagram.

Parabéns Michele mais uma vez por esta trupe linda e animada!

 

25 fev
Ovodoação

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Até ser diagnosticada com falência ovarina precoce não havia escutado praticamente nada sobre ovodoação. E foi na consulta que soube desse novo diagnóstico que escutei pela primeira vez essa expressão, e não a entendendo (ou talvez me resistindo a entender) perguntei do que se tratava e escutei como resposta: doação de óvulos. Um baque a mais! Acredito que toda mulher que está nessa luta pelo sonho de gerar um filho pensa logicamente em ter um filho SEU, ou seja com seu óvulo e com o espermatozoide do seu marido. Lembro que me chocou a princípio, e dias depois fui mudando meu pensamento e cheguei até a cogitar para assim aumentarmos nossas chances, foi aí que o marido pela primeira vez se mostrou irredutível, e eu o respeitei. Assim decidimos seguir com meus “míseros” folículos…

Ovodoação é um tema muito polêmico. Polêmico no decidir optar por, polêmico no sentido de admitir ter optado aos demais, polêmico na decisão de compartilhar isso ou não com o filho que vier a nascer. Mas hoje diante de tantas histórias que já escutei e presenciei encaro a ovodoação como mais uma ferramenta para se alcançar o sonho da maternidade. Respeito demais e até admiro aqueles que optaram pela ovodoação, e que hoje estão realizados com seus filhos.

O que sim aconselho que recorram sempre a uma clínica séria, que respeite as normas previstas por lei, lembrando que a ovodoação é autorizado e regulado pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) através da Resolução de nº 2.013/2013, a qual lhes recomendo a leitura.

Para quem ainda não escutou falar sobre ovodoação, consiste em fertilizar óvulos de mulheres com idade inferior a 35 anos e transferi-los para mulheres que apresentam falência ovariana, ou seja, não estão mais produzindo óvulos; mulheres com idade avançada, que tiveram diminuição do seu potencial de fertilização; ou mulheres que são portadoras de genes determinantes de doenças severas.

Neste tipo de tratamento, óvulos de uma mulher doadora são fertilizados com o sêmen do marido da paciente (receptora), e os embriões formados são transferidos para o útero da receptora. Os óvulos da doadora são estimulados e recuperados utilizando técnicas de fertilização in vitro. Este processo de doação é anônimo, não havendo conhecimento entre os casais.

As doadoras são selecionadas pelas clínicas de reprodução assistida e apresentarão idade inferior a 35 anos, semelhança física com a receptora, como cor de olhos e cabelos, cor de pele, estatura, bem como similaridade de tipo sanguíneo. Além disto, são realizadas triagens para infecções sexualmente transmissíveis, como hepatites, sífilis e presença de HIV.

Encontrei o texto entitulado “O Plano B para Falência Ovariana” da Dra. Claudia Gomes Padilla, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington, que divido com vocês, o qual achei esclarecedor e oportuno:

“Todos os dias atendo a pacientes que querem engravidar, mas que já não têm óvulos em quantidade e qualidade suficiente, o que chamamos de baixa reserva ovariana. É muito triste ver a decepção em seus rostos quando após dias ou até meses de injeções hormonais e dedicação ao tratamento, por diversas tentativas, chegamos à conclusão que o caminho não é esse e que teremos que partir para o plano B.

Quando falo em plano B, lembro-me muito bem de uma querida paciente que veio de Brasília para fazer seu tratamento aqui na clínica. Um casal muito simpático e agradável. Eles já haviam feito nove tentativas de fertilização in vitro em diversos Estados e não tiveram sucesso. Neste meio tempo, ela também tinha tido dois abortos espontâneos. Quando iniciaram os tratamentos, ela tinha por volta de 38 anos e agora já estava com 43 anos.

Fizemos todos os exames necessários para investigar o porquê da gestação não acontecer e, com a dosagem do hormônio anti-mulleriano, o diagnóstico de baixa reserva ovariana foi feito, como era de se esperar para uma mulher nesta idade. Expliquei que, apesar de não ser impossível dela engravidar, as chances de gravidez eram muito baixas, mesmo com a fertilização in vitro, devido à baixa qualidade e quantidade dos óvulos. Sendo assim, para que aumentássemos as chances de gravidez, sugeri o plano B: a ovodoação.

A paciente, muito abalada, começou a me fazer mil perguntas a respeito de como seria adotar um óvulo, dos amparos legais, da escolha da doadora…, e o esposo sempre quieto.

Quando acabei de falar, o esposo disse que a ovodoação estava fora de cogitação. Disse que a amava muito, que entendia os limites do tratamento e dessa forma considerava que era hora de parar tudo, refletir e, quem sabe, adotar uma criança.

Penso que para o projeto de ter um filho, um casal deve estar muito unido e em sintonia e, neste momento, pude vivenciar uma total divergência entre eles.

É completamente compreensível que surjam visões diferentes a respeito da ovodoação. Acredito que seja natural querer “perpetuar nossos genes” quando pensamos em ter um filho e, por isso, o desejo de engravidar com os próprios óvulos ou de querer ter uma criança que seja “a cara da minha esposa”. Mas na medida em que estes óvulos já não são mais capazes de resultar em uma gestação, o desejo de ser mãe fala mais alto do que a genética.

A possibilidade de gestar, de sentir o bebê mexer, de acompanhar seu desenvolvimento e de vivenciar seu nascimento são dádivas únicas proporcionadas pela ovodoação, e muito importantes para a maioria das mulheres. E é justamente este ponto de vista que procuro enfatizar para o casal, principalmente para o homem, neste caso.

Aconselhei o casal que conversassem com mais calma a respeito do assunto para que chegassem a um ponto em comum e me coloquei à disposição, caso pudesse ajudar com alguma dúvida. Como o habitual, demorou um tempo para que eles retornassem, mas cerca de sete meses depois eles iniciaram o tratamento e estão hoje muito felizes com a família linda que formaram.

A mensagem que gostaria de deixar é para os casais que já estão com o corpo e alma desgastados pelas inúmeras tentativas de tratamento sem sucesso e que receberam a indicação de ovodoação ou espermadoação. Abram seus corações e sua mente para o “plano B”, procurem informação a respeito do assunto e reflitam com calma, pois apesar de inicialmente esta não parecer ser a opção mais desejada, pode, sim, tornar o melhor caminho para que o sonho de ter um filho seja uma realidade.”

Link: http://blog.huntington.com.br/o-plano-b-para-as-mulheres-com-baixa-reserva-ovariana/

 

23 fev
O Início da Caminhada para a 3ª Fertilização

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Já estávamos calejados e sofridos demais nesses mais de 5 anos de espera. Por um lado meu marido se preocupava muito com a quantidade de hormônio que eu vinha tomando nesses procedimentos, somado aos tratamentos da endometriose mais a inseminação e duas fertilizações, sempre necessitando do máximo permitido de quantidade hormonal em busca de uma boa resposta ovariana que não vinha… Um gasto financeiro importante e acima de tudo um desgaste emocional absurdo.

Claro que partiu dele a decisão e eu com toda dor no coração tive que admitir que já havíamos percorrido um longo caminho e que essa seria a última tentativa atrás do filho tão sonhado, através de uma gravidez. A adoção rondava a minha cabeça, com certeza seria uma possibilidade a ser abraçada após a conclusão desse processo, caso não desse certo, mas lhes confesso que sempre quis e sonhei com meu barrigão. Queria muito passar por esta experiência do gerar, não posso lhes negar, era um fato, mas claro que acima de tudo estava minha vontade de ser mãe.

Mais uma vez partiríamos para uma nova equipe médica. Já era a terceira a essa altura. Era necessário mudar. Era necessário novos ares, era necessário mudar o cenário. E lá fomos nós…

Um médico muito bem conceituado em Recife, marquei a consulta. Voltei a juntar aquela montanha de exames e fui enfim conhecê-lo. Sempre ao meu lado estava o marido, ele que me convenceu (para não dizer obrigou rsrs) a esta mudança de médico… E enfim chegou a hora de entrar ao consultório, frio na barriga, ansiedade em conhecer o novo e o que me esperaria afinal?

Na primeira consulta conversamos muito expondo o nosso histórico, os exames foram analisados e novamente os mesmos requeridos… Para mim mais uma histerolssalpingografia para variar e para o meu marido mais um espermograma para sua coleção (ele nunca reclamou, fazia parte do “pacote”…), também requisitou outros novos exames, entre eles um novo e bem caro que seria coletado para envio a São Paulo para análise da minha reserva ovariana… A primeira impressão foi muito boa, o médico nos passou muita confiança e seriedade nas suas posições. Não me iludia e não me garantia nada, mas ao mesmo tempo me passava um ar de serenidade e firmeza nas suas colocações, e isso me fez muito bem.

Fomos embora refazer todos exames e providenciar os novos requisitados. Saliento o quanto é importante a reavaliação do casal de tempos e tempos, tudo pode mudar para melhor mas também para pior e algum diagnóstico novo pode surgir, podendo ser determinante para …

Após termos todos os resultados em mãos marquei a volta ao médico para que os analisasse… Antes de entrarmos ele sempre pedia a uma funcionária para que buscasse os exames a serem analisados para só posteriormente pudéssemos entrar, estando ele já com uma visão do panorama apresentado para expor na consulta à paciente.

Chegou a nossa vez e entramos. Mal sabia eu o que estava prestes a escutar… O tal exame para a análise da reserva ovariana havia indicado falência ovariana precoce, em outras palavras eu estaria entrando precocemente na menopausa. Desabei. Chorei. Um silêncio tomou conta do ambiente. Meu marido de cabeça baixa e apertando a minha mão. O médico olhando para o nada, apenas aguardando eu me recompor. Diante da novidade o médico nos explicou então o porquê dos meus ovários não responderem bem a uma dosagem hormonal “cavalar”, devido a baixa reserva ovariana… Resolvemos seguir insistindo com meus poucos míseros óvulos… E daí a pergunta que o forcei me responder: “Dr. Com meus óvulos quantos porcentos o senhor me daria de êxito numa próxima FIV?” e eis que veio a resposta que fiquei escutando por vários dias na minha cabeçinha e que ressoava com dor no coração: 5%. Me acabei de chorar. Um silêncio ainda mais longo naquela sala. Eu quis me ausentar, disse que era melhor voltar outro dia, mas o médico não deixou e disse que só deixaria eu sair quando me visse mais tranquila, e ali somou muitos pontos mais quando nos disse que não se importava se havia espera, que aquela era nossa vez e não nos liberaria sem antes me ver um pouco mais tranquila. Quando enfim consegui me controlar lancei outra pergunta e ai escutei primeiro uma resposta que me chocou e depois uma resposta que mudou a minha postura diante do tratamento que se iniciaria mais adiante…

– Dr., devido a tudo isso, vamos então já marcar quando iniciaremos a fertilização…

-Fertilização? Com você assim? Comigo você não fará nada, por enquanto.

– O que???

– Minha filha, você está muito abalada emocionalmente, foi constatado a sua falência ovariana após todo histórico de endometriose, aderências… As chances são poucas, mas não são inexistentes. Eu não lhe disse que terias zero% de chances, eu lhe disse 5%. Então! Vá embora, se cuide, cuide da sua cabeçinha, tente relaxar e volte para GANHAR! Para se agarrar a esses 5% como sua vitória. Preciso de você entrando vitoriosa e me ajudando em todo processo, e lhe prometo que tudo o que estiver ao meu alcance, o farei para te ajudar!

Chorei! Mais uma vez, sendo que dessa vez de emoção. Tinha diante de mim um excelente médico, mas acima de tudo um médico ético e humano que em vez de “contabilizar” mais uma fertilização, pesou o sofrimento de um casal cansado e sofrido, uma mulher muito abalada emocionalmente, que precisava se cuidar, se animar e se encher de um pouco de esperança para enfrentar talvez sua última batalha naquele caminho.

Jamais esquecerei disso. E lá fomos nós respirar, nos cuidar e nos preparar para retornar – para vencer!

19 fev
O varal

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Ainda não terminei de lhes contar a minha história por completo… E bem sei que tem muita gente curiosa por aí para saber de mais detalhes… Mas em breve prometo soltar mais alguns capítulos determinantes e prévios ao final feliz (aliás pensava eu que era o final, não contava com um milagre mais na frente que também lhes contarei).

Mas vou pular esses capítulos e falar um pouco do turbilhão de emoções que senti novamente ao me deparar com esta foto. A foto do primeiro varal com roupas lavadinhas e estendidas da minha filha Mariana.

Gente! Lá estava eu com um barrigão quase 8 meses, ainda em repouso, quando chega o momento de que estaria na hora de ir começando a lavar as roupinhas da minha bebê, afinal daquele momento em diante teria que estar tudo já pronto para a vinda dela em algumas semanas.

A responsável em lavar suas primeiras roupinhas foi a minha mamãe, a vovó que tanto rezou e sofreu comigo. Sabãozinho de coco comprado e eu sabia que a qualquer momento já haveria algumas roupinhas lavadas, mas não imaginaria o que me esperava.

Numa manhã me despertei e me dirigi à sala. Neste dia minha mãe tinha chegado mais cedo e eu não sabia da sua presença ali. Nesse momento morava de frente para praia e o primeiro que fazia ao me acordar (após fazer o primeiro de vários xixis do dia) era ir admirar a paisagem… Quando olho para varanda me deparo com uma das paisagens mais belas e emocionantes que enxerguei até hoje: o varal repleto de roupinhas miúdas da minha FILHA tão sonhada. A ficha caiu! Ela daqui a pouco estaria comigo! Ela daqui a pouco choraria para mim, me fazendo acreditar que finalmente meu dia havia chegado! E aquela cena do varal me disse muito, me encheu o coração de uma alegria sem fim, foi um recado da minha Nana para mim avisando: falta menos mamãe, obrigada por não haver desistido de mim!!!

E chorei, chorei muito, chorei de gratidão por haver chegado naquele estágio da gestação, chorei por ter lutado ao máximo e por estar conseguindo. E várias e várias cenas me passaram na cabeça e eu não conseguia parar de olhar e babar com o tal varal… Não conseguia parar de imaginar aquelas roupinhas sendo recheadas pelo meu maior sonho, não conseguia parar de agradecer a meu Deus pela minha maior benção que crescia ali no meu ventre e que viria ao mundo para me realizar plenamente.

E as roupinhas balançavam ao vento naquela mesma varanda que por muitas vezes me pegava chorando sozinha, em silêncio, pedindo um filho a Deus… E ali estava eu agora plena e feliz na contagem regressiva, com uma ansiedade boa e de braços abertos para receber a MINHA menina, tão amada e tão desejada, tão sonhada e tão esperada, aquela menina que bem antes de nascer já era amada, a minha Mariana!

15 fev
Menino ou Menina? O que quero é ser mãe!

Interessante ver por aí o “problema” de algumas mulheres devido a preferência pelo sexo do filho… Quando temos dificuldades para engravidar esse tema chega até a nos causar “graça”. Não que a pessoa não possa ter alguma preferência, mas estou falando daquelas que quase que exigem ter um bebê de determinado sexo e isso muitas vezes se transforma em uma certa obsessão.

Muitas coisas na vida é uma questão de como se enxerga determinadas situações… Para uns determinada situação era tudo o que queria, para outros que estão naquela situação desejava outro panorama e assim vai…

Sendo assim geralmente para quem luta para engravidar… Me lembro bem que muita gente me perguntava se eu teria alguma preferência e minha única “preferência”, ou melhor desejo e sonho a se realizar, era ter a oportunidade de ser mãe!

Lógico que muitas vezes por algo em particular você se imagina sendo mãe de menina ou de menino… Mas cada vez mais tenho comprovado que ser mãe é maravilhoso de qualquer forma, de ambos os lados!

Sou mãe de duas princesas e não me vejo não sendo mãe de Mariana e Valentina, eu nasci para elas e elas para mim. De repente me intriga um pouco como seria ser mãe de menino, por viver num mundo totalmente rosa de laços e fivelas, mas lhes garanto que em nenhum momento meu coração chega a se entristecer por isso.

Então… o que desejar? Ser mãe! E se puder pedir mais: que venha com saúde, e se não vir… que venha igual, porque amor não lhe faltará jamais!!!

04 fev
Gêmeas: Resultado de um Tratamento Inédito

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Mais uma história que nos enche o coração de esperança! A ciência tem evoluído demais e possibilitado a muitas mulheres que supostamente nunca poderiam ser mães realizarem seu sonho! Li esta reportagem na Página da Rede TV e divido com vocês!
Uma mulher que nasceu sem órgãos reprodutivos conseguiu dar à luz duas meninas gêmeas depois de um tratamento inédito.
Hayley Haynes, de 28 anos, descobriu sobre sua condição aos 19 anos. Na época, ela procurou ajuda médica devido ao fato de nunca ter menstruado.
Ainda jovem, Haylnes descobriu que tinha nascido com cromossomos XY, o que a faz ser geneticamente do sexo masculino. “Senti como se fosse a metade de uma mulher, e estava envergonhada”, declarou.
Exames feitos em 2007 revelaram que ela tinha um útero muito pequeno, com milímetros de tamanho. A descoberta alimentou esperanças e os médicos iniciaram um tratamento com hormônios para ampliar o órgão.
Geralmente, na natureza hormonal da mulher, o estrogênio ajuda no desenvolvimento do útero. Haynes nasceu com a falta do hormônio, e necessitava de doses extras que eram aplicadas manualmente por médicos.
Após anos, ela iniciou uma fertilização in vitro em uma clínica privada no Chipre, já que o sistema público de saúde do Reino Unido se recusou a financiá-la. O tratamento custou cerca de R$ 25 mil.
Ao todo, 13 ovos foram colhidos, mas apenas dois se tornaram viáveis no procedimento. Ambos foram fertilizados, e Haynes deu à luz duas meninas, Darcey e Avery.
02 fev
Dizer ou não dizer aos filhos?

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Estou no corredor indo para sala e só escuto uma voz vindo do quarto de tv: “eu tive que fazer tratamento e engravidei, e você?” Parei na hora! E fiquei escondida escutando a conversa das minhas duas pequenas brincando de boneca. Tive que me conter para não rir devido a novidade de vê-las tão pequenas (6 e 7 anos) levando este tema para suas brincadeiras rsrsrs. O tema infertilidade sempre foi passado para elas como lindas histórias de superação e muito amor. Mariana, a mais velha, bem sabe que passei 6 anos esperando por ela, sabe que tinha um dodói na barriga e que lutei muito para tê-la, e ela baba com minhas histórias, “se acha” e se sente super querida sabendo que foi muito desejada por nós! Valentina já tem um discurso pronto e as vezes do nada puxa assunto (fala pelos cotovelos) com alguém que mal conhece dizendo que ela é um milagre! Kkkkk Uma fofa! Pois é, esta sempre foi minha postura aberta e franca com elas sobre suas histórias mesmo antes de existirem e estou segura que elas entenderam bem a mensagem e tem isso bem resolvido. Tem pessoas que preferem omitir dos filhotes, eu sempre fui super aberta sobre este tema e numa boa conversamos e falamos do quanto mamãe esperou e lutou por elas, e elas amam!