25 ago
Dr. Armínio

arminio

Hoje foi dia de reencontro! Para muitas que tinham curiosidade em saber quem foi o médico da minha primeira vitória… Lhes apresento: Dr.Armínio Collier! Ético, competente, dedicado, “parceiro”! Quando falo -e não canso de repetir- que a empatia deve ser obrigatória entre médico e paciente, principalmente no ramo da Reprodução Assistida, não é à toa. Foi o que existiu desde o primeiro momento, desde a primeira consulta, consulta aquela que tinha de tudo para ser a pior das consultas, sendo diagnosticada minha falência ovariana, e onde ele foi muito sincero comigo quanto as baixas chances de dar certo, mas que ao mesmo tempo me alentou que não eram nulas as chances, apenas mais baixas que as normais para uma mulher aos 31 anos de idade e daí me “convidou” a agarrar aquela oportunidade juntos para… GANHAR! E o resultado? Se chama Mariana! E assim foi que ele nos conquistou, e a ele toda nossa eterna admiração e gratidão! Querido Dr. Armínio, foi tão bom lhe rever hoje, rápido mas o suficiente para matar a saudade de estar novamente a sua frente, reconhecendo a sua grandeza, curtindo do seu sorriso que consigo arrancar automaticamente e reafirmando o excelente médico que foi decisivo na nossa caminhada. Todo o meu carinho!

02 ago
Bendita Progesterona!
progesterona
No último post sobre minha história terminei lhes contando sobre a emoção do tão sonhado resultado do beta positivo. Neste mesmo dia voltei para casa da minha mãe e não paravam os parabéns de todos os lados! A sensação era que estava sonhando, sensação esta que me acompanhou por diversos momentos até a hora do parto, acreditem! Havia chegado a minha hora após tanta luta e a ficha demorou a cair…
Sentia umas leves cólicas naquele dia, me chamou atenção e não lhes nego que desde então já estava um pouco apreensiva, mas pelo que tanto já havia pesquisado muitas mulheres sentem cólicas no início da gestação… No final da tarde recebo uma ligação do meu médico. Na hora do resultado do beta hcg eu já havia ligado para lhe avisar e ele ficou muito feliz, e me comentou que ainda faltaria sair o resultado da progesterona, que ele além do beta hcg já requisita para avaliar como anda o nível de progesterona que é de extrema importância para evolução da gestação. Pois bem! Atendo o telefone eufórica e de repente o escuto do outro lado da linha:
-Tudo bem? Como você está se sentindo?
-Muito feliz doutor!
-Além disso, algum sintoma? Está sentindo cólicas?
-Sim, estou sentindo umas colicazinhas mais fortes…
-Deite e fique de repouso. Sua progesterona deu bem baixa… Enviarei um enfermeiro para já começar aplicação de progesterona injetável. Vamos nos falando.
-Ok…
Naquele momento a euforia foi pausada pelo medo, não tive como controlar o receio de que não evoluísse a gestação. Fui direto para cama e fiquei ali imóvel. Já era final de tarde e mamãe já tinha chamado meus irmãos para ir para sua casa para festejarmos. Chegou o enfermeiro e me aplicou a progesterona injetável. Já vinha utilizando cápsulas de progesterona, mas o nível da minha progesterona estava tão baixo que necessitava esse suporte das injetáveis a mais.
Naquele mesmo dia do beta recebi os primeiros presentes para o bebê. A vitória não era só minha, a vitória era de muita gente amada que vinha torcendo há anos por nós. Primeiro chegou o maridão com umas flores lindas e um cartão mais lindo ainda… Nos abraçamos por minutos sem fim, não falávamos nada, as lágrimas escorriam pelos nossos rostos, mas dessa vez acompanhadas por sorrisos. Fomos dois bravos guerreiros e mais do que ninguém ele sabia o quanto sofremos e lutamos até aquele dia. E mesmo assim, com essa novidade da progesterona baixa, sentia que a luta ainda não havia acabado, mas também acreditava no fundo que daria certo. Meus irmãos chegaram, cada um com um presentinho, roupinhas, uma pelúcia, todos vibrando!
Segui sendo extremamente obediente e a pizza comi na cama, nem me levantei para compartilhar com eles na sala. Em primeiro lugar estava o repouso e todo cuidado que pudesse ter com o meu bem mais precioso que carregava ali no meu ventre.
A minha progesterona era rebelde, durante os dias seguidos continuei tomando diariamente a progesterona injetável e cheguei a repetir o exame e continuava baixa para uma gestante. O repouso era essencial, entrei com licença médica no trabalho e a determinação era de uso de progesterona injetável diariamente até o final do primeiro semestre de gestação, e assim foi feito.
Se dóia? Dóia sim, a agulha era enorme e grossa, a injeção era tipo oleosa, mas nada chegava aos pés do meu amor por aquele estado, estar grávida era tudo o que mais queria na vida, gestar meu filho estava além de dor, estava acima de qualquer coisa e por ele faria tudo o que me dissessem que seria para o seu bem, desde já. Durante todas as aplicações eu agradecia cada picadinha, picadinha esta que estaria me ajudando a alcançar meu grande sonho.
Um dia fui ao banheiro e tive um pequeno sangramento, me lembro que fiquei sentada observando aquele pouco de sangue e meu mundo parou. Senti literalmente meu coração doer, tive medo, muito medo. Deitei e liguei para o médico e a ordem era repouso absoluto e ultrassonografia no dia seguinte para observar… Acredito que foi um dos dias mais longos da minha vida. Não havia o que fazer, estava tomando dosagem máxima de progesterona, agora me restava apenas esperar.
Fui à clínica no outro dia logo cedo para fazer a ultra. Dirigir já não fazia parte da minha vida que girava em torno daquela gestação, e o menor esforço não era sequer cogitado pela minha pessoa. Entramos para ultra, vimos a imagem e lá estava o nosso bebê bem, graças a Deus!
Durante todo primeiro trimestre o repouso foi absoluto, a progesterona era rebelde e insistia em não subir ao nível ideal. Era viver um dia de cada vez, com muita fé e esperança dentro de mim. Eu havia conseguido e não queria nem pensar na hipótese de perder, eu já havia vencido e ponto final.

 

05 jul
Barriga Sonhada

barrigasonhada

Hoje entrei ao quarto das meninas e “congelei” em frente a esta foto que tenho num porta retrato… Gente, já se passaram 8 anos deste barrigão e muitas vezes ainda me pego perguntando se foi verdade… Juro! Sonhei tanto, mas tanto, mas taaaaaaaanto com essa barriga que só quem sonha pode entender o que estou dizendo… Me senti desde o primeiro segundo da gravidez  a mulher mais poderosa da face da terra, minha barriga então era o símbolo e trunfo da minha suada vitória e eu a amei desde o primeiro segundo.
Com um mês de gestação ela já se visualizava, aliás eu fazia questão absoluta de que se mostrasse, que aparecesse. A tinha leve e solta para aproveitar desde o primeiro instante dos títulos gestante, grávida, futura mamãe e o mais lindo de todos: MÃE!!!
Minha barriga por 38 semanas era a parte do meu corpo que mais amava, idolatrava e cuidava! Afinal dentro dela estava o meu maior tesouro. Tesouro este que foi tão esperado e sonhado e naquele momento estava ali, dentro de mim!
Quantas e quantas vezes me acordava um pouco assustada para confirmar uma vez mais que era verdade! E tocava na minha barriga e respirava aliviada… ai, ai… Tive uma gravidez de risco, com alguns sustos a princípio, minha progesterona insistia em não subir , o que é determinante para a evolução da gestação, num outro post lhes contarei bem sobre este tema, mas hoje minhas queridas quero lhes falar dela: da minha tão sonhada barriga!
Foram minutos infinitos ali parada em frente daquela foto até ser “despertada” por gritinhos das duas princesas que, sem eu perceber, estavam ao meu lado a admirar e sorrir com a cena, até que escuto uma meiga voz: “mamãe, o que você está fazendo aí?” Voltei então à doce realidade! Mas fiquei com a foto na minha cabeça e vim aqui dividir com vocês que sonharam ou ainda sonham demais em se ver assim!
Foram tantas as incógnitas até gestar que quando assim me encontrei foram meses curtindo e super atenta à estrela da minha vida: minha barriga, que diga-se de passagem foi uma barriga enorme e linda!
Jamais esquecerei da primeira vez que senti a minha Nana mexer… O quanto esperei por isso! O quanto imaginei como seria até que chegou o dia! Estava com minha irmã quando de repente… sentí! Sentí algo diferente, sentí uma cosquinha dentro de mim, era meu bebê (ainda não sabia o sexo), era o primeiro sinal que sentia plenamente sua presença. Mágico, único, sublime! Foi muito rápido, mas o necessário para me fazer emocionar bastante, e partir daquele momento ela se amostrava de tanto mexer e eu amava cada mexida óbvio!
Então a tal barriga sonhada continuará existindo no meu coração para sempre. Fecho os olhos e posso me ver gravidíssima, e meu coração se alegra pela dádiva alcançada.
Mais na frente falarei da minha outra barriga combinado? Barriga esta que a foto fica do lado da barriga sonhada e que posso entitulá-la de barriga inesperada e que me desarmou de tanta emoção e surpresa… A barriga da minha Tina, meu milagre.
Que fique como ânimo e estímulo para que sigas e se não for com essa barriga física que seja pela gestação do coração, que com certeza também irá tomar conta do seu ser nessa espera do filho que chegará a qualquer momento!
A seguir sonhando e acreditando, sempre!!!
16 jun
Enfim… POSITIVO!!!!!!!!
betapositivo
Havia chegado o grande e tão esperado dia do beta… Era a terceira fertilização e possivelmente seria a última… Foram dias intensos de muita ansiedade, de muita entrega e fé. Estava consciente de que havia lutado ao máximo, foram 6 anos de espera e busca e agora já estaria decidido, o que fosse melhor para mim aconteceria… Mas claro que o que mais queria na vida era o tão sonhado positivo.
Acordei cedinho e fui ao laboratório acompanhada da minha mãe, o marido havia chegado de uma viagem longa e foi trabalhar. Nas vésperas do exame procuramos saber qual seria o laboratório que entregaria mais rapidamente o resultado e lá fomos nós naquele laboratório que não ficava muito perto de casa, mas que valeria a pena as horas a menos para já acabar com esse suspense.
Voltamos para casa, esperamos as horas e na hora precisa para entrega do resultado lá estávamos, na porta do laboratório. Não havia onde estacionar, então minha mãe se ofereceu para pegar o resultado e eu fiquei no carro. Combinamos que ela pegaria e não abriria, que veríamos juntas, e assim foi feito. Coração acelerado… E via que lá vinha a minha mãezinha com o papel do resultado em mãos, estava ali tudo o que eu mais queria ler na vida, estava ali a resposta das orações, dos últimos dias, dos últimos anos!
Mamãe entra no carro, nos olhamos, nos abraçamos e eu digo: “que seja feita a Sua Vontade meu Deus!” Respirei fundo e abri… Visualizei logo um número, número este que JAMAIS esquecerei: 271! Uma emoção indescritível. “Mamãe, estou grávida, chegou o meu dia!” Nos abraçamos, choramos MUITO, e em meio a tudo isso parei e pedi para ela ler o exame e confirmar bem. Eu sabia que acima de 32 mUI/ml seria positivo, mas queria que ela reconfirmasse, e assim foi feito. Eu estava grávida, eu seria mamãe, meu sonho agora era doce realidade, após 6 anos de luta, endometriose severa diagnosticada, 2 cirurgias, tratamentos hormonais, 1 inseminação, 3 fertilizações in vitro, falência ovariana comprovada… TUDO ficaria para trás, eu tinha vencido! De imediato liguei para o marido, ele que estava trabalhando e aguardando esta ligação ansiosamente, ele que foi um companheiro ímpar, que me fez seguir e não desistir,  me apoiando incondicionalmente e me fazendo sentir uma admirável e linda guerreira durante todos esses anos, ele estava no meio de uma reunião e pediu licença aos presentes para atender. Ele imaginava que eu já saberia o resultado. Quando escutei o seu alô do outro lado da linha veio um choro que acredito ter guardado durante muito tempo, um choro de desabafo, um choro gostoso, intenso, e uma emoção única, e em meio as lágrimas respondi àquele alô com a palavra “papai”, chorava e repetia: “papai, papai, papai”. Devido ao nervorsismo dele e minha voz super embargada pelo choro, ele nāo entendia exatamente o que eu falava, aliás, ele queria entender claramente e confirmar o que estava supondo.
“Taci, deu positivo? Você está grávida? Me responda!”
“SIIIIIIIIIMMMMMMM, chegou nosso dia meu amor, estamos grávidos!”
Queridas, é uma sensação única pela qual vocês irão passar ao confirmar a gestação ou ao confirmar a vinda do seu filho do coração. O dia dessa certeza é o dia em que a partir daquele instante, você já começa a apagar todos capítulos difíceis já enfrentados. E neste mesmo dia você já começará a entender bem quando lhes digo que TUDO valeu a pena!
Dia 6 de Novembro de 2006, dia escolhido para mim. Dia que jamais esquecerei. Dia em que a maternidade sonhada começaria a se tornar realidade. Dia da minha vitória! Da minha primeira vitória…
12 jun
O Cartão Portal

cartao

“Admiro a NOSSA luta, admiro a tua luta, por isso que tanto desejamos. Torço muito por NOSSOS sonhos virarem realidade”. Trecho do lindo texto escrito pelo marido num cartão postal enviado para mim, enquanto ele viajava a trabalho, nos dias prévios ao resultado do beta HCG, na terceira fertilização in vitro.
Divido com vocês, para que observem o apoio incondicional e a luta enfrentada JUNTOS. Não era a minha luta para ser mãe, nem apenas a dele para ser pai, era uma luta a dois em busca de um sonho comum e sempre deixando em evidência que antes de qualquer resultado estaria o casal, sempre um ao lado do outro, para o que der e vier.
E esta é a idéia pessoal, a caminhada a dois assim se torna bem mais leve, e essa certeza de que aconteça sempre estaremos unidos conforta demais…
Fica então essa mensagem para reflexão para você e seu companheiro. Que caminhem juntos, um apoiando o outro, um cuidando do outro, um torcendo pelo outro, sonhando JUNTOS pelo filho que virá, mas sem esquecer de vocês.
Aproveito para deixar aqui minha homenagem a você Mariano que foi e é um parceiro ímpar de caminhada, você que jamais me deixou desistir e me entregar. Você que apesar de tudo só somava e me fazia sentir especial, me admirando e me fazendo sentir uma guerreira linda e determinada, que lutava bravamente pelo nosso maior sonho.

 

04 jun
A infinita espera pelo resultado do beta…

beta

Meninas, hoje lhes falarei um pouco sobre a espera infinita que sucede nas duas semanas pós tratamento, a espera do dia do beta hcg… São dias que não passam, são horas que se prolongam, são minutos eternos.
Um explosão de sentimentos que se turnam dentro da gente, ansiedade constante, esperança, ilusão, desilusão, medo, euforia, alegria, tristeza, desespero, calma, nervosismo… e por aí vai… É uma verdadeira roda gigante emocional, difícil de controlar. Somos humanas e estamos naquele momento vivendo a maior das incertezas,e o que mais desejamos é que seja logo o tão sonhado dia do beta, dia esse que parece não chegar nunca!
A sensação que se sente é que se passa um ano, mas não passam essas duas semanas  de espera, para se confirmar o que está já decidido e confirmado para nossas vidas, mas que ainda não sabemos. É chegado o momento após a transferência dos embriões que não podemos fazer mais nada, que a “sorte” está lançada e o que nos resta é esperar, e essa espera em geral é cruel em alguns instantes.
Saber que dentro da gente pode estar ele, o filho tão sonhado já crescendo! Mas que também dentro da gente possa ainda não haver “nada”, apenas um vazio maior que tudo… E é nessa incerteza que ficamos a mercê do tempo, dessa espera que se alarga e muitas vezes até machuca, mas que não tem como pular esta etapa final.
Na primeira inseminação e nas duas primeiras fertilizações não cheguei ao dia do beta, passei por todo processo, mas a confirmação de que não estaria grávida se adiantava… E com ela a dor vinha junto… Mas com essa dor a vontade de ser mãe só aumentava. Incrível! Como cresci nessa caminhada e como descobri o quanto era mais forte e determinada do que eu própria imaginaria.
Na terceira fertilização tudo foi diferente, desde a mudança da equipe médica à minha postura em todo processo, mas lhes confesso que o misto de sentimentos na espera do dia do beta não foi diferente, foi diferente sim a minha postura em encarar com mais confiança e fé aqueles dias, independentemente do resultado que viria. Havia chegado num dado momento em que estava super consciente do quanto havia lutado e que tudo o que estaria ao nosso alcance tínhamos feito.
O cenário na espera daquele beta era bem diferente dos anteriores, o marido havia viajado a trabalho nas vésperas da transferência embrionária e voltaria apenas na véspera do exame, e então me mudei para a casa da minha mãe. Carinho e atenção não me faltaria, tirei 15 dias de licença para aguardar em repouso o tal dia 6 de novembro de 2006, dia estipulado pelo médico para realização de  exames, entre eles o beta HCG Quantitativo… Quantas e quantas vezes olhei para aquela requisição, algumas vezes chegava a chorar tocando aquele papel que o tenho guardado até o dia de hoje, colado no diário… Chorava conversando com Deus, colocando nas mãos DEle a decisão sobre a minha vida, sobre a maternidade tão sonhada e desejada… Foram dias enriquecedores de escutar a voz de Deus, dias de saber e sentir que aconteceria o melhor para mim, independentemente do resultado, dias de entender que o controle da minha vida não estava 100% na minhas mãos…
Os cuidados nesses dias eram redobrados em tudo, uma alimentação equilibrada, nada de esforço, ao contrário muito repouso, muita leitura,  visitas queridas, aliás só visitas queridas e que não me trouxessem mais ansiedade, e sim muita paz e bons sorrisos, isso é tão importante no processo… Sempre fui muito aberta quanto às dificuldades para engravidar mas na hora dos tratamentos evitava falar para muitas pessoas justamente para evitar dar brecha para mais ansiedade e pressão externa, e recomendo muito essa postura mais discreta em momentos de tratamentos, depois sim “boca no trombone” caso seja positivo, mas enquanto isso ficar quietinha e se resguardar é uma boa opção.
Lembro bem que na véspera do beta estava eu, minha mãe e minha irmã conversando na sala e eu me quebrei chorando muito, eu sabia que faltava horas apenas para saber o que estava reservado para mim e naquele momento desabei, eu estava cansada, eu realmente havia chegado ao meu limite e o que eu mais queria naquele momento era já saber o resultado do exame para poder seguir a minha vida.
E, enfim, chegou o dia 6 de novembro de 2006…

 

14 mai
Transferência dos Embriões
transferencia
Havia chegado a hora da transferência dos folículos… Apesar de ser a minha 3a fertilização, até então só havia chegado a esta etapa uma vez. Na primeira fertilização não houve nem sequer folículos aptos para puncionar, e na segunda transferimos apenas um embriãozinho, e como já sabem não deu certo… Essa era a 3a fertilização e provavelmente seria a última… Estávamos cansados e esgotados dessa caminhada dos últimos anos, havíamos chegado ao limite e estávamos conscientes que havíamos feito absolutamente tudo o que estaria ao nosso alcance, até que um dia decidimos que parávamos ali… Não que iria desistir de ser mãe, de forma alguma! Mas fecharia um ciclo de tentativas de ser mãe gerando no ventre e partiria para me preparar para a gestação no coração, ou seja, através da adoção. Mas, lhes confesso, que o foco ainda era todo para a possibilidade da gravidez, naquele momento.
No dia da transferência meu companheiro de jornada, meu marido, estaria viajando a trabalho e então me acompanhou a duplinha maravilhosa que também sempre esteve presente nos apoiando: minha mãezinha e minha irmã.
Após vários dia de preparação, entre remédios, hormônios, ultrassonografias e MUITA ansiedade, mas também esperança, havia chegado o momento, o grande momento de receber no meu ventre duas possíveis vidas, meus possíveis filhos, ou não… ou se confirmaria uma vez mais que ainda não seria daquela vez, ou não seria nunca daquela forma… Uma certeza eu tinha, desde o início daquela tentativa: a vontade de Deus seria feita e estava reservado o melhor para mim! Por mais difícil que fosse pensar na possibilidade de não dar certo, a minha consciência me fazia tranquilizar e minha fé me acalmava, afinal até ali não havia medido esforços, havia lutado como uma brava guerreira, não havia me intimidado com tantos baques no caminho, tinha me doado por inteiro, literalmente de corpo e alma.
Chegamos ao hospital, havia um quarto reservado para mim no andar que seria feito o procedimento. As três dissimulavam a ansiedade e nervosismo presentes. Hoje, como mãe, bem imagino o quanto a minha mãe sofreu por mim… O médico apareceu para nos dar as boas vindas, me explicou como seria tudo, me tranquilizou e me emocionou dizendo: “fizemos TUDO o que estava ao nosso alcance, agora seja feita a vontade de Deus. Está preparada? Vamos?” E um retundente “SIM, VAMOS!” Saiu da minha alma e dentro do meu coracao uma voz dizia… “vamos buscar os meus filhos para dentro de mim!”
Ao entrar na sala para transferência a bióloga da equipe me deu as boas vindas e elogiou os dois embriões dizendo que eram lindos e excelentes! Começou o ultrassom e o médico comenta que o útero e endometrio estavam perfeitos para recebê-los… Coração disparado e a oração dos últimos dias: “Seja feita a Sua Vontade!”.
Foram enfim transferidos, em seguida fui ao quarto e por orientação médica permaneci em repouso por três horas. De lá fui para casa da minha mãe aonde permaneci durante duas semanas até a volta da viagem do marido, coindicidindo com o dia em que faria o teste de gravidez… E aí começou uma longa espera…
trasbferenciadiario

 

12 abr
A Terceira FIV e os embriões a serem transferidos – A Espera

blog-mulher-voando

Foram dois dias de espera que pareciam infinitos… No dia após a função recebi um telefonema do médico. Era um sábado e estava eu na piscina do prédio acompanhada do marido, os dois super pendentes do celular. Sabíamos que a qualquer momento nos chamaria para nos dar alguma posição sobre os 3 folículos puncionados… E assim foi… estava dentro da piscina quando o celular tocou e na tela identificava o número do médico, meu marido avisou e “voei” para atendê-lo. Os 3 folículos haviam fecundados, dois estavam se desenvolvendo muito bem e o outro, segundo palavras do médico, estava “engatinhando”… Frio na barriga, mas um certo alívio… Ansiedade para já saber quantos embriões estariam aptos para serem transferidos. Nunca havia passado pela experiência de ter mais de um para transferir, na primeira não houve sequer UM nem para puncionar e na segunda fertilização houve apenas um  transferido, e como sabem não deu certo. Eu queria MUITO pelo menos dois! Sei que precisaria apenas de um para engravidar do filho tão sonhado, mas confesso que o fato da probabilidade de ter mais de um para transferência seria decisivo para eu seguir na onda de esperança instalada desde o princípio daquele tratamento.
Devido ao prognóstico inicial já nem pensava nos três, mas torcia pelo menos por dois a serem transferidos e esta resposta receberia naquele mesmo dia ou ainda no outro dia…
A partir de então não “desgrudei” do telefone e combinei com o marido de estarmos juntos o tempo todo para recebermos a notícia de quantos embriões teríamos para a tão esperada transferência. Tínhamos o casamento de uma amiga e teria que sair para comprar o presente, já que era no início da manhã não imaginaria que me ligassem e resolvi ir a loja que ficava próximo da nossa casa sozinha, já sabia o que iria comprar e seria no máximo meia hora para já estar de volta em casa com o marido na espera… Quando chego na loja o telefone toca, meu coração dispara quando vejo que era o médico! Sim! Estaria me ligando para me avisar… Tremi, MUITO!
-Taciana? Preparada para fazermos a transferência amanhã?
-Claro! Mas… de quantos?…
-De dois lindos e perfeitos.
Chorei!!!
A vendedora que me atendia, não entendia nada e de imediato foi pegar um copo de água! Eu a abraçei! Eu não tinha cabeça para mais nada! A compra ficaria para depois, precisava do abraço do marido! Precisava dividir a boa notícia com todos amados que estavam nessa pendência juntamente a mim! E foi alegria para todo lado! Marido, mãe, irmã! Eles que estavam ali passo a passo do meu lado, torcendo e sofrendo juntos.
Até hoje a funcionária daquela loja trabalha lá e todas as vezes que compareço ela me lembra do episódio, episódio esse que fez com que até ela naquele momento se envolvesse e se emocionasse. Ela diz que não esquecerá jamais da minha emoção, imagina eu…
No dia seguinte seria a tão esperada transferência dos dois embriões lindos!
esperatransf