02 fev
Dizer ou não dizer aos filhos?

meninas

Estou no corredor indo para sala e só escuto uma voz vindo do quarto de tv: “eu tive que fazer tratamento e engravidei, e você?” Parei na hora! E fiquei escondida escutando a conversa das minhas duas pequenas brincando de boneca. Tive que me conter para não rir devido a novidade de vê-las tão pequenas (6 e 7 anos) levando este tema para suas brincadeiras rsrsrs. O tema infertilidade sempre foi passado para elas como lindas histórias de superação e muito amor. Mariana, a mais velha, bem sabe que passei 6 anos esperando por ela, sabe que tinha um dodói na barriga e que lutei muito para tê-la, e ela baba com minhas histórias, “se acha” e se sente super querida sabendo que foi muito desejada por nós! Valentina já tem um discurso pronto e as vezes do nada puxa assunto (fala pelos cotovelos) com alguém que mal conhece dizendo que ela é um milagre! Kkkkk Uma fofa! Pois é, esta sempre foi minha postura aberta e franca com elas sobre suas histórias mesmo antes de existirem e estou segura que elas entenderam bem a mensagem e tem isso bem resolvido. Tem pessoas que preferem omitir dos filhotes, eu sempre fui super aberta sobre este tema e numa boa conversamos e falamos do quanto mamãe esperou e lutou por elas, e elas amam!

29 jan
Futuros Papais

Sem título

Sempre falamos muito aqui direcionado às futuras mamães, às mulheres que sofrem com a infertilidade. Claro que por várias vezes falo do parceiro de caminhada, mas até então na verdade não havia escrito direcionado aos homens que também leem nossas mensagens e acompanham nossos posts.

E nos últimos dias, dois homens, amigos meus, me chamaram atenção para isso. Os dois já passaram por esta espera, nos acompanham e gostam muito desse espaço. Então senti certa “carência” de atenção e reconhecimento a vocês que sofrem ao lado das futuras mamães e muitas vezes pensam passar desapercebidos, o que assim não são, ao contrário! Bem sabemos o quanto sofrem, mas que de repente disfarçam e não expõem muito seus sentimentos, sendo impostos e cobrados pela situação e talvez por si mesmos a serem os fortes e o equilíbrio nesta espera tão dolorosa. Que difícil!

Pois bem, aqui estou para lhes dizer que – geralmente – vocês arrasam, dando a contenção tão necessária para nós que nessa espera ficamos tão fragilizadas… Digo que só segui em frente porque tive ao lado um companheiro que me deu total apoio e que na hora que batia o desespero estava ao meu lado para me fazer desacelerar e me fazer enxergar que além do sonho da maternidade havia vida, havia nós dois!

Imagino o quanto deve ser complicado para vocês, futuros papais, ter que nos “aguentar” em certos momentos… Momentos que muitas vezes nem nós mesmas nos aguentamos. Imagino como deve ser difícil manter a postura firme e em determinados momentos nos dizer que está tudo bem e sob controle, mesmo no íntimo sabendo – e sofrendo – que não está nada bem e que as chances e esperança da vinda do seu filho estão cada vez menores, diante dos prognósticos médicos.

Também deve ser doloroso ver a mulher que você ama se submetendo a tantos sacrifícios que estão incluídos nos tratamentos de reprodução, lutando bravamente pelo filho que tanto esperam. Como deve ser horrível quando você se sente o motivo, por ter sido diagnosticado algo em você, daquele sofrimento do casal. E aqui insito em lembrar mais uma vez, que não há culpado nisso e sim um CASAL que sonha junto e luta pela realização deste sonho a dois.

Então aqui deixo minha admiração e total apoio aos papais tentantes, ou melhor, aos futuros papais que nos acompanham. Uns por curiosidade, outros por tentar conseguir interagir e entender mais ainda ao que se passa na cabeçinha da sua mulher diante de tanta ansiedade e dor, outros por encontrar algo de conforto para si mesmos através desse espaço que está destinado a lhes fazer animar a não desistir deste sonho da chegada do filho tão esperado.

E lhes digo… Esse espaço é aberto com maior prazer para vocês também, este espaço é NOSSO!

Sejam bem vindos sempre!!!

17 dez
O Direito de Sonhar com o Segundo Filho

De uns tempos para cá tenho conhecido algumas mulheres que lutam pelo 2º filho que não vem…

Algumas tiveram o primeiro filho sem nenhum problema, de forma natural, sem a necessidade de tratamento algum, liberaram para a vinda do segundo filho, se passaram meses e nada e aí bate o desespero e angústia de não entender o porquê de estar tendo dificuldades agora. Na maioria das vezes o panorama é o mesmo, ou seja, mesmo parceiro, pai do primeiro filho, nenhuma doença aparentemente existente em nenhum dos dois.

Por outro lado estão aqueles casais que tiveram que se submeter a algum tratamento de reprodução assistida para conseguir o primeiro filho e após um bom tempo sem evitar a gravidez parece que a cena de um novo tratamento volta à pauta e isso gera pânico em ter que passar novamente por todo processo.

Mas o que me chama mais atenção em ambos casos são os sentimentos que vejo tomar conta das mulheres que me procuraram e desabafaram sobre. O primeiro sentimento de todos é a vergonha em assumir que estão angustiadas e sofrendo mesmo “JÁ sendo mães e JÁ  tendo um filho”, ou seja, é como elas se sentissem proibidas por já terem tido a honra de alcançar a maternidade e não terem direito de reclamarem pelo segundo filho que não vem! Achei tão absurdo isso que senti a necessidade de escrever em defesa dessas mulheres já mães e que tem todo direito do mundo de querer mais filhos e sofrerem por não estarem conseguindo.

Uma delas me confidenciou que na maioria das vezes, por mais angustiada que se sinta, não se sente no direito de desabafar com ninguém… Gente, sentimentos não se sufocam e ninguém é pior do que ninguém por querer ter mais filhos, ninguém é culpado por já ser mãe ou pai e sentir vontade de ter mais quantos filhos quiser, concordam?

Normalmente as pessoas só pensam em infertilidade quando a mulher não consegue ter o primeiro filho (e aí ela é chamada de infertilidade primária). Mas a infertilidade secundária, quando a mulher já teve um filho, não é tão incomum como se pensa.

As causas em geral são as mesmas da infertilidade primária, ou seja, de quem nunca conseguiu ter um bebê. Entre elas estão: cicatrizes no útero ou nas tubas uterinas (trompas), endometriose, problemas de ovulação, baixa quantidade de espermatozoides. Qualquer que seja a causa, é alguma coisa que apareceu ou se agravou depois que a pessoa teve o bebê. Complicações durante o parto ´é uma possível causa. Ou, se muitos anos se passaram, talvez a questão seja a idade. O tratamento para a infertilidade secundária é igual ao tratamento para qualquer outra dificuldade de gravidez. Tudo vai depender da causa.

Não é fácil conseguir apoio nos casos de infertilidade secundária, porque todo mundo parece achar que é ingratidão não estar feliz com o filho que já se tem, então a todos os que estão passando por esta dificuldade do segundo (ou terceiro, quarto, quinto…) filho que não vem lhes recomendo procurar um especialista em reprodução assistida para um check up do casal, isso se já faz mais de um ano de tentativas sem uso de nenhum método anticonceptivo. Por mais que já tenham sido pais tudo pode mudar desde o período do nascimento do filho ao momento atual, digo isso por casos e casos que conheci de mulheres e homens que apresentaram algum diagnóstico a ser tratado mesmo já tendo sido pais facilmente quando liberaram na primeira vez, havendo casais por exemplo que tiverem o primeiro filho “sem querer”, num “descuido”, e que agora sofrem na espera do próximo.

Então se você já for mãe ou pai deixo aqui meu apoio que se sintam à vontade de expressar a vontade de vocês em viver novamente essa experiência maravilhosa da maternidade ou paternidade. Você não será pior do que ninguém por apenas seguir sonhando e desejando aumentar a família, lógico que não! Estamos vivos para viver intensamente e seguir sonhando e acreditando sempre. E tem algo melhor que um filho? Sim, tem! Um filho a mais! Rsrs. Então se liberem e assumam esse desejo lindo que tem aí dentro de você e que seguro também te faz sofrer, sendo então bem vindos a esse espaço que está destinado aos que sonham em ter um filho, independentemente se já são pais ou não.

O título do Blog é: Maternidade Sonhada, claro que a grande maioria das pessoas serão aquelas que ainda não são mães ou pais e estão nessa espera, assim como foi meu caso e tão bem as entendo, mas se você sonha por um filho a mais e está tendo dificuldades e será também muito bem vinda por aqui!!!

09 dez
E um dia fomos dois

dois

Hoje o Post está sendo escrito sob a inspiração de dias especiais comemorando antecipadamente os 16 anos de casados num lugar muito especial para nós dois: na cidade maravilhosa e mágica, nosso querido Rio de Janeiro!
Só os dois, como um dia fomos durante 8 anos de casados, dentre os quais 6 foram de união e busca da realização do sonho de nos tornar PAIS, mas sempre com o cuidado de não nos esquecer que antes que nada havia um casal que se apaixonou, que lutou muito, que venceu as barreiras de namorar a distância durante 2 dois anos, ele em Buenos Aires e eu em Recife, e em janeiro de 1999 conseguimos nos casar! E lá fui eu morar na Argentina durante 5 anos, e lá fui eu crescer, amadurecer e aprender tanta coisa! Entre elas aprender a amar e respeitar ele do jeito que ele é e assim me sentir também cuidada e admirada do jeito que eu sou. E graças a essa base hoje estamos juntos!
Lhes conto que na caminhada dura contra a infertilidade nos unimos demais! Era uma batalha a ser vencida JUNTOS que não foi fácil, mas ao seu lado tudo se tornou mais leve! Porque eu saiba e ele me lembrava sempre que estava ali para o que der e vier, e me admirava demais pela disposição de correr atrás com todas as forças, dispondo meu corpo a uma quantidade enorme de exames, tratamentos, bombas hormonais, cirurgias e etc etc etc…
E conseguimos!!!
Ele foi demais! Na própria essência da palavra ele foi um companheiro. Segurava as pontas quando eu estava fraquejando. E quando eu chegava próximo ao limite ele nos obrigava a dar um tempo e cuidar da gente. Por mais que os exames apontassem que não poderíamos esperar devido a uma suposta falência ovariana precoce e todas complicações de uma endometriose severa… Ele não queria saber! Em primeiro lugar estávamos eu e ele. Queríamos MUITO nosso filho, mas algo intocável era nossa relação e o cuidado que tínhamos que ter um com o outro.
Gente, venho aqui lhes passar isso por nesses anos todos, desde o início da minha busca e mesmo após minhas vitórias, observar que muitos casais deixam se abater fortemente por este cenário que a infertilidade toma conta, alguns inclusive chegando a se separar.
Esquecem dos dois, esquecem do início, da história que escreveram até começarem essa busca pelo filho que não chega… E é uma pena enorme!
Minhas filhas com certeza são o melhor que me aconteceu na vida até o dia de hoje e para sempre me emocionarei por ter tido a dádiva de ter me tornado a mãe de Mariana e Valentina, minha vitória e meu milagre, mas antes delas chegarem já existia um casal que se divertia muito juntos, que curtia muito a companhia um do outro e este casal por mais que em algumas épocas tudo conspira para que esqueçamos disso, este casal está aqui! E sempre estará! “Só” basta resgatar isso, tendo um momento nosso, como fazemos quase todas as sextas a noite sendo nossa saída semanal ou numa escapadinha de fim de semana uma ou duas vezes ao ano para “nos encontrar”, para voltarmos a ser 2, eu e ele, ele e eu. Não que não gostamos de ter nos transformado em 4, AMAMOS!!!!!!!!!!!!! Mas por nós e por elas mesmas esses momentos é de extrema importância e nos faz voltar a ser mais fortes e unidos para o que der e vier.
Não somos perfeitos, não que não temos crises, não que não brigamos, mas acima de tudo somos um casal que escreve uma história há 16 anos, que venceu a infertilidade juntos, q sonhou e acreditou, que chorou e que sorriu e que está disposto a seguir porque fazemos bem um ao outro.
E vocês, tem se “encontrado” com seu companheiro?
09 nov
Machismo x Infertilidade

Quando um casal libera os métodos anticonceptivos em busca de um filho e se observa que o tempo está passando e a gravidez não vem, surge naturalmente uma preocupação e começam as indagações sobre o que estará acontecendo.

O mais comum é partir da mulher ir ao ginecologista para começar uma série de exames para detectar algo ou não, e se for o caso ser tratado. Mas da mesma forma que a mulher se dispõe espontaneamente em investigar alguma causa de uma possível infertilidade, o ideal seria da também partir do homem procurar um urologista para tentar identificar algo que esteja impedindo a gravidez da sua parceira, o que geralmente só ocorre após a mulher fazer todos exames e não detectar nada. Daí já começa um certo machismo, machismo este já estabelecido por nós mulheres que por sermos as futuras genitoras sempre acreditamos que o “problema” está em nós, descartando a princípio sequer pensar que a infertilidade pode estar no parceiro.

Quantos homens se negam a princípio ir a um urologista ou especialista em reprodução assistida para fazer os exames investigatórios? Quantas mulheres sofrem porque seus parceiros não admitem sequer pensar que ele seria o “culpado” da história e assim “fogem” ao máximo de enfrentar uma simples visita ao médico em questão. Outros tem receio dos exames a serem solicitados temendo serem dolorosos, geralmente os homens nesses momentos são bem menos corajosos que nós mulheres (a maioria que conheço) que topamos tudo sem ao menos questionar nada e se entregando a todos os exames que surgirem pela frente. Alguns homens se sentem constrangidos, se sentem menos homem por irem a um laboratório fazer um espermograma (que confesso ser constrangedor mesmo), mas não devemos esquecer o que fazemos nós mulheres ao doar nosso corpo a milhares de furadas e hormônios, sem falar das histerossalpingografias da vida e tantos outros exames não tão agradáveis no processo, sem poupar esforços….

Claro que com o passar dos anos e com o aumento absurdo de casais com problemas de infertilidade o machismo diminuiu bastante, mas insiste em existir ainda em alguns casos, fazendo mulheres sofrerem e as vezes inclusive causando crises na relação do casal.

Meu marido foi um grande companheiro de caminhada durante os 6 anos de tentativas, ele sempre esteve a postos para encarar idas a médicos e tudo o que fosse necessário para ajudar nos diagnósticos, teve que fazer vários espermogramas de todos tipos existentes, mesmo eu já diagnosticada com endometriose e cia, jamais reclamou ou argumentou o por que de repetir exames, afinal sempre os resultados eram excelentes. A cada nova equipe médica voltávamos a estaca zero e tanto eu como ele tínhamos que repetir exames já realizados anteriormente, porque segundo os médicos tudo pode mudar num intervalo de tempo, os resultados serem outros e consequentemente a direção do tratamento a seguir poderia tomar outro rumo também.

Quero compartilhar com vocês uma entrevista interessante que li no site do Dr. Drauzio Varela a um renomado urologista sobre infertilidade masculina, o que esclarece várias dúvidas que possam surgir para o casal, acessem o link: http://drauziovarella.com.br/sexualidade/infertilidade-masculina/

Compartilho com vocês um momento que me marcou muito, num certo momento de desânimo, lembro bem que o marido me pegou chorando, geralmente eu era forte e conseguia manter o equilíbrio, mas naquele dia me quebrei e o encarei com toda dor no coração dizendo:  “eu não acho justo você não ser pai por culpa minha, o problema é meu!”. Ele na mesma hora me pediu firmemente, olhando no fundo dos meus olhos, que NUNCA mais ousasse repetir aquilo! Disse que o sonho era NOSSO e o problema era NOSSO! Nos abraçamos e aquele apoio me acalmou a alma.

Entendi a partir de então, e repasso para vocês, que  quando estamos nesse processo não existe culpados, existe sim um casal que sonha em ter um filho e que JUNTOS lutarão por isso. Ninguém é melhor ou pior por ter ou não ter algum problema de infertilidade diagnosticado. E quando diagnosticado cabe a uma pessoa ser tratada e a outra dar total apoio! Hoje vocês são dois, amanhã serão 3, 4… mas antes que nada vocês são 2 e tem que estar unidos e firmes na busca por este sonho.

05 nov
Médico, parceiro de caminhada.

A partir do momento em que detectamos dificuldades para engravidar já começa um processo de maior sensibilidade para a mulher, para o casal inserido no contexto. A gravidez que não vem, o tempo que passa, e enfim a busca por uma ajuda profissional. E o ir ao encontro de um profissional especialista na área significa para a paciente desde já ir em busca de apoio, ir em busca de ajuda, ir em busca de esperança para alcançar o objetivo maior que é a gravidez. Porém infelizmente algumas se deparam com profissionais frios, que em vez de alentá-las para correr atrás do seu sonho, as assusta e algumas vezes até desanimam a paciente a seguir.

Em conversas que tenho mantido com algumas seguidoras do blog, de várias partes do país, infelizmente tenho observado tristeza e decepção nos relatos de algumas que estão lidando com profissionais especialistas em reprodução humana e se sentem  tratadas como números, como uma paciente a mais. E isso é no mínimo triste, muito triste.

Ressalto que é uma minoria de relatos, porém ao meu ver, que não deveriam sequer existir. Isso é um desabafo por sentir muito o sofrimento e traumas que algumas já confidenciaram a mim. Divido com vocês um pequeno trecho de um e-mail enviado por uma seguidora que me marcou muito:

“Descobri q tenho hipotiroidismo, o que estava afetando minha ovulação, de tal forma q tive q fazer uma curetagem para investigar uma hemorragia uterina, depois disso, minha médica , que começou a acompanhar minha ovulação e já no primeiro mês de acompanhamento, no qual eu tive um folículo com tamanho correto mas que não se rompeu, olhou bem dentro dos meus olhos e decretou: “desiste, pra você gravidez não vai acontecer.” Sabe, essas palavras calaram fundo na minha alma, era como uma sentença de fracasso, eu estava condenada.”

Gente, não podemos admitir que ninguém nos machuque desta forma! Por mais complexo que seja o caso SEMPRE, sim SEMPRE, tem suas exceções, sempre surgem casos de gestações que médico algum poderá explicar, existem MILAGRES, eu sou prova disso!

Por isso a importância da empatia inicial com o médico escolhido é de extrema importância! Vocês por um bom tempo serão uma equipe, e uma equipe que deve estar “falando a mesma língua”, uma equipe que apesar de qualquer coisa deva estar acreditando na possibilidade de uma vitória. Que isso não significa o médico não ser sincero e realista em determinados casos mais difíceis, mas que sempre se ponha no lugar da paciente na maneira de lhe falar certas coisas que nem ele mesmo gostaria de expor mas que se faz necessário. Como sempre digo, tudo pode e deve ser dito, mas a maneira faz todo diferencial para quem receba a mensagem por mais dura que seja.

Então, atentas! Existem médicos maravilhosos, com certeza a maioria, que te esperarão de braços abertos, que vibrarão com cada positivo e que também se entristecerão com os negativos repetidos de algumas. Procure no seu médico um parceiro fundamental na busca do seu sonho!

21 set
Cada um no seu quadrado

cada um no seu quadrado

Um dos temas que mais me intriga nesta caminhada da infertilidade são os pré julgamentos, indiscrição e insensibilidade de algumas pessoas que não estão diretamente envolvidas na situação e que abordam e criticam – muitas vezes sem saber da real situação- as pessoas que estão na busca por um filho.

O casal quando namora já há algum tempo é questionado sobre quando será o casamento. Quando se casa, se passa um tempinho, já “exigem” (sim muitos EXIGEM) quando virá o primeiro filho, quando se consegue o primeiro e quando virá o segundo… E por aí vai… Quando se passa o tempo e o primeiro filho que não vem tudo se potencializa, por diversas vezes de um lado estão os curiosos, insensíveis ou mal educados de plantão e do outro uma pessoa/casal frágil, sensível e muitas vezes dolorida quando se toca no tema.

Eu sempre fui muito aberta e assumida quando se referia ao tema, mas entendo perfeitamente as pessoas que não conseguem e preferem não se expor. Eu preferia “encarar” da melhor maneira do que me esquivar, bem sabendo que dia menos dia mais aquela mesma pessoa me perguntaria novamente e esperaria uma resposta que lhe convecesse. Cada um vive da sua forma este momento. Não é legal e gostoso sair por aí falando e assumindo suas dificuldades em engravidar, não é um tema simples e confortável lógico! Mas venho lhes dar umas dicas para cortar certas situações indelicadas.

Algumas respostas para sair de perguntas tipo:

E para quando vem o bebê?

Prontamente tinha duas respostas a escolher:

-Para quando Deus quiser. E daí muitas vezes uma pergunta seguida a esta resposta com olhos mais abertos e surpresos: -Mas vocês já liberaram??? E para término: – SIM. PONTO. Sorriso no rosto e… tipo assim… – O dia está lindo não? Ooooutro tema!

Ou dependendo do humor respondia assim: -Já estamos escrevendo para a cegonha e ela não está achando nosso endereço… Seguido de um sorrisinho amarelo e desarmando o questionador…

Gente, não devemos nada da nossa vida pessoal a ninguém entendido? Sei que muita gente pergunta sem maldade, por curiosidade mesmo, mas na dúvida respondendo dessa maneira ficará mais fácil você se “livrar” de perguntas seguidas e maior pressão do que a velha enrolada do “ainda não estamos querendo”, essa desculpa decididamente a galera em algum momento não aceitará rsrsrs.

Lembro bem de uma reunião familiar quando após já alguns anos de tentativas uma pessoa querida se aproxima após umas cervejinhas e do nada lança o comentário com tudo: “- teu marido está fraco! cadê você engravidar hein? Está demorando!”. Gente já estava catedrática em relação a lidar com outros comentários mas este me chateou muito! Primeiro porque acusou meu marido em ser o “culpado” da situação (e eu bem sabia que ele “coitado” era apenas um companheirão de uma mulher “especial” com “defeitos de fabricação” – endometriose e cia) e depois nos exigia melhor empenho nas nossas “tarefas matrimoniais” para agilizar o processo… Nós mais que ninguém queríamos JÁ estarmos grávidos! Sabe qual foi minha resposta direta e que chega deu pena da pessoa?

– Sabia que queremos muito a gravidez? Sabia que o problema do casal “sou eu”? Sabia que este é um tema que nos dói muito? Acabei o dia do cidadão. A cervejinha foi suspensa e desde então nos respeitou e passou a ser discretamente um dos maiores torcedores!

Sim! As vezes temos que deixar claro o que nos passa a determinadas pessoas. Não porque devemos algo a elas e sim para fazê-las ter noção que por querer ou muitas vezes sem querer mesmo nos ferem, e já basta tudo o que temos que passar e ainda ter que suportar e saber lidar com comentários que não nos fazem bem!

Não estou aqui fomentando a discórdia e “armamento” de respostas duras e diretas a todos que se aproximam para nos questionar sobre, até porque muitos, acho que até a maioria, pergunta mais por torcer por a gente, por querer ver a família crescer e tal. Estou aqui alertando quanto aquelas pessoas que estão de graça, de plantão para nos colocar mais para baixo e não devemos deixar jamais! Basta os hormônios, mal humor, prognósticos desanimadores e etc para já fazerem este papel.

E no meio de um tratamento então? Só coisas e pessoas boas e positivas ao redor, fujam do que for ao contrário!

E como diz o título: Cada um no seu quadrado!