02 ago
Bendita Progesterona!
progesterona
No último post sobre minha história terminei lhes contando sobre a emoção do tão sonhado resultado do beta positivo. Neste mesmo dia voltei para casa da minha mãe e não paravam os parabéns de todos os lados! A sensação era que estava sonhando, sensação esta que me acompanhou por diversos momentos até a hora do parto, acreditem! Havia chegado a minha hora após tanta luta e a ficha demorou a cair…
Sentia umas leves cólicas naquele dia, me chamou atenção e não lhes nego que desde então já estava um pouco apreensiva, mas pelo que tanto já havia pesquisado muitas mulheres sentem cólicas no início da gestação… No final da tarde recebo uma ligação do meu médico. Na hora do resultado do beta hcg eu já havia ligado para lhe avisar e ele ficou muito feliz, e me comentou que ainda faltaria sair o resultado da progesterona, que ele além do beta hcg já requisita para avaliar como anda o nível de progesterona que é de extrema importância para evolução da gestação. Pois bem! Atendo o telefone eufórica e de repente o escuto do outro lado da linha:
-Tudo bem? Como você está se sentindo?
-Muito feliz doutor!
-Além disso, algum sintoma? Está sentindo cólicas?
-Sim, estou sentindo umas colicazinhas mais fortes…
-Deite e fique de repouso. Sua progesterona deu bem baixa… Enviarei um enfermeiro para já começar aplicação de progesterona injetável. Vamos nos falando.
-Ok…
Naquele momento a euforia foi pausada pelo medo, não tive como controlar o receio de que não evoluísse a gestação. Fui direto para cama e fiquei ali imóvel. Já era final de tarde e mamãe já tinha chamado meus irmãos para ir para sua casa para festejarmos. Chegou o enfermeiro e me aplicou a progesterona injetável. Já vinha utilizando cápsulas de progesterona, mas o nível da minha progesterona estava tão baixo que necessitava esse suporte das injetáveis a mais.
Naquele mesmo dia do beta recebi os primeiros presentes para o bebê. A vitória não era só minha, a vitória era de muita gente amada que vinha torcendo há anos por nós. Primeiro chegou o maridão com umas flores lindas e um cartão mais lindo ainda… Nos abraçamos por minutos sem fim, não falávamos nada, as lágrimas escorriam pelos nossos rostos, mas dessa vez acompanhadas por sorrisos. Fomos dois bravos guerreiros e mais do que ninguém ele sabia o quanto sofremos e lutamos até aquele dia. E mesmo assim, com essa novidade da progesterona baixa, sentia que a luta ainda não havia acabado, mas também acreditava no fundo que daria certo. Meus irmãos chegaram, cada um com um presentinho, roupinhas, uma pelúcia, todos vibrando!
Segui sendo extremamente obediente e a pizza comi na cama, nem me levantei para compartilhar com eles na sala. Em primeiro lugar estava o repouso e todo cuidado que pudesse ter com o meu bem mais precioso que carregava ali no meu ventre.
A minha progesterona era rebelde, durante os dias seguidos continuei tomando diariamente a progesterona injetável e cheguei a repetir o exame e continuava baixa para uma gestante. O repouso era essencial, entrei com licença médica no trabalho e a determinação era de uso de progesterona injetável diariamente até o final do primeiro semestre de gestação, e assim foi feito.
Se dóia? Dóia sim, a agulha era enorme e grossa, a injeção era tipo oleosa, mas nada chegava aos pés do meu amor por aquele estado, estar grávida era tudo o que mais queria na vida, gestar meu filho estava além de dor, estava acima de qualquer coisa e por ele faria tudo o que me dissessem que seria para o seu bem, desde já. Durante todas as aplicações eu agradecia cada picadinha, picadinha esta que estaria me ajudando a alcançar meu grande sonho.
Um dia fui ao banheiro e tive um pequeno sangramento, me lembro que fiquei sentada observando aquele pouco de sangue e meu mundo parou. Senti literalmente meu coração doer, tive medo, muito medo. Deitei e liguei para o médico e a ordem era repouso absoluto e ultrassonografia no dia seguinte para observar… Acredito que foi um dos dias mais longos da minha vida. Não havia o que fazer, estava tomando dosagem máxima de progesterona, agora me restava apenas esperar.
Fui à clínica no outro dia logo cedo para fazer a ultra. Dirigir já não fazia parte da minha vida que girava em torno daquela gestação, e o menor esforço não era sequer cogitado pela minha pessoa. Entramos para ultra, vimos a imagem e lá estava o nosso bebê bem, graças a Deus!
Durante todo primeiro trimestre o repouso foi absoluto, a progesterona era rebelde e insistia em não subir ao nível ideal. Era viver um dia de cada vez, com muita fé e esperança dentro de mim. Eu havia conseguido e não queria nem pensar na hipótese de perder, eu já havia vencido e ponto final.

 

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