24 set
“Bem vinda” ao mundo das FIVS
Após ter convencido o marido a deixar a resistência de lado partimos para encarar a primeira fertilização in vitro. Não foi fácil para ele a princípio, mas se esta era a indicação ele abraçou a opção, por mim, por nós, por nosso sonho. Fomos bem esperançosos, afinal partiríamos para o tratamento de reprodução assistida que oferece melhores chances de gravidez para o casal. Sentimos que de repente estava mais perto a possibilidade do tão esperado positivo.
Fomos ao médico e nos explicou todos os passos a seguir. Os custos são muito mais altos que de uma inseminação começando pelo valor cobrado pelo especialista em reprodução, tendo em vista o tratamento em si ser bem mais complexo, incluindo também os valores das medicações previstas inicialmente e as que podem ser acrescentadas no decorrer do processo (como foi no meu caso). Infelizmente é muito caro e muitas pessoas não tem condições de arcar um tratamento assim, triste realidade mas que graças a Deus começam a aparecer alguns projetos de auxílio para casais de baixa renda recorrerem. Nós tínhamos em mente que isto seria uma prioridade em nossa vida, então valeria o que estivesse ao nosso alcance, sem medir esforços. A gravidez tão sonhada valeria cada centavo investido, e como valeria!
Ultrassonografia inicial, compra de medicamentos, e foi dada a largada da nossa primeira FIV! Aparentemente tudo certo para começarmos a evoluir. A ansiedade era o sentimento da vez, não tinha como controlar, mas a esperança caminhava junto e abrandava o nervosismo. Estávamos na luta e achávamos que dessa vez poderia enfim ser a vencida.
Quando você é iniciante neste “mundo das FIVS” você não se dá conta de certos detalhes no processo… O médico ia me orientando constantemente a aumentar as dosagens hormonais, a agregar outro medicamento, mas eu pensava que fazia parte do processo, mas não… Ele estava apostando ao máximo na reposta dos meus ovários…
As ultrassonografias são muito importantes para o médico analisar a evolução do processo e assim constatar a resposta dos ovários quanto a estimulação.
Os dias foram passando e lá fui eu fazer mais uma ultrassonografia. Desta vez fui sozinha, me lembro bem, o dia estava lindo e ensolarado. O médico que fez a ultra não estava para muito papo. Esperei na sala de espera o resultado, afinal o meu médico havia pedido que fizesse a ultra e em seguida ligasse para ele para ler o laudo. E assim foi feito. Ao terminar a leitura do lado, um silêncio…
-Taciana querida, teremos que esperar outro ciclo.
-O que? Não estou entendendo doutor. (Gente eu não queria entender!) Como assim?
-Infelizmente seus ovários não responderam bem a estimulação e não há NENHUM folículo viável para aspiração. Temos que repensar outro esquema e tentarmos de outra maneira. Apareça lá no consultório para conversarmos depois.
Acho que foram minutos sem me mexer. Celular numa mão, ultra na outra, olhar perdido e coração TRISTE. De repente tudo acabou! Mas nem tinha começado para valer! Cadê a tal transferência dos óvulos? Cadê a espera pelo resultado do beta?
Alguém poderia me explicar? Jamais esquecerei aquela sensação, definitivamente sem rumo e sem direção. Em choque.
Nesse caminho de tratamentos você se surpreende com você própria. Eu não imaginava que dentro de mim haveria tanta força e determinação. Com certeza precisei de um tempinho para “digerir”, mas incrível como a vontade de ser mãe só aumentou. Desistir foi uma palavra que passou a ser eliminada da minha vida e realizar o sonho da maternidade era uma meta a ser cumprida.
E após mais este momento difícil surgiu uma mulher mais forte e determinada. Mais que nunca quis continuar! NADA me deteria porque tinha uma certeza de que TUDO valeria a pena!
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