21 set
Cada um no seu quadrado

cada um no seu quadrado

Um dos temas que mais me intriga nesta caminhada da infertilidade são os pré julgamentos, indiscrição e insensibilidade de algumas pessoas que não estão diretamente envolvidas na situação e que abordam e criticam – muitas vezes sem saber da real situação- as pessoas que estão na busca por um filho.

O casal quando namora já há algum tempo é questionado sobre quando será o casamento. Quando se casa, se passa um tempinho, já “exigem” (sim muitos EXIGEM) quando virá o primeiro filho, quando se consegue o primeiro e quando virá o segundo… E por aí vai… Quando se passa o tempo e o primeiro filho que não vem tudo se potencializa, por diversas vezes de um lado estão os curiosos, insensíveis ou mal educados de plantão e do outro uma pessoa/casal frágil, sensível e muitas vezes dolorida quando se toca no tema.

Eu sempre fui muito aberta e assumida quando se referia ao tema, mas entendo perfeitamente as pessoas que não conseguem e preferem não se expor. Eu preferia “encarar” da melhor maneira do que me esquivar, bem sabendo que dia menos dia mais aquela mesma pessoa me perguntaria novamente e esperaria uma resposta que lhe convecesse. Cada um vive da sua forma este momento. Não é legal e gostoso sair por aí falando e assumindo suas dificuldades em engravidar, não é um tema simples e confortável lógico! Mas venho lhes dar umas dicas para cortar certas situações indelicadas.

Algumas respostas para sair de perguntas tipo:

E para quando vem o bebê?

Prontamente tinha duas respostas a escolher:

-Para quando Deus quiser. E daí muitas vezes uma pergunta seguida a esta resposta com olhos mais abertos e surpresos: -Mas vocês já liberaram??? E para término: – SIM. PONTO. Sorriso no rosto e… tipo assim… – O dia está lindo não? Ooooutro tema!

Ou dependendo do humor respondia assim: -Já estamos escrevendo para a cegonha e ela não está achando nosso endereço… Seguido de um sorrisinho amarelo e desarmando o questionador…

Gente, não devemos nada da nossa vida pessoal a ninguém entendido? Sei que muita gente pergunta sem maldade, por curiosidade mesmo, mas na dúvida respondendo dessa maneira ficará mais fácil você se “livrar” de perguntas seguidas e maior pressão do que a velha enrolada do “ainda não estamos querendo”, essa desculpa decididamente a galera em algum momento não aceitará rsrsrs.

Lembro bem de uma reunião familiar quando após já alguns anos de tentativas uma pessoa querida se aproxima após umas cervejinhas e do nada lança o comentário com tudo: “- teu marido está fraco! cadê você engravidar hein? Está demorando!”. Gente já estava catedrática em relação a lidar com outros comentários mas este me chateou muito! Primeiro porque acusou meu marido em ser o “culpado” da situação (e eu bem sabia que ele “coitado” era apenas um companheirão de uma mulher “especial” com “defeitos de fabricação” – endometriose e cia) e depois nos exigia melhor empenho nas nossas “tarefas matrimoniais” para agilizar o processo… Nós mais que ninguém queríamos JÁ estarmos grávidos! Sabe qual foi minha resposta direta e que chega deu pena da pessoa?

– Sabia que queremos muito a gravidez? Sabia que o problema do casal “sou eu”? Sabia que este é um tema que nos dói muito? Acabei o dia do cidadão. A cervejinha foi suspensa e desde então nos respeitou e passou a ser discretamente um dos maiores torcedores!

Sim! As vezes temos que deixar claro o que nos passa a determinadas pessoas. Não porque devemos algo a elas e sim para fazê-las ter noção que por querer ou muitas vezes sem querer mesmo nos ferem, e já basta tudo o que temos que passar e ainda ter que suportar e saber lidar com comentários que não nos fazem bem!

Não estou aqui fomentando a discórdia e “armamento” de respostas duras e diretas a todos que se aproximam para nos questionar sobre, até porque muitos, acho que até a maioria, pergunta mais por torcer por a gente, por querer ver a família crescer e tal. Estou aqui alertando quanto aquelas pessoas que estão de graça, de plantão para nos colocar mais para baixo e não devemos deixar jamais! Basta os hormônios, mal humor, prognósticos desanimadores e etc para já fazerem este papel.

E no meio de um tratamento então? Só coisas e pessoas boas e positivas ao redor, fujam do que for ao contrário!

E como diz o título: Cada um no seu quadrado!

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