23 nov
Microcefalia: Questionamentos e MINHA opinião

microcefalia

O Brasil vive uma emergência nacional em saúde. Centenas de crianças no Nordeste nasceram nos últimos meses com cérebros menores do que o normal. É a chamada microcefalia.

Por morar em Recife, e Pernambuco ser o estado da grande maioria desses casos, venho recebendo emails de algumas seguidoras me questionando várias coisas, me pedindo conselhos e dividindo também suas angústias. Prevendo que algumas gostariam de entrar em contato comigo e não o fazem, resolvi então repassar para todas alguns posicionamentos meus sobre esta situação preocupante e atual.

Você evitaria, caso ainda estivesse tentando engravidar?

Evitar engravidar para quem está há algum tempo sonhando com isso é MUITO difícil. O prudente conselho do Ministério da Saúde é que todas mulheres evitem a gravidez neste momento.

O que eu acho que faria… Eu daria uma pausa nos tratamentos de reprodução assistida, trataria de encarar isso como umas “férias” para mim e para meu esposo em relação a este tema. Muitos casais necessitam dessa pausa para respirar, se recompor de toda essa ansiedade e, em alguns casos, de algumas frustrações também, e seria então uma boa “desculpa” para esse descanso. Se eu evitaria de outra forma? Acredito que não, estou sendo sincera, de repente não estou sendo responsável como deveria, mas não seria capaz de por exemplo tomar anticoncepcional ou fazer meu marido usar preservativo para evitar uma possível -e remota – gravidez.

Caso engravidasse neste momento como encararia?

Com muita felicidade! Afinal era o que mais sonhava na vida! Sei que não seria o momento mais “apropriado”, mas se foi o que Deus permitiu encararia da melhor forma! Desde o primeiro minuto com muita precaução, seguindo a risca os conselhos do meu obstetra. Os casos de contaminação por zika vírus registrados no primeiro semestre são a “principal hipótese” para explicar o aumento da ocorrência de microcefalia na região Nordeste, e devido a isso a recomendação é se prevenir ao máximo das picadas de mosquitos. Como me conheço, não entraria em pânico, mas exageraria nos cuidados, utilizando sempre o repelente indicado, vestindo roupas que cobrissem a maioria da pele do corpo, e evitando lugares mais propícios da presença de mosquitos.

E se ainda estando grávida e descobrisse que seu bebê nasceria com microcefalia?

Não deve ser nada fácil! Qual mãe deseja ter um filho com deficiências? Ninguém, não é mesmo? Após “digerir” a notícia o seguiria desejando e amando, afinal seria MEU filho e esta seria uma prova de aprendizado e muito amor, para vida toda. Uma seguidora me perguntou se fosse ainda possível, ao confirmar, se eu abortaria, e eu lhes respondo com toda certeza do mundo: JAMAIS!

Esses foram os resumos das perguntas mais questionadas e respondidas sobre este surto de microcefalia.

Por outro lado, quanto a decisão de adiar algum tratamento de reprodução assistida (que assim eu o faria) já estou sabendo que duas renomadas clínicas do Recife que já estão procedendo com a indicação para as pacientes adiarem transferências embrionárias para o próximo ano, aguardando assim um posicionamento mais contundente do Ministério da Saúde, postura admirável e de extrema seriedade e responsabilidade.

Torcemos que em breve a situação já esteja controlada! Amém?

E termino este post trazendo para vocês um texto belíssimo de uma mãe de uma criança portadora de Microcefalia, texto este escrito com muito amor, e que nos faz repensar algumas posturas frente a esta enfermidade que tem assustado tantas mulheres… Com vocês o texto que Ana Galvão Janiszewski publicou na sua página de facebook na semana passada, para todos que queiram ler ter acesso a palavras tranquilizadoras, lindas e admiráveis em especial às mães, grávidas ou já com seus bebês diagnosticados. Definitivamente o amor tudo suporta, tudo vence!

“Diante desse “surto” de Microcefalia, eu, como mãe de uma criança com a “doença” gostaria de me pronunciar sobre isso. Não sobre a causa mas sobre as consequências.
Minha vontade é pegar na mão de cada mãe que está grávida ou que já está com seu filhinho nos braços que possui microcefalia olhar nos seus olhos e dizer: “Olha, o Pai Celestial te deu a oportunidade de saber o verdadeiro sentido do amor incondicional, amor puro.
Não se desespere, não há motivos para tristeza, angústia e questionamentos. Ame seu filho.
Pare de procurar culpados e motivos. Não perca seu tempo buscando a cura física, aceite pois ele é espiritualmente perfeito!..Apenas ame seu filho.
Fisioterapia, fono, Terapia ocupacional, neuro, são necessárias e vai fazer parte de seu dia-a-dia, mas “sem neuras” por favor.
Viva cada momento, aprecie cada conquista: ame seu filho.
Encare como uma característica particular, peculiar, um “jeitinho” especial de ser. Ame seu filho.
Sim, é provável que ele não ande, não fale, não frequente a escola e não seja convidado para as festinhas infantis… E daí? Você vai bastar no mundinho dele.
Você vai amar tanto essa criaturinha que sequer vai dizer que te ama… não com palavras… Na verdade você vai sentir esse amor em cada olhar, em cada sorriso. E aí você vai descobrir que o anjo que mora na sua casa você o chama de filho.”

Eu sou tão feliz pelos filhos que tenho, cada um especial… a sua maneira.”

 

27 out
Apoio às Portadoras de Endometriose

endometriose

Lí um texto no site MulherEndo (Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose), sobre a importância da família para a paciente com Endometriose, e achei de relevada importância para compartilhar com vocês:
http://mulherendo.pt/a-importancia-da-familia-para-a-pacie…/

Eu senti na pele o que é ser portadora de endometriose e bem sei o quanto não é fácil. Apesar da minha endometriose ter sido considerada severa (Grau 3) e meu caso ser atípico devido a não sentir dores agudas, o sintoma principal que sentia foi a infertilidade que me machucou MUITO emocionalmente, durante 6 longos anos de tentativas, entre tratamentos e cirurgias.
Acompanho casos e mais casos de mulheres que tem uma péssima qualidade de vida devido aos sintomas da endometriose, destacando as dores intensas que sentem constantemente e que lhes impede de viver uma vida digna e tranquila, afetando seu lado profissional, estudantil, afetivo, entre outros aspectos no seu dia a dia. E a família nesta situação pode fazer toda a diferença, dando o suporte emocional de estar ao lado, a entendendo e a fazendo sentir acompanhada nos momentos que mais necessita.
Eu tive a sorte grande de contar com um marido presente que me fazia sentir apoiada a todo momento, uma mãe super carinhosa e uma irmã anjo no meu caminho que fizeram minha caminhada mais fácil, mas bem sei que nem todo mundo conta com esse apoio e aqui venho ser solidária a dor de todas vocês, portadoras dessa doença que se espalha cada dia mais pelo mundo, devendo haver maior conscientização e respeito de todos.
Quanto a mim e a endometriose, após duas gestações praticamente seguidas, onde consequentemente tive duas pausas interessantes para controle da endometriose de 9 meses sem menstruar, fui orientada a colocar logo em seguida ao segundo parto o diu mirena, me adaptei super bem ao mesmo, não menstruo há 7 anos e a endometriose não dá sinal na minha vida, graças a Deus!
‪#‎euvenciaendometriose‬ ‪#‎vocêvencerá‬ ‪#‎MaternidadeSonhadaemapoioàsportadorasdeEndometriose‬

“A todos os que acompanham e vivem de perto com uma mulher que tem Endometriose: Quando não souberem o que dizer, não digam nada. Permaneçam em silêncio, mas permaneçam. Leiam, pesquisem, informem-se, procurem sempre saber mais e ter informação de qualidade ao vosso alcance, porque isso vai permitir-vos perceber a dimensão desta doença, e só assim vos será possível compreender. Quando não souberem o que fazer, não façam nada. Mas fiquem, estendam a mão, ofereçam o colo, e abracem. Abracem muito!”

15 jul
(RE)apaixone-se!

reapaixonese

Que foto hein? Mas a idéia é essa mesmo… Chamar sua atenção!!! Como anda a relação do casal? Super normal nessa espera dar aquela esfriada… Mas cabe a você estar atenta para não deixar “congelar”, o que se torna perigoso e as vezes até irreversível.
Algumas vezes aqui já falei sobre os tempos necessários que as vezes são “obrigatórios” em certas circunstâncias. No meu caso mesmo (cada caso é um caso lógico), nós (confesso principalmente o maridão) ficávamos alertas após cada “queda” (pós cirurgias, pós tratamentos sem sucesso) e dávamos um tempo. Tempo esse que de comum acordo era para tentar esquecer ao máximo o tema “tentativas” e focar em nós dois. Se eu esquecia? Em nenhum segundo, confesso, maaaas conseguia – me “obrigava” – a desconectar ao máximo e me entregar àquele período necessário para nós dois, período de reencontro, período de reacender aquela chama que vinha apagada devido ao stress embutido na luta contra infertilidade. E o mais lindo era reconfirmar que, na maioria das vezes, nos “reencontrávamos”! Sim! Estávamos ali, seguíamos existindo, eu e ele, ele e eu! Havia desejo, havia paixão, sentimentos que em certos momentos caíram no esquecimento, o que é super normal minha gente! Não é fácil lidar com hormônios, com desejo, com paixão, em meio a seringas, ansiedade e ultrassonografias, é muita pressão!
Então hoje o alerta vai para você e sua relação a dois. Não se esqueça de vocês! Tudo deve ter seu tempo e seu espaço e muita coisa está nas nossas mãos de sábias mulheres que somos.
Será que não está na hora de se (RE)apaixonar?

12 jun
O Cartão Portal

cartao

“Admiro a NOSSA luta, admiro a tua luta, por isso que tanto desejamos. Torço muito por NOSSOS sonhos virarem realidade”. Trecho do lindo texto escrito pelo marido num cartão postal enviado para mim, enquanto ele viajava a trabalho, nos dias prévios ao resultado do beta HCG, na terceira fertilização in vitro.
Divido com vocês, para que observem o apoio incondicional e a luta enfrentada JUNTOS. Não era a minha luta para ser mãe, nem apenas a dele para ser pai, era uma luta a dois em busca de um sonho comum e sempre deixando em evidência que antes de qualquer resultado estaria o casal, sempre um ao lado do outro, para o que der e vier.
E esta é a idéia pessoal, a caminhada a dois assim se torna bem mais leve, e essa certeza de que aconteça sempre estaremos unidos conforta demais…
Fica então essa mensagem para reflexão para você e seu companheiro. Que caminhem juntos, um apoiando o outro, um cuidando do outro, um torcendo pelo outro, sonhando JUNTOS pelo filho que virá, mas sem esquecer de vocês.
Aproveito para deixar aqui minha homenagem a você Mariano que foi e é um parceiro ímpar de caminhada, você que jamais me deixou desistir e me entregar. Você que apesar de tudo só somava e me fazia sentir especial, me admirando e me fazendo sentir uma guerreira linda e determinada, que lutava bravamente pelo nosso maior sonho.

 

08 jun
Tesão e Infertilidade: Antônimos?

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Hoje venho tocar num tema que acredito que algumas de vocês se enquadrarão. Os que já estão há um tempo nessa espera ansiosa, pela gravidez que não vem, tendem a se desinteressar pelo sexo ou se interessar pela prática do ato sexual apenas como possibilidade de engravidar naturalmente. Passando o sexo a ser uma obrigação e não um prazer, e devido a isso venho lhes alertar…
É muito perigosa essa situação, considerando que o sexo é muito importante no relacionamento a dois e quando se esfria drasticamente o casal deve estar alerta para dar outro rumo a situação.
Não que casais com anos de relacionamento tenham o desejo um pelo outro intacto, ao contrário, a rotina diária vai mudando isso, outras prioridades passam a valer para o casal e isso é normal, a admiração a parte do desejo sexual é muito bem-vinda, mas penso eu que o interesse e o prazer carnal tem que estar presente e vivo, talvez em menos frequência, mas ali existente entre os dois. E quando um está mais “frio” cabe ao outro lhe despertar o desejo e vice e versa…
Nessa caminhada de tratamentos, coitos programados, indução de ovulação e outros tratamentos a mais, forçam naturalmente aos casais se tornarem um pouco “máquinas” e devido a isso tem que haver uma atenção redobrada ao tema.
Só transar para alcançar a gravidez pode ser uma brecha para uma crise matrimonial. O ter dia e horário para ter relações não é nada agradável mas cabe a nós tentar contornar a situação da melhor maneira, talvez procurando o parceiro em um momento inesperado, ou até fazer da obrigação um momento de encontro, um momento de buscar a dois pelo filho tão sonhado, conscientes  e unidos pela causa.
Por isso tão importante quando friso bem aqui a importância dos “tempos” a serem dados pelo casal e que nunca devemos esquecer que antes de nada, existe um companheiro ao lado e um casal que, apesar de todo panorama, segue existindo e você tem que investir para que siga vivo!
Acredito eu que minha relação sobreviveu sem sequelas, àqueles anos de espera, por existir no casal uma cabeça pensante e equilibrada do marido que não permitia que a ansiedade instalada muitas vezes em mim tomasse conta e desestruturasse nós dois.
Lhes confesso que em determinados momentos era mais forte do que eu e não tinha como na hora H não pensar que poderia estar sendo daquela vez! Quem nunca??? E isso é super normal, claro! Por mais que saibamos que nosso caso é quase impossível de acontecer naturalmente, sem tratamento, mas quando a gente sonha sempre haverá uma esperança de que aconteça um milagre e apostamos nisso quando fazemos amor.
O homem por si só já necessita de maior atenção quando se refere a este tema, ele “necessita” que não haja maiores mudanças quando se trata do lado sexual do casal e quando sente e nota que está afetado isso pode ser um prato cheio para uma crise. Claro que deve haver por parte dele total compreensão com a mulher que está ali, muitas vezes expondo seu corpo a um avalanche de hormônios e “montanha russa” emocional. Afinal a pressão é muito grande para o casal e mais ainda para quem for diagnosticado com alguma razão para infertilidade apresentada, o que volto a dizer, como já foi dito por mim outras vezes: NINGUÉM é o(a) culpado(a) de NADA, o que existe é um casal que luta JUNTO para realizar o sonho da chegada do filho de ambos, mas bem sabemos que muitas vezes é difícil se colocar isso em prática.
Me lembro bem que apesar de ser eu a diagnosticada com endometriose severa e falência ovariana precoce, o marido me proibia ficar lembrando isso e assumia a enfermidade como NOSSA. E confesso que isso me acalmava bastante o coração e me dava forças e coragem para querer seguir por NÓS.
Não que você finja eternamente que nada esteja acontecendo mas que você tente ao menos reagir de verdade! Por ele, mas por você também, que merece sentir prazer e sentí-lo mais perto.
A intenção é fazê-las analisar como está a sua relação com seu companheiro, com aquele futuro pai do seu filho, sem esquecer o lado sexual,  com aquele que foi seu namorado e que deve continuar sendo seu parceiro de caminhada. Que a infertilidade não seja causa de afastamento entre vocês, ao contrário, que seja causa de união e cumplicidade. Que vocês possam amenizar a dor do outro, com sua presença, compreensão, carinho e desejo, estando consciente de que a infertilidade será apenas uma etapa da vida de  vocês que passará e ficará para trás e não justifica abalar um casal que um dia sonhou junto e apostou neste sonho. Se unam mais e mais! Permitam que  aquele sentimento que um dia te fez sentir frio na barriga, venha lhes visitar e que nesse momento o mais importante sejam vocês dois, você e ele, ele e você.

pés cochinha

29 abr
Te convido a reagir!

ciclo

Para os que existem não apenas vivem, ou sejam que vivem de verdade, com vontade, que sonham, que acreditam numa amanhã melhor, que não desistem fácil, que conseguem sorrir mesmo sentindo dor, que o amor dentro do coração lhes transborda mesmo faltando ao seu redor, que preferem pensar positivo mesmo que tudo lhe leve ao negativo, pessoas que acham que vale muito a pena viver apesar dos pesares e acima de tudo seguem sonhando e acreditando nos seus sonhos. A vocês minha admiração e as boas vindas a esse grupo de pessoas que amam a vida e acreditam que nasceram para ser felizes, e para isso sempre seguem em busca da tal felicidade nas mínimas coisas e nos grandes sonhos.

Estamos vivos e isso já é uma grande dádiva!
Que tal parar de reclamar e reagir??? Olhe para si, olhe para sua vida, veja a quantidade de coisas que te dão motivo para seguir! Você é bem mais forte do que imagina e MUITO depende de você, inclusive a sua vida em muitos aspectos. Vamos “simbora” ser feliz com o que somos e temos? E de sobra…Vamos seguir atrás dos nossos sonhos, sem desistir facilmente?

21 abr
“Não estão conseguindo engravidar? Por que vocês não adotam?”- A velha frase que se repete.

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O título deste post é o mesmo que a psicóloga paulista Luciana Leis brilhantemente escreveu no seu blog www.lucianaleis.wordpress.com. Nem a conheço ainda, um dia quero conhecê-la pessoalmente sim, mas ela escreveu sobre um tema que há tempos já pensava em expor por aqui… A tão conhecida “resolusão” que os demais fazem pensando em nos ajudar e resolver o problema da infertilidade, opinando que de um dia para o outro um casal que está buscando a gravidez resolva optar pela adoção, como se fosse algo simples assim… Adoção ao meu ver é algo que nasce de dentro, e jamais deve ser imposta.
Em alguns outros posts já deixei claro a minha posicao sobre o tema maternidade e os meios para tal, e ser mãe independe da forma como o filho chegue, através da gravidez ou do gerar no coração através da adoção, estou certa que não deve existir diferença e que o amor é o mesmo, infinito, indescritível!
Conheço vários casais que optaram por adotar. Uns, talvez a maioria, que após uma longa jornada de tratamentos para infertilidade se cansaram e sentiram que poderiam muito bem se realizar adotando, e vários, lhes garanto, se lamentam por nao haver optado pela adoção antes de tão realizados que se sentiram ao se tornarem pais. Há outros casais que também conheço suas histórias e que tiveram a adoção como sua primeira opcao, como a Luciane Cruz do blog www.gravidezinvisivel.com, por exemplo.
Enfim, vivo alentando às seguidoras a seguirem em busca da maternidade sonhada! Lhes passo minha história e experiência durante 6 anos de tentativas para engravidar e assim seguirei, pois bem sei o quanto é difícil, mas também sei o quanto vale a pena. Porém, ao mesmo tempo que as animo falo sobre seus limites. Sim, cada uma tem seus limtes, cada casal tem seus limites, esses tratamentos são muito desgastantes e sinceramente acho que deve-se se respeitar esses limites, pelo bem dos envolvidos na situação, e quando se decide haver chegado nesse momento muitos casais despertam de coração para adoção, um despertar verdadeiro, uma abertura verdadeira para essa opção, não como segunda opção e sim, sinceramente, naquele momento, como a primeira, única e almejada opção. E aí começam outra caminhada repleta de burocracias mas que quando chega o dia do ENCONTRO com seu filho, já escutei vários relatos e já tive a honra inclusive de presenciar um primeiro encontro, se confirma e não há dúvidas alguma que aquela criança nasceu para aquele casal e vice e versa. E ali, naquele encontro, naquele “parto”, nasce uma família!
Então divido com vocês esse post maravilhoso que transcreve tão bem o que eu sempre quis repassar para vocês sobre o tema e me despertou novamente lhes escrever um pouquinho sobre, mas que Luciana Leis escreveu com profissionalismo e com o coração, de uma psicóloga que atende pessoas com problemas de infertilidade:

“Hoje quero discutir aqui algo que, a maioria das pessoas que está com dificuldades para  engravidar, já deve ter escutado, a famosa frase: ” Não está conseguindo engravidar? Adote! Tem tanta criança precisando de um pai e uma mãe!”. Como se esse fosse o remédio para a infertilidade e ponto.

Percebo que muitas pessoas que estão passando por problemas para engravidar e que, no momento, não cogitam adotar, acabam se sentindo meio culpadas em não desejar a adoção, pois se existe tanta criança abandonada, caberia a elas, mais do que a outras pessoas, colaborar para que esse número diminua.

Acontece que, nem todo mundo que vive a infertilidade cogita a adoção como possibilidade para si- e isso não é um absurdo. A maioria das pessoas que se depara com a infertilidade deseja um filho biológico como primeira opção, porém, se com o tempo e os tratamentos esse filho demora a chegar, percebo que a adoção pode passar a ser cogitada como um possível caminho para a realização do sonho de ser pai e mãe.

No entanto, a adoção só será bem sucedida se realmente houver abertura para amar uma criança adotada como sua. Se o luto pela perda do filho biológico não acontecer, não há como esperar que pais e criança fiquem bem. Por isso que eu costumo falar que a adoção não é para qualquer pessoa, somente para as que estão abertas a essa possibilidade de realização do desejo.

Outra frase bem comum do senso comum é: ” Adote que logo você engravida!”, simples assim, como uma receita de bolo!

Socorro! Eu tenho arrepio dessas soluções prontas. E fico ainda mais preocupada com as pessoas que acreditam nisso e criam a fantasia de que esse é o caminho para resolverem seu problema.

Uma criança a ser adotada precisa encontrar um lugar de filho junto aos pais adotivos, e não vir com a função, na fantasia dos pais, de abrir caminho para o filho biológico. Precisamos ser cuidadosos quando buscamos soluções para nossos problemas.

O fato é que no meio à sua volta, nunca faltarão pessoas para dar palpites em como você deve resolver sua dificuldade de gravidez, e, na fragilidade emocional que envolve esse momento, não é difícil levar em consideração o que é dito sem avaliar, realmente, o que se deseja fazer para possibilitar a chegada dessa criança.

Cada casal, cada pessoa, precisa avaliar com cuidado e sensibilidade os caminhos que lhe são possíveis trilhar na busca por esse filho, quer seja através dos tratamentos para infertilidade ou pela via da adoção.”

Luciana Leis

 

19 abr
Só sabe quem passa

nomeulugar

Em muitas situações da vida você só pode entender realmente o próximo se algum dia passar por aquela determinada situação. E assim ocorre para quem sofre com a infertilidade.

Boa parte das pessoas não fazem a menor ideia do quanto dói e machuca essa espera absurda pelo filho que não vem. Por trás daquela espera existe um casal calejado, frustrado e muitas vezes cansado dessa rotina dura das tentativas e negativos enfrentados.

Mas está nas nossas mãos, além dessa dor que já enfrentamos enquanto esperamos, nos deixar ser “maltratados” pelas pessoas que cruzam pelo nosso caminho com comentários inoportunos e muitas vezes indelicados, nos pressionando a responder muitas vezes perguntas sem respostas…

-E não querem ter filhos não?

-Já está passando da hora viu?

-Fulaninha casou bem depois e já está indo para o segundo filho sabia?

E por aí vai… Várias “pérolas” que temos que escutar e muitas vezes com um sorrisinho amarelo desconversar…

Quando estava nessa espera eu resolvi “desarmar” comentários assim sendo direta e objetiva, ou seja assumindo a infertilidade, meu desejo enorme de ser mãe e minha luta para engravidar. Não para causar pena, jamais! Mas sim para me livrar de menos uma possível cobrança futura. Ou seja, passava por mim com essas indagações, saia totalmente esclarecido com resposta mais do que bem respondida, fazendo com que aquela pessoa certamente nunca mais voltasse a me questionar novamente. Ufa!

E quando achava que ainda era oportuno, ou seja que aquela pessoa tinha que ser reforçada para não voltar com perguntas ou comentários indelicados, eu fechava com um comentário que me fazia ter a certeza que a partir daquele momento colocaria um ponto final naquele assunto:

– Você não imagina como sonho com isso e como dói.

PONTO.

Pois bem, a pôr em prática o amor próprio e espantar as pessoas sem noção que nos cerca. Ao nosso redor só coisas boas e pessoas que torcem por nós sem cobrar, ao contrário, nos apoiando e nos ajudando a fazer a caminhada mais leve.