08 nov
Cartinhas para a Cegonha

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Hoje lhes trago um post carregado de emoção, escrito pela Amora, autora que escreve divinamente Cartinhas para a Cegonha através do seu Instagram @cartinhasparaacegonha que assim se chama, e que há pouco lançou um livro lindo também com o mesmo título, nos brindando suas ricas palavras escritas puramente com o coração e seu desejo latente de ser mãe. Hoje ela carrega no ventre o seu sonho que já é realidade e lhe chuta dia após dia avisando que já já estará chegando nessas mais de 38 semanas de conexão com esta mãe linda, de coração gigante que o carrega, e com quem eu tive o prazer de conhecer virtualmente e bater uns papinhos breves com gostinho de quero mais, e quem sabe algum dia lá no Rio ou aqui no Recife, eu com minhas princesas, ela com seu príncipe, como já falamos? Bem vindo Noé!!! Sei que aí dentro está gostoso, mas aqui fora te espera o melhor dos colos e uma mulher que vai te amar como ninguém, e está super ansiosa para te conhecer!
Com vocês umas palavras escritas pela Amora especialmente para mim, através do Maternidade Sonhada, o que foi uma honra e emoção grande, nos contando um pouco da sua trajetória até a Cegonha enfim acertar o seu endereço…

“Acho que o nome do seu Instagram me define: Maternidade Sonhada! Não sei dizer exatamente o dia em que esse grande desejo de ser mãe, se manifestou na minha vida. A impressão que tenho é de que nasceu comigo. Que algumas vezes despertava e, por algum motivo eu o fazia adormecer. Mas o sonho venceu ou ia vencendo um pouquinho a cada dia. Pulsava dentro de mim e eu desejava, a cada dia mais, o que para muitas mulheres pode ser bem simples: ser mãe! Eu pensava que a partir da decisão, era parar com o anticoncepcional, enviar uma cartinha para a cegonha, manifestando o interesse e pronto! Dentro de alguns meses estaria com o bebê no colo ou, ao menos, na barriga, despendendo da demanda na fábrica de bebês. Um ano se passou e nada. Dois anos se passaram e nenhum sinal. Todos os meses, novas tentativas, velhos ou novos exames, médicos, consultas, esperanças e frustrações.
Não entendia mais nada. Inúmeras vezes eu e meu marido nos programamos em função de uma tão sonhada gravidez. Inúmeras vezes adiamos ou estendemos projetos, viagens, programas. Sempre tinha aquele dúvida: e se eu estiver grávida? Procurava a cegonha por todos os cantos, tentei elaborar diversas estratégias de comunicação mas a impressão que eu tinha é que ela nem sabia da minha existência ou até, na pior das hipóteses, sem saber, eu tinha feito algo que a tinha magoado profundamente. E, nessa brincadeira nada divertida de caça á cegonha, mais um ano se passava. Durante esse período, me consultei com alguns médicos diferentes que mandavam repetir os mesmos exames e que me faziam ouvir sempre a mesma resposta: nada consta! Meu marido também a essa altura já tinha feito e refeito os exames e o laudo era o mesmo: nada consta! Ninguém em praticamente três anos conseguia nos explicar o motivo do descaso da cegonha conosco.
Decidimos então, procurar ajuda de um especialista para tentar detectar algum empecilho que, até então, nenhum ginecologista tinha identificado. Minha cabeça já estava a mil, pensando em milhares de coisas e o coraçãozinho acelerado, sem saber para onde, aquilo tudo me levaria.
Foi neste momento, imaginando que a primeira coisa que o especialista iria me recomendar, seria uma fertilização, que decidi escrever sobre todo esse processo. Criei um Instagram para tentar um novo canal de comunicação com a cegonha, para contar sobre o que viveria e sobretudo, como uma forma de extrapolar essa enxurrada de emoções. Hoje, acho que foi uma das melhores coisas que fiz. Através destas cartinhas, conseguia a cada dia, ultrapassar um pouco das minhas dores. Pode parecer infantil para algumas pessoas mas era um respiro para mim. Sim, um universo paralelo, mas tão real, que fazia com que eu me sentisse cada dia mais viva. Como uma terapia, uma maneira de desopilar. E até mesmo uma forma de dar a mim mesma algum tipo de esperança. Quando minhas tentativas não davam certo, imediatamente minha imaginação criava alguma coisa na fábrica da cegonha. Imaginava uma carta perdida, um bebezinho esquecido, ou até mesmo uma grande produção que, em algum momento, traria o meu bebê. Sempre fui apaixonada pelas palavras e através delas, me manifesto. Me recrio, coloco para fora minhas sensações e desejos mais íntimos. Já fui questionada e criticada por acreditar que a cegonha traria meu bebê. Talvez estas pessoas não entendam que tudo é permitido neste universo, sobretudo o que nos faz bem. O que nos tira um pouco desta realidade sensata e dura. O que nos permite imaginar, criar, sonhar e acreditar.
Conheci pessoas incríveis que serviram de inspiração durante esse processo. Pessoas que enfrentaram todos os tipos de obstáculos para ter seu filho, do ventre ou do coração. Na linguagem do amor, na qual o sonho é a maternidade isso não se difere. Pessoas que sem, muitas vezes sem saber, me puxavam para frente e não deixavam que um obstáculo me estagnasse.
Através destas relações, de depoimentos que li e, devido ao carinho do meu médico, descobri uma das causas que impediam a chegada da cegonha por aqui: a endometriose. Por mais que nenhum exame anterior tivesse apontado algum sinal da doença, meu médico, insistiu para que eu fizesse a cirurgia, antes de um processo de Fertilização e, para nosso surpresa, depois de anos, tínhamos encontrado um obstáculo palpável chamado endometriose. Se, por um lado, descobrir que eu era portadora da doença, me assustava, por outro, uma certeza me animava: eu tinha encontrado um médico, um especialista maravilhoso e com um coração de ouro que me levaria de alguma forma até a cegonha.
Foi então que, seis meses após a cirurgia e ainda sem nenhum retorno da tal cegonha, meu médico sugeriu que partíssemos para a fertilização. O que para mim, há tempos atrás, era algo tão distante, estava a minha frente. Fomos com tudo! Cada novo exame uma esperança, cada picadinha, um passo mais perto. É uma montanha russa de emoções. Eu só queria acreditar! Agradecia cada dor porque representavam essa oportunidade e mais uma grande chance para a realização do mais lindo sonho. Foi então, que, sim, depois de quatro anos de espera, na minha primeira Fertilização, eu encontrei com a Cegonha!
Jamais conseguirei descrever com detalhes esse momento. Só lembro de chorar, abraçada com o meu marido e de agradecer. De gargalhar e chorar. De fechar e abrir os olhos. De deitar na grama e olhar para o céu de ter a certeza que lá estava ela. A cegonha! E na trouxinha, o mais lindo de todos os bebezinhos que, a partir daquele momento, já estava na minha barriga. Sim, dentro de mim batiam dois corações.
38 semanas se passaram e parece que ainda estou sonhando. Acho que vivi as semanas mais lindas e felizes da minha vida. Acordar cada dia, olhar para a barriga, sentir os movimentos, saber que são de verdade, até hoje me emociona. Perceber as transformações do corpo, das perspectivas de vida, das prioridades. A magia de cada novo momento, de cada nova semana e agora, da proximidade olhar nos olhos do meu tão esperado novo amor.
Conheci diversas histórias, participei de momentos difíceis e de muitas alegrias. Conheci mulheres que não mediram esforços para superar cada dia a desgastante rotina de uti quando seus bebês nasceram pré matutos. Conheci mulheres que não mediram esforços para encontrar seus bebezinhos que alguma funcionária da cegonha entregou no lugar errado. Que enfrentaram as mais diversas burocracias para adotar seus bebezinhos. Conheci mulheres que não mediram esforços em busca de tratamentos. Cada uma com seu caminho, cada uma com sua história. Mães, mães, mães, todas movidas pelo amor e pela Maternidade Sonhada.”

Que Deus os abençoe neste encontro mágico e sonhado que se aproxima!

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Um comentário

  1. Nossa que lindo!!!! Acompanho dia-a-dia está linda história que parece a minha e de tantas outras..,, e que fala por tds nós!!! Emocionada..,

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