12 dez
Catarina, a bebê sonhada!

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A Priscila era segura de que não queria ser mãe, JAMAIS! Até um dia em que a maternidade foi batendo à porta do seu coração de uma forma hilária… através de sonhos! Sonhos estes que foram levando esta mulher tão decidida a repensar e um tal dia se entregar por completo a este chamado… Uma história LINDA, emocionante, impressionante! História esta que foi me intrigando saber mais e mais detalhes, quando afinal a convidei para vir nos contar! Uma lição sobre sonhos, literalmente falando, mas também uma lição sobre nunca dizermos nunca… Com vocês a historia da Pri, MÃE da Catarina, que em breve estará por aqui dando o ar da graça!

Resumir a minha história não é tarefa simples, pois a carga emocional é grande, mas tentarei.
Em primeiro lugar, se eu disser que sonhava com a maternidade estarei mentindo. Até 2014 eu tinha certeza que não queria ser mãe e tive a cautela de me casar com um homem que tinha essa afinidade comigo (não queria ser pai). Tamanha a minha “certeza” que cheguei a pedir algumas vezes ao meu ginecologista que fizesse a histerectomia em mim (ele sempre se recusou) e briguei com o marido quando ele desistiu de fazer vasectomia… Era aquele tipo de certeza ingênua que nos leva a garantir que nunca mudaremos de opinião. Até que um belo dia acordamos com outra opinião sobre o assunto… Em fevereiro de 2015 comecei a sonhar com um bebê recém nascido praticamente 3 vezes por semana. Em março/15 o bebê “se apresentou” a mim. Chamava-se Catarina e era uma menina.
Poucos dias depois tive trombose venosa profunda extensa na veia femoral da perna esquerda e embolia pulmonar causada pelos hormônios do anticoncepcional, me obrigando a parar de tomar o contraceptivo. Então, adotamos a tabelinha como único controle de fertilidade. E os sonhos com a Catarina persistiram. Num dos mais marcantes, eu dava a luz a ela e, com ela em meus braços, mas ainda ligada ao cordão umbilical eu dizia: “Muito prazer, eu sou a sua mãe e já te conheço dos meus sonhos”.
Foram inúmeros sonhos com a Catarina direta ou indiretamente. Em alguns destes sonhos, homens que mais pareciam anjos da guarda chegaram a falar comigo para me convencer a deixar a Catarina vir… Resultado: Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Quando me dei por mim já estava amando uma menininha que só conhecia em meus sonhos. Foi um período intenso de amadurecimento e aceitação de que quem tem opinião, muda.
Cheguei a sentir vergonha de assumir que havia mudado de ideia. Superada essa fase, veio a mais difícil: contar ao marido que mudei de ideia e ver se ele ficaria ao meu lado nessa empreitada. Foi nesse momento que criei o instagram @gravidadecoracao e foi a melhor terapia que eu poderia ter feito. Ali passei a compartilhar minha história, minha ansiedade com toda essa situação e fiz amizades que carrego em meu coração.
Como eu seguia em tratamento de saúde em virtude da trombose e proibida de tentar engravidar, o marido e eu decidimos que o mais sensato era eu concluir o tratamento e depois voltaríamos a conversar a respeito, com ele assinalando que estaria ao meu lado para concretizar esse sonho tão recente em meu coração, mas tão forte. A única condição que ele impôs foi que a gente fizesse uma reserva financeira para esse fim.
Em outubro/15 tive a alta médica, já poderíamos tentar, mas o marido pediu para aguardarmos até o começo de 2016 para conversarmos, pois ele ainda estava amadurecendo a ideia. Na noite do dia 01/01/2016 tivemos a nossa conversa: ele me disse não estar pronto para a paternidade, pela responsabilidade em si e também pelo fator financeiro. Ali, naquele dia primeiro de janeiro ele me liberou dos votos do casamento caso eu insistisse na gravidez (jeito delicado dele para falar em divórcio).
Com o coração dilacerado, fiz uma análise sobre nossa relação, meus sentimentos por ele e as finanças. Desistir da Catarina não passou pela minha cabeça, mas objetivamente, se eu fosse partir para uma produção independente (que era meu plano B) precisaria de um respaldo financeiro que não dispunha naquele momento. Logo, me divorciar o amando e sem condições financeiras para concretizar meu sonho não fazia sentido para mim. Postergamos a nossa decisão para quando atingíssemos a estabilidade que ele julgava segura, para então vermos se, com essa segurança material, ele daria esse passo ao meu lado.
Nesse meio tempo, como não usávamos nenhum método contraceptivo, todo mês achava que podia estar grávida. Nesse trajeto recebi alguns negativos, mas os planos de Deus estão sempre acima dos nossos e, durante essa minha espera pelas condições mais favoráveis na opinião do marido, engravidei em maio/16, no mês que me parecia o menos provável.
Tive meu positivo em 08/06/16 e assim que vi a segunda listra ali naquele teste, forte e inquestionável, a felicidade me transbordou. Comecei a chorar e me ajoelhei no chão do banheiro em gratidão a Deus. Meu bebê havia escolhido a hora dele!!! Em seguida veio o medo: como meu marido reagiria? Cheguei a cogitar só contar a ele após o beta por receio de como ele reagiria à notícia, porém não consegui. Assim que o vi revelei que estava grávida e a reação foi ótima. Ele me abraçou, disse ter ficado feliz e que a felicidade que estava sentindo era uma surpresa, inclusive para ele.
Com 16 semanas de gestação, na véspera do ultrassom para tentar descobrir o sexo sonhei mais uma vez. Desta vez, uma conhecida me recitava um poema, do qual apenas lembro o final: “A Priscila pediu e um jardim com Catarina Deus enviou”. Imaginem meu choque quando o médico confirmou ser uma menina. Eu estou gerando a Catarina! Seria possível que eu já sonhasse com a minha filha meses antes de engravidar? Fiquei atônita alguns dias e muito feliz, claro. A Catarina encontrou seu caminho até mim!
Hoje estou com 29 semanas e a gestação (embora seja de risco por conta da trombofilia e requeira aplicações injetáveis diárias de anticoagulante) está indo bem.
Tudo o que passei me trouxe algumas lições: a) Nunca dizer nunca. Só muda de opinião, quem tem e b) Deus cuida de tudo. As coisas acontecem sempre no tempo e do jeito d’Ele.
Em tudo há uma lição, principalmente nas dificuldades e acredito que Deus não nos dá um sonho que não seja possível concretizar, por isso digo a todas que estão na luta, em tentativas naturais, tratamentos ou na fila de adoção: vai valer a pena e um dia todo o sofrimento sequer será lembrado. Deus não falha nunca!

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