16 mai
Adoção, por Pri do Blog Mamy Antenada!

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É com muito orgulho e alegria que lhes trago a historia da Pri, escritora do Blog Mamy Antenada, ela que foi uma das primeiras que conheci neste mundo virtual e que pude acompanhar sua trajetória de algumas tentativas de tratamentos, cadastro na fila de adoção, espera “interminável” pelos seus filhos, até a sua vitória em dose dupla, que com certeza valeu a pena TUDO até então passado! Inspiradora história relatada pela mamãe Pri, diretamente ao seu coração!
Mais uma vez muito obrigada Pri! Sigamos nessa missão levando esperança e força para essas mulheres que ainda estão na luta, assim como um dia -por anos- também estivemos e que hoje, graças a Deus, somos mães e podemos dizer a elas que SIGAM e não desistam!
*A foto da capa deste post foi de um ensaio fotográfico que a Pri decidiu fazer quando estava devidamente cadastrada na espera para adoção, ficando portanto a ideia para você que aí está gestante do coração, e que tem TODO direito de fazer um lindo ensaio de fotos também, lógicooo! Amei a ideia e compartilho com vocês!!! 😉

“É, devo esse texto para a Taci e suas seguidoras há mais de 1 ano! Para ser bem exata, 1 ano e 2 meses… foi quando minha bolsa estourou pela primeira vez… e em menos de 1 ano minha bolsa estourou 2 vezes!!
Taci e eu somos amigas virtuais faz um bom tempo, acho que desde o inicio do meu blog Mamy Antenada e das minhas andanças por Clínicas de Reprodução Assistida (agradeço a Deus as inúmeras amigas que o blog me trouxe e que cultivo até hoje).
E desde aquela época conversávamos muito sobre essa busca pela maternidade, ansiedade, espera, decepção, apoio, choro, luto e recomeço.
Por diversas vezes passei por esse ciclo, mais precisamente a cada termino de ciclo (com a chegada da menstruação) e com mais ansiedade ainda quando tinha algum procedimento envolvido: Coito Programado (que só o nome tira o tesão e não tem preliminar que faça esquecer que “tem que ser agora!”, hehehe), 5 Inseminações Artificiais e 1 Fertilização In Vitro. Dentre todos esses procedimentos 2 gestações que não chegaram ao seu final feliz: um filho no colo, e no meio de toda essa carga emocional, a juntada e entrega de papéis que me tornou mãe 4 anos depois.
A Adoção não era o nosso plano A, ele era simplesmente o plano que nos levava à maternidade como qualquer outro com o qual nos deparamos ao longo dessa jornada e o qual depositamos toda a nossa vontade e amor de sermos pais.
Já tinha conversado com o marido que não aguentava mais as doses cavalares de hormônios e todo o investimento psicológico, além do financeiro, estalecas contadinhas para cada procedimento feito.
Claro, já vinha ha algum tempo processando toda essa carga de informação e acontecimentos, e a pergunta que sempre vinha na minha cabeça era: “Quero ser Mãe? Ou engravidar?”. Confesso que por um tempo eu tinha o sonho de engravidar, da barriga, da transformação do corpo, do parto, mas o “Querer Engravidar” deu lugar ao “Querer ser Mãe”. Então nos firmamos no Plano que tínhamos, já iniciado com a entrega dos papéis, em meio dos procedimentos de reprodução assistida que estávamos fazendo, estava também a Maternidade através da Adoção.
Também não foi um periodo fácil, burocracia, espera, descaso em algumas vezes. Foram 4 anos entre a entrega dos papéis e a chegada dos nossos filhos.
E não, nosso telefone não tocou. Eu que corri atrás, me engajei na causa, participei de grupos de apoio a adoção virtuais (e ainda participo), grupos de busca ativa e numa dessas surpresas que a vida proporciona achei meus filhos.
Marcos, na época com 11 anos e Erica com 3 meses, irmãos biológicos, faziam parte de grupo de mais 4 irmãos que foram destinados a outras 2 famílias da mesma cidade que a nossa, para manterem o vínculo.
Ele nasceu pra mim em 14 de março de 2016, magrelo, cabelo grosso e penteado para o lado, cheiroso, vestia calça e jaqueta jeans com uma camisa xadrez. Tímido, não era de muitas palavras, não gostou muito a princípio do lado da mãe beijoqueira que insistia em deixá-lo com marcas de batom nas bochechas.
Apesar de conhecermos a Erica no mesmo dia que conhecemos o Marcos já nos foi informado que não poderíamos levá-la para casa junto com ele. Seu processo de destituição não tinha sido julgado junto com o dele.
Imaginem o coração de uma mãe tendo que deixar um de seus filhos “para trás”… Me senti mãe de gêmeos prematuros, levando um de seus filhos para casa e deixando o outro no hospital sob cuidados especiais.
Após 7 meses longos após a chegada do Marcos, o processo da Erica foi findado e finalmente podíamos busca-la.
Esses meses foram de descobertas, desafios, e MUITA ansiedade.
Mas sempre decidimos confiar nos propósitos de Deus. Naquele momento eu não entendia muito bem o porque que tinha que ser daquele jeito, porque era tudo mais difícil pra mim, hoje tenho a convicção de que era o melhor para todos nós.
Para o meu filho ter esse momento só pra ele foi fundamental, foi “filho único”, recebendo a atenção e o amor que nunca teve.
Para a minha filha, não poderíamos arriscar causando insegurança jurídica que pudesse ser usado pela genitora como forma de reverter através de recursos a destituição do poder familiar.
E para nós (principalmente para mim) que fomos exigidos psicológicamente na nova estruturação da família, ensinando novos valores, alfabetizando. E quando ela chegou, Marcos já estava bem adaptado, nos propiciando gastar a energia física que um bebê de 1 ano nos exige.
Se houve ciúme com a chegada da Erica? Sim… Houve regreção do Marcos? Um pouquinho… Mas o normal que acontece em toda família com a chegada de um irmãozinho.
Vejo que os desafios da maternidade são os mesmos para mães de filhos biológicos e/ou adotivos, é só você se juntar à um grupo de mães que estão conversando em um parquinho.
A Adoção pode ser plano A ou plano B, mas se ele está no seu coração, regue essa sementinha com amor e aguarde para se surpreender!”

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23 abr
Depois de 15 anos o milagre aconteceu!

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Hoje lhes trago uma história preciosa para encher o seu coração! Conheci e me encantei com a Sarah através de algumas postagens da sua página do instagram chamada @choro_dhannah e a convidei para nos vir contar! Preparadas?

“Na realidade …. Não sei por onde começar a minha história … Afinal são longos 15 anos para chegar nesse momento tão maravilhoso… Tão especial… Tão lindo… Tão peculiar… Tão único… Tão surreal … Tão transcendental que é a maternidade!!!!
Me lembro que quando criança eu escrevia no caderno o nome dos meus quatro filhos que teria quando crescesse…
Mal sabia o que me esperava quando crescesse…
Venho de uma família muito grande … Minha mãe teve muitos irmãos e com isso veio muitos primos e sempre estávamos juntos ….
Me casei com 18 anos de idade …. Estava completamente apaixonada …. Passando um ano começamos a desejar ter um bebê … Ali começou a minha grande jornada de dor, muito choro, rompimento e muito crescimento.
Desde que fiquei mocinha minha menstruação nunca havia sido regulada, mas nunca fomos verificar isso… Quando me casei usava anticoncepcional então também não era uma preocupação … Mas apartir do momento que desejamos um bebê, aquilo se tornou um grande problema … Fui em uma médica e ela falou …. E ai tudo bem ? O que te traz aqui … E eu disse quero engravidar …. Naquele mesmo instante ela começou a rir na minha cara e disse … Minha filha vai curtir a vida …. Vai namorar… Vai passear … Esquece essa história filho só da problema …. Eu disse sim… Mas quero mesmo assim… Ela olhou pra mim… Não me examinou … Não tocou em mim e disse: Só de olhar para você vejo todas as características de ovários policísticos, você infelizmente nunca vai engravidar… Para engravidar será apenas com tratamentos…
Eu era muito nova, não sabia absolutamente nada sobre esse assunto. Sai daquele consultório aos prantos …. Liguei para a minha mãe chorando, e ela falou calma vamos orar, fique Tranquila!
Naquele ano de 2000 começou a minha grande jornada de médicos, exames, falsos diagnósticos, tratamentos desnecessários….. E por aí vai uma caminhada exaustiva!
Quantos diagnósticos ….
Você tem problema de tireoide por isso você não engravida, e me submeti a tratamentos …todos os medicamentos sempre com tantos efeitos colaterais que só quem passa sabe …
E quando ia procurar uma segunda opinião descobria que nunca havia tido nada na tireoide, e assim se passaram alguns anos …
Quando foi em 2005 comecei meu primeiro tratamento mais intenso que seria uma inseminação artificial, tomei todas as injeções, no dia de colocar os “bebês” …. Infelizmente não foi possível… Pois no dia 23 de junho de 2005 minha mãe faleceu …. Antes de falecer ela fez um sapatinho de bebê e me entregou e disse … Você não é estéril … Não há esterilidade sobre a minha descendência, eu não vou pegar meus netos no colo… Me entregou aquele sapatinho e disse … MAS VOCÊ TERÁ FILHOS!!!
Passou 2 semanas ela faleceu.
Foram dois anos seguintes de muita dor , com a perda da minha mãe e a falta de um filho.
Nesse processo tentamos a adoção mas não deu certo.
E além de tudo o que já estava passando vivi o processo da cobrança familiar e a falta de sensibilidade de muitos relacionado a minha situação, acredito ser esse um dos fatores mais difíceis e doloridos de administrar.
No processo de 2005 até 2012 foram 11 coitos programados, 4 inseminações artificiais, 1 in vitro.
Em 2012 foi um dos momentos mais doloridos, engravidei e perdi os dois bebês com 10 Semanas que havíamos colocado… E no momento de grande dor e sofrimento meu marido decidiu que eu não me submeteria a mais nenhum tipo de tratamento, todos esses tratamentos com hormônios geraram muitos desgastes… Físicos, emocionais e até mesmo espirituais.
Para a medicina não havia uma forma para que eu engravidasse a não ser por tratamentos… Aquela decisão do meu marido doeu demais… Mas ele tinha razão, mais quantos anos eu deixaria de viver para ficar focada em tratamentos … O que fosse para ser, seria….
Eu comecei a me cuidar …. Voltei a malhar …. Eliminei 36 Kilos que adquiri com tanto hormônio …. E comecei a mudar radicalmente minha alimentação… Comecei a me alimentar de orgânicos, comidas naturais. Foi quando em janeiro de 2014 descobri que estava grávida naturalmente, mas infelizmente perdi mais uma vez.
Fui ao médico investigar o porque tantos abortos…. E sempre nos exames não constava nada.
Foi quando dia 5 de maio de 2014 fui em uma consulta e meu médico disse: Você vai engravidar esse mês, eu estou sentindo isso. Dei risada porque já eram tantos anos e eu iria viajar a trabalho no período de ovulação não estaria em casa.
Pois bem fui viajar dia 16 de maio, quando foi dia 20 de maio comecei a passar mal e achava que era a diferença de clima e alimentação do norte do Brasil ( mas já estava grávida).
Voltei no final do mês para São Paulo, minha menstruação de junho não veio…. E liguei para meu médico ele disse vamos aguardar mais uns dias… No dia 27/06/2014 ele me passou um beta, fui fazer e quando mais tarde saiu o resultado aparece lá bem grande
Positivo/ 7227 mui .
Eu estava gravidíssima!!!!!
Fui correndo mostrar para o meu esposo, e saímos para comemorar mas decidimos contar apenas quando estivesse passados os 3 primeiros meses.
Fizemos a ultrassom no dia seguinte, estava mais ou menos com 8 semanas … Ouvimos pela primeira vez aquele lindo coraçãozinho… Choramos muito e toda equipe médica também se emocionou com a nossa alegria.
Tive até o sexto mês muito enjoo…. Mas tive a melhor gestação do mundo!!!
Quando fiz 16 semanas contamos para todos!!! Foi uma grande festa!!! Afinal eram 15 anos. Não somente da nossa espera, mas a espera de muitos!!!
Resolvi ter meu bebê nos EUA, pelo fato de desejar tanto ter um parto natural!!!
Não queria ser roubada jamais desse momento… No livro diz:
Contudo, a mulher será restaurada dando à luz filhos, desde que permaneçam na emunah (fé) no amor e na kedusha (separação) , com bom senso. I Timóteo 2.15
E no dia 9 de fevereiro comecei a ter muitas contrações, no dia 10 estourou minha bolsa pela manhã …EU PERDI PRATICAMENTE TODO O MEU LÍQUIDO!!! Fui tendo toda uma assistência médica e no dia 13/02/2015 às 16:33hs, NASCEU O MEU MILAGRE, NASCEU A MINHA HONRA, NASCEU O MEU RISO, NASCEU MINHA ALEGRIA, NASCEU MINHA PROMESSA, NASCEU MEU GRANDE AMOR!!!
Foi de parto normal, quem retirou ele foi meu marido com ajuda da equipe médica, ele me entregou meu bebê, não sabíamos o sexo. Optamos em saber somente na hora do nascimento. Foi muitooooo emocionante!
Tivemos um lindo e maravilhoso menino com 3,415 kg e 50 cm.
Estou vivendo um sonho!!!
Nos primeiros dias tinha medo de dormir e tudo aquilo não ser real!!!
Mas cada vez que acordava estava ali meu grande sonho lindo!!! ERA REAL!!!
Sei o que é esperar, sei o que é sofrer, chorar, ser humilhada, envergonhada por não poder gerar!!!
Salmos 126. 1-6
Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha.
Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles.
Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres.
Restaura, SENHOR, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe.
Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão.
Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes.
Depoimento
E como sempre falei: ” O TEMPO VALORIZA A PROMESSA” …. E como valoriza!!!
Hoje sou mamãe e ….
Eu passaria por tudo outra vez … Só para ter você!”

Acrescento mais um capítulo? Ela está novamente grávida, da sua segunda benção, de mais um MILAGRE!!!

20 mar
Novas Seguidoras, Bem Vindas!!!

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Observei um número crescente de seguidoras novas por aqui nos últimos dias! Desde já dou a todas as boas vindas e lhes conto um pouquinho sobre este espaço e sobre mim. Publiquei no domingo passado (no instagram e facebook) sobre um evento em apoio às portadoras de endometriose que acontecerá no próximo sábado em várias cidades, a Endomarcha, evento este que apoio de todo coração, inclusive por já haver padecido bastante com esta enfermidade. E após esta publicação muitas novas seguidoras me mandaram mensagens perguntando se eu havia conseguido engravidar, mesmo com endometriose, e se sim como havia sido. E se me ponho a lhes contar em detalhes não terminarei mais por aqui, juro que um dia – em breve 🙏🏼- vocês terão a oportunidade de saber TUDO nos mínimos detalhes… Mas me adianto brevemente por aqui lhes trazendo uma foto até então inédita para todas vocês! Foto que fizemos para uma matéria no Jornal Folha de São Paulo em Maio, do ano de 2008! Matéria para o domingo dias das mães sobre casos de mulheres que engravidam naturalmente, após tratamentos de reprodução assistida (me acharam! Rs) Eu e elas duas, minhas filhas, uma nos meus braços, outra no meu ventre! Sim, para quem não sabe ainda engravidei 2 vezes! Mesmo com endometriose severa, mesmo com falência ovariana precoce, consegui ser mãe!!! Na primeira vez depois de árdua luta durante 6 anos (entre cirurgias, tratamentos hormonais, picadinhas mil, inseminação e fertilizações in vitro), e a outra naturalmente, milagrosamente! Quando a minha primeira gordinha tinha apenas 7 meses de vida. Gostou? Dá para entender agora um pouco do que me estimula estar por aqui há mais de dois anos lhes dizendo para seguir e não desistir? Bem vindas então a este blog escrito com muito amor, onde nesta caminhada vi mulheres que estavam por desistir voltar a lutar e conseguir, onde já presenciei milagres acontecerem, como assim aconteceu comigo e poderá acontecer com você! Bem vindas ao Maternidade Sonhada! Espero poder te ajudar de alguma forma.

02 fev
Endometriose, Falência Ovariana Precoce e… Vicente!!!

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Conheci a Geovana como tantas de vocês, como uma seguidora que me procurou para trocarmos umas ideias. Ela se identificou muito com minha historia ao saber que também tive endometriose e fui diagnosticada com falência ovariana precoce, o que lhe animou quando soube que mesmo assim havia conseguido engravidar por duas vezes! Conversamos através de mensagens, ela me falou que também escrevia um blog, que por sinal é bem legal, chamado Cinderela de Bege, e como sempre foi gostoso o contato e sensação que de alguma forma vinha lhe ajudando e incentivando a seguir… Pois bem, em Janeiro recebi a confirmação da sua gravidez e hoje recebo da Geovana o relato da sua luta e a chegada a sua conquista, por estar gerando o Vicente! Palavras lindas, de uma mulher que teve motivos de sobra para desistir, mas que deixou que o amor materno, já vivo no seu coração, falar mais alto. Post imperdível, carregado de emoção e esperança!

“Foram quatros longos anos até ver, finalmente, o beta positivo. Nem sei descrever o que sentimos na hora que vimos esse número. Um misto de alegria, alívio, medo, de sensação de conquista e vitória.
Quando você descobre problemas com fertilidade, para quem sempre sonhou em ser mãe, o mundo cai, despenca, e você se sente completamente sem rumo.
Nos dois últimos anos, em que efetivamente eu fiz tratamentos de fertilização in vitro, o que mais li e ouvi foram assuntos relacionados a: ovodoção, gametas, óvulos, embrião, blastocistos, D1, D2, D3, D4, D5 e assim por diante até o D12, exames de sangue, hormônios, remédios, como aumentar o limite do cartão de crédito (gasta-se muito dinheiro) e tantos outros ligados ao universo dolorido e sombrio da fertilidade (sim, sombrio, porque quase ninguém fala sobre isso, ou quando se fala é sempre de maneira muito superficial).
Durante os tratamentos a mulher se sente muito sozinha, e por mais que ela tenha o marido, família e amigos do lado é ela quem toma as injeções (picadinhas de amor como aprendi com o blog que tanto me ajudou o Maternidade Sonhada), que sofre com as reações dos medicamentos, que percebe as mudanças no corpo, que recebe as notícias – e acredite que as notícias, quando se faz um tratamento de fertilização, são quase diárias e podem mudar da noite para dia – que se sente culpada, que ouve os comentários (maldosos ou não) de “e aí, está demorando, né? Daqui a pouco vai ficar velha para engravidar” e que tem que administrar toda a ansiedade. Doí, doí muito, emocional e fisicamente.
Nesses quatro anos de espera eu recebi os diagnósticos de endometriose e baixa reserva ovariana o que vai gerar uma falência prematura dos ovários (sim, vou entrar na menopausa muito antes do que as mulheres comuns). Fiz, com um renomado médico, quatro fertilizações, todas sem sucesso e sendo que em três elas nem embrião conseguíamos (ou seja, todo o tratamento era feito, mas na fase final “embrião morria” antes mesmo de ser implantado no meu útero), recebi desse mesmo profissional a indicação de ovodoação (quando a mulher não é mais capaz de produzir óvulos saudáveis e utiliza um óvulo de uma outra mulher para gerar o bebê).
Ouvi, tantas e tantas vezes comentários como: “Será que não é a hora de você desistir?” e “Você já gastou tanto com isso”.
Eu simplesmente não aceitei o diagnóstico, ignorei os comentários e, depois de muito chorar, eu ainda sentia “aquele quentinho” no meu coração que me garantia que iria dar certo.
Foi então que recebi, por o acaso, o cartão do Dr. Julio Voget, Médico que me acolheu e me disse: “É possível”. Com ele foram dezenas de consultas, muito choro e milhares de vezes que eu disse que iria desistir. E ele sempre ali, me mostrando o caminhando e que era possível. Ele conduziu um tratamento muito mais suave (inclusive na quantidade de medicamentos) e personalizado, três punções (ou seja, três vezes em que fui retirar óvulos maduros e saudáveis) e na primeira implantação (quando o embrião é de fato colocado dentro do útero) eis que o Vicente cresce aqui dentro saudável e fazendo uma família inteira feliz e realizada.
Essa é a minha história de maternidade que apesar de ter apenas 16 semanas de realização tem mais de 208 semanas de muita luta e dedicação.
Hoje eu sou só gratidão!”

12 dez
Catarina, a bebê sonhada!

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A Priscila era segura de que não queria ser mãe, JAMAIS! Até um dia em que a maternidade foi batendo à porta do seu coração de uma forma hilária… através de sonhos! Sonhos estes que foram levando esta mulher tão decidida a repensar e um tal dia se entregar por completo a este chamado… Uma história LINDA, emocionante, impressionante! História esta que foi me intrigando saber mais e mais detalhes, quando afinal a convidei para vir nos contar! Uma lição sobre sonhos, literalmente falando, mas também uma lição sobre nunca dizermos nunca… Com vocês a historia da Pri, MÃE da Catarina, que em breve estará por aqui dando o ar da graça!

Resumir a minha história não é tarefa simples, pois a carga emocional é grande, mas tentarei.
Em primeiro lugar, se eu disser que sonhava com a maternidade estarei mentindo. Até 2014 eu tinha certeza que não queria ser mãe e tive a cautela de me casar com um homem que tinha essa afinidade comigo (não queria ser pai). Tamanha a minha “certeza” que cheguei a pedir algumas vezes ao meu ginecologista que fizesse a histerectomia em mim (ele sempre se recusou) e briguei com o marido quando ele desistiu de fazer vasectomia… Era aquele tipo de certeza ingênua que nos leva a garantir que nunca mudaremos de opinião. Até que um belo dia acordamos com outra opinião sobre o assunto… Em fevereiro de 2015 comecei a sonhar com um bebê recém nascido praticamente 3 vezes por semana. Em março/15 o bebê “se apresentou” a mim. Chamava-se Catarina e era uma menina.
Poucos dias depois tive trombose venosa profunda extensa na veia femoral da perna esquerda e embolia pulmonar causada pelos hormônios do anticoncepcional, me obrigando a parar de tomar o contraceptivo. Então, adotamos a tabelinha como único controle de fertilidade. E os sonhos com a Catarina persistiram. Num dos mais marcantes, eu dava a luz a ela e, com ela em meus braços, mas ainda ligada ao cordão umbilical eu dizia: “Muito prazer, eu sou a sua mãe e já te conheço dos meus sonhos”.
Foram inúmeros sonhos com a Catarina direta ou indiretamente. Em alguns destes sonhos, homens que mais pareciam anjos da guarda chegaram a falar comigo para me convencer a deixar a Catarina vir… Resultado: Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Quando me dei por mim já estava amando uma menininha que só conhecia em meus sonhos. Foi um período intenso de amadurecimento e aceitação de que quem tem opinião, muda.
Cheguei a sentir vergonha de assumir que havia mudado de ideia. Superada essa fase, veio a mais difícil: contar ao marido que mudei de ideia e ver se ele ficaria ao meu lado nessa empreitada. Foi nesse momento que criei o instagram @gravidadecoracao e foi a melhor terapia que eu poderia ter feito. Ali passei a compartilhar minha história, minha ansiedade com toda essa situação e fiz amizades que carrego em meu coração.
Como eu seguia em tratamento de saúde em virtude da trombose e proibida de tentar engravidar, o marido e eu decidimos que o mais sensato era eu concluir o tratamento e depois voltaríamos a conversar a respeito, com ele assinalando que estaria ao meu lado para concretizar esse sonho tão recente em meu coração, mas tão forte. A única condição que ele impôs foi que a gente fizesse uma reserva financeira para esse fim.
Em outubro/15 tive a alta médica, já poderíamos tentar, mas o marido pediu para aguardarmos até o começo de 2016 para conversarmos, pois ele ainda estava amadurecendo a ideia. Na noite do dia 01/01/2016 tivemos a nossa conversa: ele me disse não estar pronto para a paternidade, pela responsabilidade em si e também pelo fator financeiro. Ali, naquele dia primeiro de janeiro ele me liberou dos votos do casamento caso eu insistisse na gravidez (jeito delicado dele para falar em divórcio).
Com o coração dilacerado, fiz uma análise sobre nossa relação, meus sentimentos por ele e as finanças. Desistir da Catarina não passou pela minha cabeça, mas objetivamente, se eu fosse partir para uma produção independente (que era meu plano B) precisaria de um respaldo financeiro que não dispunha naquele momento. Logo, me divorciar o amando e sem condições financeiras para concretizar meu sonho não fazia sentido para mim. Postergamos a nossa decisão para quando atingíssemos a estabilidade que ele julgava segura, para então vermos se, com essa segurança material, ele daria esse passo ao meu lado.
Nesse meio tempo, como não usávamos nenhum método contraceptivo, todo mês achava que podia estar grávida. Nesse trajeto recebi alguns negativos, mas os planos de Deus estão sempre acima dos nossos e, durante essa minha espera pelas condições mais favoráveis na opinião do marido, engravidei em maio/16, no mês que me parecia o menos provável.
Tive meu positivo em 08/06/16 e assim que vi a segunda listra ali naquele teste, forte e inquestionável, a felicidade me transbordou. Comecei a chorar e me ajoelhei no chão do banheiro em gratidão a Deus. Meu bebê havia escolhido a hora dele!!! Em seguida veio o medo: como meu marido reagiria? Cheguei a cogitar só contar a ele após o beta por receio de como ele reagiria à notícia, porém não consegui. Assim que o vi revelei que estava grávida e a reação foi ótima. Ele me abraçou, disse ter ficado feliz e que a felicidade que estava sentindo era uma surpresa, inclusive para ele.
Com 16 semanas de gestação, na véspera do ultrassom para tentar descobrir o sexo sonhei mais uma vez. Desta vez, uma conhecida me recitava um poema, do qual apenas lembro o final: “A Priscila pediu e um jardim com Catarina Deus enviou”. Imaginem meu choque quando o médico confirmou ser uma menina. Eu estou gerando a Catarina! Seria possível que eu já sonhasse com a minha filha meses antes de engravidar? Fiquei atônita alguns dias e muito feliz, claro. A Catarina encontrou seu caminho até mim!
Hoje estou com 29 semanas e a gestação (embora seja de risco por conta da trombofilia e requeira aplicações injetáveis diárias de anticoagulante) está indo bem.
Tudo o que passei me trouxe algumas lições: a) Nunca dizer nunca. Só muda de opinião, quem tem e b) Deus cuida de tudo. As coisas acontecem sempre no tempo e do jeito d’Ele.
Em tudo há uma lição, principalmente nas dificuldades e acredito que Deus não nos dá um sonho que não seja possível concretizar, por isso digo a todas que estão na luta, em tentativas naturais, tratamentos ou na fila de adoção: vai valer a pena e um dia todo o sofrimento sequer será lembrado. Deus não falha nunca!

27 nov
Lígia e suas 3 vitórias!!!

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Hoje lhes trago a historia da Lígia. Mais um presente que o instagram me apresentou, escritora da página @li.mamae. Após uma luta de anos, 2 abortos, uma gravidez ectópica e uma anembrionária, é a mamãe do príncipe Gustavo e da duplinha linda das gêmeas Nicole e Marina. Com vocês um pouco de TUDO isso, contada pela própria Lígia, mais uma história para emocionar e trazer esperança a todas que estão nesta espera. TUDO valerá a pena!

Casamos bem novinhos. Eu com 23 e o papai com 26. Uns três anos depois começamos pensar em ter filhos. Quatro anos depois engravidei pela primeira vez com a ajuda de indutores da ovulação, já que esse era o único motivo (aparente) para não conseguir engravidar. Perdi o bebê antes mesmo da primeira ultrassonografia. Mais dois anos de tentativas e finalmente aceitei a ideia de procurar um especialista em reprodução assistida. Muitos outros exames depois constatamos que além das dificuldades de ovulação meu marido tinha uma leve alteração na motilidade dos espermatozoides, que não impedia uma gravidez espontânea mas era mais um motivo para dificultar. Partimos então para uma Inseminação Artificial, e na primeira tentativa positivo. Um beta HCG meio baixo, que não aumentava muito, mas lá estava meu bebê, com batimentos cardíacos. Poucos dias depois comecei ter um sangramento e na ultra lá estava mais uma derrota. Ausência dos batimentos cardíacos no embrião. Fizemos mais três Inseminações sem sucesso e então partimos para a FIV. Sabendo como meu corpo respondia com as medicações meu médico foi super cauteloso na indução, mas mesmo assim tive muitos folículos e foram aspirados 32 óvulos! Desses, 22 estavam maduros e 18 fertilizaram. Dos 18 tivemos 14 bons embriões que continuaram se desenvolvendo após o segundo dia. Três dias depois retornamos a clínica felizes da vida para ¨buscar¨ nosso bebê, mas ao fazer uma ultrassonografia meu médico viu que eu estava com líquido na cavidade abdominal, e optou por não fazer a transferência naquele dia, congelando todos os embriões. Voltei para casa muito frustrada, com medo de não dar certo depois com os embriões congelados e triste porque na minha cabeça já voltaria grávida para casa. Hoje sei quão prudente e correto foi meu médico , meu anjo Dr. Waldemar. Um mês depois, já recuperada de tudo e com o endométrio preparado fizemos a transferência de dois lindos embriões. Doze dias depois um beta positivo. E mais uma vez comecei ter um sangramento, dessa vez muito intenso! Estava de 5 semanas e 4 dias, fizemos uma ultra e o saco gestacional estava lá, bem redondinho, o que tranquilizou meu médico porém o fez pensar em todas as possibilidades para esse sangramento. Saí do consultório direto para uma clínica que trabalha com imunologia e reprodução, e fiz a primeira aplicação de Imunoglobulina. Saí dessa clínica direto para o hospital para internar. Dois dias depois fui fazer a primeira ultra lá no hospital (depois da hemorragia naquele dia que só tínhamos visualizado o saco gestacional) nunca, nunca vou me esquecer os segundos de angustia que vivi antes de ouvir do médico ¨ estou visualizando o embrião e tem batimentos cardíacos!¨ A partir daquele dia passei a acreditar que poderia dar certo, mesmo com o sangramento e com muitos betas que não subiam como esperávamos. Uma semana de hospital e vim para casa continuar meu repouso absoluto! Só me levantava para ir ao banheiro. Com 12 semanas estava tudo perfeitamente normal e voltei a fazer tudo, inclusive trabalhar… Fiz uso da imunoglobulina até o sétimo mês de gestação e meu príncipe nasceu de parto cesárea, com 39 semanas de uma gravidez tranquila passado o primeiro trimestre.
Então quando meu filho estava com 1 ano e 7 meses de idade engravidei mais uma vez, naturalmente. Estava muito tranquila achando que nada mais daria errado. Mas na primeira ultra nada de ver o saco gestacional. Uma semana depois e com uma dor chatinha do lado direito conseguimos visualizar o embrião com batimentos cardíacos presentes , na trompa direita. Gestação ectópica. Retirei a trompa e deixei a vida rolar… Sempre tive vontade de ter mais filhos mas não pensava em realizar outro tratamento. E então quatro anos depois da ectópica mais um positivo! Nada de sangramento, beta bonitinho… e nada de aparecer embrião. Fui três semanas seguidas fazer ultras com meu médico, ele sempre me animando dizendo que a ovulação poderia ter acontecido depois do que eu imaginava. Mas eu sabia o dia exato, e sabia que algo estava errado. De novo. E então confirmamos que nossa quinta gestação era anembrionária, em que existe o saco gestacional mas não existe o embrião. E foi dessa vez que o desejo de ter o segundo filho ganhou força. Foi ali que pensei que podia ser um sinal para eu fazer novamente a minha parte e contar com a ajuda da medicina. E foi meu anjo, mais uma vez, que me incentivou a tentar com meus embriões congelados lá atrás.. 6 anos atrás! E assim fizemos, transferimos três embriões (tinha 12 congelados, descongelamos 6 e sobreviveram esses 3). E o resto da história esta aqui.. minhas pequenas princesas que chegaram com 37 semanas de uma gestação absolutamente perfeita, tranquila, sem intercorrência nenhuma, no auge dos meus 40 anos!
Costumo dizer que tudo tem um porquê, e na minha história tive muitos, mas hoje compreendo a importância de cada uma deles para conseguir estar realizada como estou .

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08 nov
Cartinhas para a Cegonha

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Hoje lhes trago um post carregado de emoção, escrito pela Amora, autora que escreve divinamente Cartinhas para a Cegonha através do seu Instagram @cartinhasparaacegonha que assim se chama, e que há pouco lançou um livro lindo também com o mesmo título, nos brindando suas ricas palavras escritas puramente com o coração e seu desejo latente de ser mãe. Hoje ela carrega no ventre o seu sonho que já é realidade e lhe chuta dia após dia avisando que já já estará chegando nessas mais de 38 semanas de conexão com esta mãe linda, de coração gigante que o carrega, e com quem eu tive o prazer de conhecer virtualmente e bater uns papinhos breves com gostinho de quero mais, e quem sabe algum dia lá no Rio ou aqui no Recife, eu com minhas princesas, ela com seu príncipe, como já falamos? Bem vindo Noé!!! Sei que aí dentro está gostoso, mas aqui fora te espera o melhor dos colos e uma mulher que vai te amar como ninguém, e está super ansiosa para te conhecer!
Com vocês umas palavras escritas pela Amora especialmente para mim, através do Maternidade Sonhada, o que foi uma honra e emoção grande, nos contando um pouco da sua trajetória até a Cegonha enfim acertar o seu endereço…

“Acho que o nome do seu Instagram me define: Maternidade Sonhada! Não sei dizer exatamente o dia em que esse grande desejo de ser mãe, se manifestou na minha vida. A impressão que tenho é de que nasceu comigo. Que algumas vezes despertava e, por algum motivo eu o fazia adormecer. Mas o sonho venceu ou ia vencendo um pouquinho a cada dia. Pulsava dentro de mim e eu desejava, a cada dia mais, o que para muitas mulheres pode ser bem simples: ser mãe! Eu pensava que a partir da decisão, era parar com o anticoncepcional, enviar uma cartinha para a cegonha, manifestando o interesse e pronto! Dentro de alguns meses estaria com o bebê no colo ou, ao menos, na barriga, despendendo da demanda na fábrica de bebês. Um ano se passou e nada. Dois anos se passaram e nenhum sinal. Todos os meses, novas tentativas, velhos ou novos exames, médicos, consultas, esperanças e frustrações.
Não entendia mais nada. Inúmeras vezes eu e meu marido nos programamos em função de uma tão sonhada gravidez. Inúmeras vezes adiamos ou estendemos projetos, viagens, programas. Sempre tinha aquele dúvida: e se eu estiver grávida? Procurava a cegonha por todos os cantos, tentei elaborar diversas estratégias de comunicação mas a impressão que eu tinha é que ela nem sabia da minha existência ou até, na pior das hipóteses, sem saber, eu tinha feito algo que a tinha magoado profundamente. E, nessa brincadeira nada divertida de caça á cegonha, mais um ano se passava. Durante esse período, me consultei com alguns médicos diferentes que mandavam repetir os mesmos exames e que me faziam ouvir sempre a mesma resposta: nada consta! Meu marido também a essa altura já tinha feito e refeito os exames e o laudo era o mesmo: nada consta! Ninguém em praticamente três anos conseguia nos explicar o motivo do descaso da cegonha conosco.
Decidimos então, procurar ajuda de um especialista para tentar detectar algum empecilho que, até então, nenhum ginecologista tinha identificado. Minha cabeça já estava a mil, pensando em milhares de coisas e o coraçãozinho acelerado, sem saber para onde, aquilo tudo me levaria.
Foi neste momento, imaginando que a primeira coisa que o especialista iria me recomendar, seria uma fertilização, que decidi escrever sobre todo esse processo. Criei um Instagram para tentar um novo canal de comunicação com a cegonha, para contar sobre o que viveria e sobretudo, como uma forma de extrapolar essa enxurrada de emoções. Hoje, acho que foi uma das melhores coisas que fiz. Através destas cartinhas, conseguia a cada dia, ultrapassar um pouco das minhas dores. Pode parecer infantil para algumas pessoas mas era um respiro para mim. Sim, um universo paralelo, mas tão real, que fazia com que eu me sentisse cada dia mais viva. Como uma terapia, uma maneira de desopilar. E até mesmo uma forma de dar a mim mesma algum tipo de esperança. Quando minhas tentativas não davam certo, imediatamente minha imaginação criava alguma coisa na fábrica da cegonha. Imaginava uma carta perdida, um bebezinho esquecido, ou até mesmo uma grande produção que, em algum momento, traria o meu bebê. Sempre fui apaixonada pelas palavras e através delas, me manifesto. Me recrio, coloco para fora minhas sensações e desejos mais íntimos. Já fui questionada e criticada por acreditar que a cegonha traria meu bebê. Talvez estas pessoas não entendam que tudo é permitido neste universo, sobretudo o que nos faz bem. O que nos tira um pouco desta realidade sensata e dura. O que nos permite imaginar, criar, sonhar e acreditar.
Conheci pessoas incríveis que serviram de inspiração durante esse processo. Pessoas que enfrentaram todos os tipos de obstáculos para ter seu filho, do ventre ou do coração. Na linguagem do amor, na qual o sonho é a maternidade isso não se difere. Pessoas que sem, muitas vezes sem saber, me puxavam para frente e não deixavam que um obstáculo me estagnasse.
Através destas relações, de depoimentos que li e, devido ao carinho do meu médico, descobri uma das causas que impediam a chegada da cegonha por aqui: a endometriose. Por mais que nenhum exame anterior tivesse apontado algum sinal da doença, meu médico, insistiu para que eu fizesse a cirurgia, antes de um processo de Fertilização e, para nosso surpresa, depois de anos, tínhamos encontrado um obstáculo palpável chamado endometriose. Se, por um lado, descobrir que eu era portadora da doença, me assustava, por outro, uma certeza me animava: eu tinha encontrado um médico, um especialista maravilhoso e com um coração de ouro que me levaria de alguma forma até a cegonha.
Foi então que, seis meses após a cirurgia e ainda sem nenhum retorno da tal cegonha, meu médico sugeriu que partíssemos para a fertilização. O que para mim, há tempos atrás, era algo tão distante, estava a minha frente. Fomos com tudo! Cada novo exame uma esperança, cada picadinha, um passo mais perto. É uma montanha russa de emoções. Eu só queria acreditar! Agradecia cada dor porque representavam essa oportunidade e mais uma grande chance para a realização do mais lindo sonho. Foi então, que, sim, depois de quatro anos de espera, na minha primeira Fertilização, eu encontrei com a Cegonha!
Jamais conseguirei descrever com detalhes esse momento. Só lembro de chorar, abraçada com o meu marido e de agradecer. De gargalhar e chorar. De fechar e abrir os olhos. De deitar na grama e olhar para o céu de ter a certeza que lá estava ela. A cegonha! E na trouxinha, o mais lindo de todos os bebezinhos que, a partir daquele momento, já estava na minha barriga. Sim, dentro de mim batiam dois corações.
38 semanas se passaram e parece que ainda estou sonhando. Acho que vivi as semanas mais lindas e felizes da minha vida. Acordar cada dia, olhar para a barriga, sentir os movimentos, saber que são de verdade, até hoje me emociona. Perceber as transformações do corpo, das perspectivas de vida, das prioridades. A magia de cada novo momento, de cada nova semana e agora, da proximidade olhar nos olhos do meu tão esperado novo amor.
Conheci diversas histórias, participei de momentos difíceis e de muitas alegrias. Conheci mulheres que não mediram esforços para superar cada dia a desgastante rotina de uti quando seus bebês nasceram pré matutos. Conheci mulheres que não mediram esforços para encontrar seus bebezinhos que alguma funcionária da cegonha entregou no lugar errado. Que enfrentaram as mais diversas burocracias para adotar seus bebezinhos. Conheci mulheres que não mediram esforços em busca de tratamentos. Cada uma com seu caminho, cada uma com sua história. Mães, mães, mães, todas movidas pelo amor e pela Maternidade Sonhada.”

Que Deus os abençoe neste encontro mágico e sonhado que se aproxima!

06 nov
E a cegonha lhes trouxe Alice e Clara!

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E hoje lhes trago a historia da mamãe Ivna. Eu acompanhava sua página no instagram que se chama @chega_cegonha e lembrava que havia lido há pouco que estava em vias de partir para outra fertilização, também me lembrava que meses atrás havia lido que tinha se inscrito no Cadastro Nacional de Adoção, quando na semana passada me deparo com a foto de duas bebês lindas que haviam chegado para realizar o seu sonho da maternidade. Me emocionei e logo a contactei, e a convidei para nos vir contar sua linda história, que deixou a mim e a várias seguidoras curiosas… Preparadas?

“Eu e meu marido estamos juntos há 5 anos (2 anos de namoro e 3 de casados), decidimos engravidar em abril de 2014, em uma viagem para os Estados Unidos. Pensávamos nós que escolheríamos o melhor momento para tal, assim de fácil… Meu irmão é ginecologista, fez o cálculo de quando eu deveria ovular e me receitou um indutor que comprei no aeroporto de São Paulo, antes de embarcar. Tudo certo, fizemos bem a “tarefa de casa”, namoramos muito, mas não voltei grávida, como assim esperava.
O tempo foi passando e resolvi começar a pesquisar se haveria algo de anormal que nos impedisse a gravidez, fui revirada pelo avesso e nada de anormal foi diagnosticado. A única coisa que fugia do padrão normal era meu endométrio que sempre se apresentava em torno de 7mm, não chegava a ser diagnosticado como atrófico, mas também não era o ideal para uma possível gravidez.
Foi quando foi sugerido uma videolaparoscopia diagnóstica onde foram detectados alguns poucos focos de endometriose, porém o médico foi categórico em dizer que somente isso não seria o que se justificasse um motivo para infertilidade.
Seguimos tentando e após um ano de tentativas resolvemos procurar ajuda de especialistas em reprodução assistida. Fizemos vários exames, entre eles histerossalpingografia e exames de trombofilia. Decidimos fazer vários ciclos de coito programado e nada. Foi quando resolvemos partir para fertilização in vitro. Tive 5 embriões. Após 6 meses da punção, quando tive um endométrio lindo de 8.9mm, transferimos 3 lindos embriões, tudo conspirava para dar certo, exames hormonais normais, endométrio trilaminar e de bom tamanho, embriões de qualidade excelente e para nossa tristeza recebemos o negativo…
Paralelamente a FIV decidimos dar entrada nos papéis para adoção, queríamos ser pais e aquela demora nos angustiava. Engravidamos do coração ao mesmo tempo que tentávamos a gravidez através de tratamento.
Pelo que sempre soubemos, a habilitação não demoraria tanto em se concretizar, porém aparecer uma criança sim… O juiz estava de férias, então só no mês seguinte ele começou a despachar, mas após o seu despacho surpreendentemente o processo correu muito rápido. Em um mês tivemos a visita da assistente, a manifestação do Ministério Público e a sentença do Juiz. Ficamos impressionados como tudo correu mais rápido do que imaginávamos e mal sabíamos o que em breve nos esperaria…
Após aquela tentativa de FIV passamos alguns meses esperando um endométrio favorável para transferência dos dois embriões que ainda tínhamos congelados. No dia 10 de outubro último fiz uma ultrassom e o endométrio não estava legal, o médico então pediu para eu tomar uma medicação e retornar no dia 12 para avaliar, foi quando no dia 11 o telefone tocou… Era a assistente social que nos ligava para falar de umas bebês gêmeas… Dia 12 já não retornei ao médico, estava eu em “trabalho de parto” a espera das minhas filhas! A chegada delas foi uma grande surpresa pois estávamos há apenas 2 meses na fila para adoção. Compramos todo o enxoval em um dia! Foi um verdadeiro multirão da família que nos ajudou a organizar tudo para a chegada delas!
E no dia em que as conhecemos, tivemos a certeza ABSOLUTA que elas nasceram para serem nossas, minhas filhas! Me fazendo sentir a mulher mais completa e realizada do mundo, a mãe da Alice e da Clara. E como me disse Taci: “tinha que ser assim, tinha que ser dessa forma, tinha que ser elas, exatamente elas!”
O que farei com aqueles congelados que estava prestes a transferir? No momento e por um tempo ficarão ali guardadinhos para quem sabe um dia transferi-los, agora o momento é de cuidar delas, das princesas da minha vida.”

Mais uma história para lhes encher os corações de esperança, tendo a certeza de que o tempo e os planos de Deus são perfeitos para nossas vidas! Bem vindas Alice e Clara! Parabéns MAMÃE Ivna!