26 mar
Pronta para Vencer – 3a FIV

mulher rezando

Após a última consulta, com o novo médico e havendo sido diagnosticada a falência ovariana precoce, estando ciente de que a porcentagem de êxito era bem inferior ao que havíamos imaginado, se passaram alguns meses para que pudéssemos nos recompor de todo aquele novo cenário a ser enfrentado.

Não foi fácil, a princípio só fazia chorar e me lamentar, mas não durou muito. Sempre fui de reagir e não me entregar às dificuldades da vida, e não seria diante do que mais queria e sonhava que eu iria fraquejar. Tomamos um tempo para nós dois, fizemos uma pequena viagem e tentamos ao máximo viver sem essa pendência que nos fazia sofrer, e conseguimos por alguns momentos!  Sempre fomos muito companheiros, e isso me sustentava e me dava força para seguir.

Até que chegou um momento em que eu senti que estava na hora de voltar para a batalha! Mas voltar para batalha não como uma perdedora que perdeu as últimas lutas, e sim como uma brava guerreira que colocaria toda fé e foco naquela que seria possivelmente sua última batalha, e que desde já dentro do meu coração não havia outro sentimento do que aquela seria A VENCIDA!

Retornamos ao médico. Após uma horinha de espera fomos chamados para entrar. Ao me aproximar da sala o médico já nos esperava com a porta aberta e um largo sorriso. Coitado, acho que ele ainda estava sensibilizado com as últimas cenas que eu tinha protagonizado na última consulta, uma mulher arrasada, cansada e entregue ao stress de uma luta de anos, mas  para surpresa dele se deparou com uma mulher determinada, forte e positiva! Definitivamente eu tinha voltado como ele tinha me pedido, tinha voltado para agarrar com unhas, dentes e coração aqueles 5% de chances da fertilização dar certo, conforme ele mesmo tinha me alertado que não era 0% e sim 5%, então naquela porcentagem poderia estar a minha vitória!

O médico se surpreendeu e se alegrou muito com a minha postura, e após combinarmos os procedimentos a seguir para a fertilização, ele demonstrou claramente que entraria na batalha conosco: para ganhar! “Tenham certeza de que o que depender de mim já deu certo. Façam a parte de vocês, que farei a minha da melhor forma, e seja o que Deus quiser.”

E assim partimos, nessa atmosfera de esperança, para mais um tratamento, aliás para O tratamento que jamais esqueceremos. Foi especial em todos os sentidos!

18 mar
Ao filho que “apenas” existia no coração

mulher-coracao-amarelo-07g

Após aquele primeiro texto escrito no dia 20/09/2006, no diário que iniciei a escrever para meu filho que estaria “a caminho”, cheguei a escrever algumas vezes mais lhe contando sobre seus pais, sobre o que eu fazia naquela época, onde o pai trabalhava, que naquele momento ele viajava demais a trabalho, onde morávamos, um pouco da nossa rotina e como já sonhávamos em vê-lo(a) ali inserido(a) no nosso dia a dia. Após essa primeira “apresentação” voltei a escrever no dia 05/10/2006 relatando um pouco em relação à 3a fertilização que já estava em curso com os medicamentos e ultrassonografia marcada para analisar como estaria respondendo aos hormônios.
No meio de tudo isso a ansiedade veio com tudo e em um desses dias foi um pouco mais forte que eu, só um pouco… e em seguida lá estava eu em pé, firme de novo, ACREDITANDO!
Mais na frente… Dia 12 de outubro de 2006: dia das crianças! E lhe escrevi para já lhe parabenizar, afinal ele ou ela já existia há alguns anos nos nossos corações!
Com vocês as fotos desses breves, mas intensos textos ao bebê que viria…

diario diario2

12 mar
O Diário

diariocapa

A 3a fertilização, como eu já lhes adiantei no post anterior, foi bem diferente de todas as outras tentativas. Por um lado, a princípio, eu e meu marido chegamos sofridos e cansados, após anos de caminhada, nos desmoronamos emocionalmente com o diagnóstico da falência ovariana precoce, descoberta nos exames prévios ao início deste tratamento, mas após tomarmos um tempo e “digerirmos” esse atual panorama, nos reerguemos diferentes, mais maduros e conscientes de que aquela seria a nossa última cartada e nossa postura foi de bravos guerreiros preparados para a grande batalha das nossas vidas.

Juntamos nossos “caquinhos” e a única palavra que nos regia era: ESPERANÇA! Estávamos conscientes de que fizemos tudo o que estaria ao nosso alcance, estávamos conscientes de que fomos ao máximo dos nossos limites e estávamos ali apostando naquela oportunidade, a abraçando de forma única.

Eu especialmente me entreguei por completo àquele momento! Não que eu não soubesse das possibilidades de não dar certo mas necessitava viver aquele momento plenamente, queria me entregar e confiar que poderia, que iria dar certo. E foi nessa convicção e esperança avassaladora que tive uma ideia de escrever um diário para meu futuro filho… Sim! Eu ainda não estava grávida, com baixas possibilidades de êxito, mas possibilidades essas que não eram nulas, possibilidades que existiam e que eu optei por me entregar por completo a elas e ACREDITAR!

Então a partir de hoje estarei compartilhando com vocês pedaços do diário escrito lá em 2006… Diário este que foi escolhido com muito carinho, com capa colorida e florida, que o abraçei e me dirigi ao caixa da papelaria com um sentimento lindo e uma vontade enorme de começar a escrever. Eu que sempre amei escrever, eu que um dia sonhei em ser jornalista e acabei me formando em direito, eu que tenho prazer em expor para fora o que penso e sinto através de palavras, lá estava eu prestes a começar a escrever para ninguém menos que… meu filho(a) que estaria a caminho! Meu filho que chegaria de alguma forma, fosse através daquele tratamento, fosse através de adoção, mas um filho que estaria reservado para mim, porque uma certeza eu tinha: eu seria mãe!

23 fev
O Início da Caminhada para a 3ª Fertilização

inicio3afiv

Já estávamos calejados e sofridos demais nesses mais de 5 anos de espera. Por um lado meu marido se preocupava muito com a quantidade de hormônio que eu vinha tomando nesses procedimentos, somado aos tratamentos da endometriose mais a inseminação e duas fertilizações, sempre necessitando do máximo permitido de quantidade hormonal em busca de uma boa resposta ovariana que não vinha… Um gasto financeiro importante e acima de tudo um desgaste emocional absurdo.

Claro que partiu dele a decisão e eu com toda dor no coração tive que admitir que já havíamos percorrido um longo caminho e que essa seria a última tentativa atrás do filho tão sonhado, através de uma gravidez. A adoção rondava a minha cabeça, com certeza seria uma possibilidade a ser abraçada após a conclusão desse processo, caso não desse certo, mas lhes confesso que sempre quis e sonhei com meu barrigão. Queria muito passar por esta experiência do gerar, não posso lhes negar, era um fato, mas claro que acima de tudo estava minha vontade de ser mãe.

Mais uma vez partiríamos para uma nova equipe médica. Já era a terceira a essa altura. Era necessário mudar. Era necessário novos ares, era necessário mudar o cenário. E lá fomos nós…

Um médico muito bem conceituado em Recife, marquei a consulta. Voltei a juntar aquela montanha de exames e fui enfim conhecê-lo. Sempre ao meu lado estava o marido, ele que me convenceu (para não dizer obrigou rsrs) a esta mudança de médico… E enfim chegou a hora de entrar ao consultório, frio na barriga, ansiedade em conhecer o novo e o que me esperaria afinal?

Na primeira consulta conversamos muito expondo o nosso histórico, os exames foram analisados e novamente os mesmos requeridos… Para mim mais uma histerolssalpingografia para variar e para o meu marido mais um espermograma para sua coleção (ele nunca reclamou, fazia parte do “pacote”…), também requisitou outros novos exames, entre eles um novo e bem caro que seria coletado para envio a São Paulo para análise da minha reserva ovariana… A primeira impressão foi muito boa, o médico nos passou muita confiança e seriedade nas suas posições. Não me iludia e não me garantia nada, mas ao mesmo tempo me passava um ar de serenidade e firmeza nas suas colocações, e isso me fez muito bem.

Fomos embora refazer todos exames e providenciar os novos requisitados. Saliento o quanto é importante a reavaliação do casal de tempos e tempos, tudo pode mudar para melhor mas também para pior e algum diagnóstico novo pode surgir, podendo ser determinante para …

Após termos todos os resultados em mãos marquei a volta ao médico para que os analisasse… Antes de entrarmos ele sempre pedia a uma funcionária para que buscasse os exames a serem analisados para só posteriormente pudéssemos entrar, estando ele já com uma visão do panorama apresentado para expor na consulta à paciente.

Chegou a nossa vez e entramos. Mal sabia eu o que estava prestes a escutar… O tal exame para a análise da reserva ovariana havia indicado falência ovariana precoce, em outras palavras eu estaria entrando precocemente na menopausa. Desabei. Chorei. Um silêncio tomou conta do ambiente. Meu marido de cabeça baixa e apertando a minha mão. O médico olhando para o nada, apenas aguardando eu me recompor. Diante da novidade o médico nos explicou então o porquê dos meus ovários não responderem bem a uma dosagem hormonal “cavalar”, devido a baixa reserva ovariana… Resolvemos seguir insistindo com meus poucos míseros óvulos… E daí a pergunta que o forcei me responder: “Dr. Com meus óvulos quantos porcentos o senhor me daria de êxito numa próxima FIV?” e eis que veio a resposta que fiquei escutando por vários dias na minha cabeçinha e que ressoava com dor no coração: 5%. Me acabei de chorar. Um silêncio ainda mais longo naquela sala. Eu quis me ausentar, disse que era melhor voltar outro dia, mas o médico não deixou e disse que só deixaria eu sair quando me visse mais tranquila, e ali somou muitos pontos mais quando nos disse que não se importava se havia espera, que aquela era nossa vez e não nos liberaria sem antes me ver um pouco mais tranquila. Quando enfim consegui me controlar lancei outra pergunta e ai escutei primeiro uma resposta que me chocou e depois uma resposta que mudou a minha postura diante do tratamento que se iniciaria mais adiante…

– Dr., devido a tudo isso, vamos então já marcar quando iniciaremos a fertilização…

-Fertilização? Com você assim? Comigo você não fará nada, por enquanto.

– O que???

– Minha filha, você está muito abalada emocionalmente, foi constatado a sua falência ovariana após todo histórico de endometriose, aderências… As chances são poucas, mas não são inexistentes. Eu não lhe disse que terias zero% de chances, eu lhe disse 5%. Então! Vá embora, se cuide, cuide da sua cabeçinha, tente relaxar e volte para GANHAR! Para se agarrar a esses 5% como sua vitória. Preciso de você entrando vitoriosa e me ajudando em todo processo, e lhe prometo que tudo o que estiver ao meu alcance, o farei para te ajudar!

Chorei! Mais uma vez, sendo que dessa vez de emoção. Tinha diante de mim um excelente médico, mas acima de tudo um médico ético e humano que em vez de “contabilizar” mais uma fertilização, pesou o sofrimento de um casal cansado e sofrido, uma mulher muito abalada emocionalmente, que precisava se cuidar, se animar e se encher de um pouco de esperança para enfrentar talvez sua última batalha naquele caminho.

Jamais esquecerei disso. E lá fomos nós respirar, nos cuidar e nos preparar para retornar – para vencer!

19 fev
O varal

varal

Ainda não terminei de lhes contar a minha história por completo… E bem sei que tem muita gente curiosa por aí para saber de mais detalhes… Mas em breve prometo soltar mais alguns capítulos determinantes e prévios ao final feliz (aliás pensava eu que era o final, não contava com um milagre mais na frente que também lhes contarei).

Mas vou pular esses capítulos e falar um pouco do turbilhão de emoções que senti novamente ao me deparar com esta foto. A foto do primeiro varal com roupas lavadinhas e estendidas da minha filha Mariana.

Gente! Lá estava eu com um barrigão quase 8 meses, ainda em repouso, quando chega o momento de que estaria na hora de ir começando a lavar as roupinhas da minha bebê, afinal daquele momento em diante teria que estar tudo já pronto para a vinda dela em algumas semanas.

A responsável em lavar suas primeiras roupinhas foi a minha mamãe, a vovó que tanto rezou e sofreu comigo. Sabãozinho de coco comprado e eu sabia que a qualquer momento já haveria algumas roupinhas lavadas, mas não imaginaria o que me esperava.

Numa manhã me despertei e me dirigi à sala. Neste dia minha mãe tinha chegado mais cedo e eu não sabia da sua presença ali. Nesse momento morava de frente para praia e o primeiro que fazia ao me acordar (após fazer o primeiro de vários xixis do dia) era ir admirar a paisagem… Quando olho para varanda me deparo com uma das paisagens mais belas e emocionantes que enxerguei até hoje: o varal repleto de roupinhas miúdas da minha FILHA tão sonhada. A ficha caiu! Ela daqui a pouco estaria comigo! Ela daqui a pouco choraria para mim, me fazendo acreditar que finalmente meu dia havia chegado! E aquela cena do varal me disse muito, me encheu o coração de uma alegria sem fim, foi um recado da minha Nana para mim avisando: falta menos mamãe, obrigada por não haver desistido de mim!!!

E chorei, chorei muito, chorei de gratidão por haver chegado naquele estágio da gestação, chorei por ter lutado ao máximo e por estar conseguindo. E várias e várias cenas me passaram na cabeça e eu não conseguia parar de olhar e babar com o tal varal… Não conseguia parar de imaginar aquelas roupinhas sendo recheadas pelo meu maior sonho, não conseguia parar de agradecer a meu Deus pela minha maior benção que crescia ali no meu ventre e que viria ao mundo para me realizar plenamente.

E as roupinhas balançavam ao vento naquela mesma varanda que por muitas vezes me pegava chorando sozinha, em silêncio, pedindo um filho a Deus… E ali estava eu agora plena e feliz na contagem regressiva, com uma ansiedade boa e de braços abertos para receber a MINHA menina, tão amada e tão desejada, tão sonhada e tão esperada, aquela menina que bem antes de nascer já era amada, a minha Mariana!

31 dez
Ano Novo e “já deu tudo certo”!

anonovo

Assim como eu, minha irmã Aline teve que se submeter a tratamentos de reprodução assistida para conseguir engravidar do seu primeiro filho, porém ela conseguiu na primeira fertilização após 2 anos de que havia liberado e esperado… E me lembro bem que algo que me marcou ao acompanhá-la naquele processo foi uma música do Padre Marcelo Rossi, que ela e meu cunhado Gustavo cantavam a todo instante que se chama: “já deu tudo certo”. Eles dois tomaram posse daquela frase de uma maneira positiva e vitoriosa que era de chamar a atenção a qualquer um. Por um lado a fé deles de que daria certo, e do outro lado a confiança de que independente do resultado eles sabiam que aconteceria em algum momento e que “já tinha dado certo”, ou seja, que aquele filho tão sonhado estava a caminho. Eles não tinham dúvidas.E você? Acredita realmente na vinda do seu filho?  Eu lembro que eu sempre tive certeza absoluta que eu seria mãe, eu sonhava, imaginava como seria e acreditava totalmente que meu filho chegaria da melhor maneira e na hora certa na minha vida. Claro que tenho que lhes confessar que em alguns momentos fraquejei e me senti cansada de esperar, mas sempre esse meu desejo de ser mãe me impulsionava a seguir e não desistir, e com certeza se conhecesse esse louvor naquela época estaria na lista de tantos outros que eu cantava e me fazia tão bem.Então? Que tal se despedir desse ano e receber 2015 repetindo e acreditando que JÁ DEU TUDO CERTO?Vamos combinar assim, a meia noite feche seus olhos e diga para você mesma esta frase com muita fé, confiando que a maternidade tão sonhada será realizada em algum momento. Seu filho virá ao mundo para você e você está aqui para ser a mãe dele! Desde já brindo por um 2015 com muitos positivos, muitas grávidas, muitos processos de adoção finalizados e finalmente encontros de pais e filhos constituindo famílias que estarão realizadas. E eu estarei por aqui vibrando por cada uma de vocês.Deus nos abençoe. Muito amor sempre!E não esqueçam: já deu TUDO certo!
Feliz ano novo!!!!!!
24 dez
Querido Papai Noel

arvorespezinhos

Querido Papai Noel,

Por cinco anos te mandei vários pedidos iguais ou similares…

-QUERO SER MÃE

-QUERO UM FILHO

-QUERO ENGRAVIDAR

E parecia que o senhor não me entendia… Chegava mais um Natal, e mais um, e mais um… e nada do meu pedido ser atendido. Ficava triste, confesso… Mas nunca me esquecia de agradecer tanto o que eu já tinha para celebrar a Noite de Natal… Um marido para sonhar junto comigo, uns pais atenciosos e sempre presentes, 3 irmãos maravilhosos, amigos verdadeiros, saúde, trabalho e motivos vários que alegrava a minha vida, mas faltava a realização daquele pedido…

Se passavam os anos e os Natais, se terminava um ano, um ciclo, e começava outro… Outro para encher meu coração de esperança e direito de me iludir de que no próximo lá estaria eu já com meu filho, nos braços ou na barriga… E nada… Até que no ano de 2006 meu Natal foi diferente! O senhor, Papai Noel, resolveu antecipar o meu presente e num dia ensolarado de outubro se confirmou o tão desejado presente que já estava no meu ventre! E como vibramos!!! Naquele ano a minha árvore era a árvore mais bela do Planeta, ela estava enfeitada só de coisas boas e a estrela que a coroava brilhava de tanta gratidão que eu carregava no meu coração!!!

Dois anos após, em 2008, acho que alguma cartinha que eu insistia em lhe mandar chegou atrasada e aquele pedido repetido chegou às suas mãos e o senhor resolveu me atender novamente, dessa vez me fazendo uma ENORME surpresa em março de 2008… Estava eu com a minha pequenina com apenas 7 meses passeando na casa do vovô argentino quando de repente comecei a não me sentir bem… Enjoada… Estava grávida de novo!!!

Poxa Papai Noel… O senhor demorou mas quando decidiu me brindar foi demais da conta! E meus Natais desde então, e para o resto da minha vida, serão especiais.

Mas sabe por que venho te escrever de novo Papai Noel? Sei que tinha prometido não pedir mais nada, mas venho lhe pedir por todas as mulheres que têm lhe escrito pedindo um filho e que neste Natal ainda não o receberam, e estão tristinhas… Quero então que o senhor olhe por cada uma delas e leve aos seus corações uma porção extra de esperança e tranquilidade, porque bem sei que o dia de cada uma delas também chegará!

Meninas, por algo criei este espaço… Me sentia incomodada que teria que compartilhar um pouco da minha história com vocês. Pensava eu que lhes podia ajudar de alguma forma e tenho observado e sentido que assim tem sido, graças a Deus. Mas quero também dividir com vocês o quanto tem sido enriquecedor para mim essa “troca”, esse carinho e confiança que algumas tem me brindado de se abrir, de expor seus sentimentos e de entender exatamente a minha intenção.

Que Deus as abençoe, que tenham um feliz Natal, mesmo ainda lhes faltando o tão desejado presente, mas seguindo acreditando e confiando que na hora exata serão mamães!

22 nov
Hora de Mudar?

metas-e-objetivos

Tenho tido contato com algumas seguidoras que expressam certa angústia na vontade de consultar outro especialista em Reprodução Assistida. Por um lado se sentem satisfeitas com os médicos que estão mas por outro algo lhes deixa inseguras e necessitam de uma segunda opinião, e o que lhes digo? Sigam seus corações!

Ainda não lhes contarei sobre a terceira fertilização (suspense rsrs), mas já lhes adianto que ela veio proveniente de uma mudança de equipe médica. Por um lado eu amava o médico anterior, sempre muito atencioso conosco, mas o histórico com ele já era de uma cirurgia e de dois resultados negativos em tratamentos, e ele e tudo o que havia naquela clínica já me fazia tremer e me sentir uma “perdedora”. Então este panorama fez com que eu, igualmente a algumas seguidoras do blog, começasse a questionar se não deveria novamente procurar outra opinião, mas só com a diferença de que eu me questionava sozinha, comigo mesma e não dividia isso com ninguém, nem mesmo com o marido. Um certo medo havia de lhe comentar isso e ele concordar com a ideia e “abandonarmos” e “trairmos” o meu querido Dr…. Ao mesmo tempo que pensava na possibilidade, me apavorava com isso. Era medo do novo, medo de escutar outra opinião, de descobrir mais diagnósticos e que me machucasse mais ainda.

Mas não foi necessário abordar o assunto com o marido… Na primeira consulta posterior a segunda fertilização com resultado negativo naquele médico, chegamos juntos à clínica… A secretaria já nos cumprimentou com cara de circunstâncias e pena (talvez não, mas assim eu senti), a sala era a mesma frequentada há mais de um ano, ambiente que naquele momento era cenário de derrota para nós, a ferida estava “exposta” e o desânimo era incontrolável. Entramos à consulta para analisar os possíveis motivos de não haver dado certo e desde já qual seria o novo esquema a ser utilizado na próxima fertilização… Foi aí que o marido interveio e disse ao médico que daríamos um tempo e mais na frente retomaríamos a possibilidade de outra fertilização.

Eu não queria esperar muito mais, sabia que supostamente não poderia e não deveria esperar muito mais, se confirmava que os ovários não respondia bem aos estímulos e teríamos que correr contra o tempo, mas por outro lado eu estava cansada, nós estávamos exaustos de seguir já para outra tentativa… Saímos calados e para minha surpresa, o marido diz: “está na hora de mudar!”. Gelei. Eu não sabia se realmente queria mudar, eu gostava muito daquele médico, mas ao mesmo tempo algo me dizia que isso não me bastaria para seguir confiante. Mudar? “- Sim, mudar! Taci, time que ganha não se mexe e time que não ganha, tem que mexer!” Isso foi tudo, determinante para eu entender a mensagem! Ia nos fazer bem mudar, era o momento NOSSO de mudar, de escutar outra opinião, de “respirar outros ares”, de voltar a acreditar de verdade, a tentar ter mais esperança em outro ambiente, a nos sentir “vivos” de novo diante daquele panorama para apostar no nosso sonho!

E já lhes adianto que estávamos certos. A mudança era necessária! Era o tempo de mudar! Nos fez bem e foi determinante para a realização do nosso sonho.

Não estou aqui estimulando todas a mudar de equipe médica logo, de forma alguma! Estou apenas dizendo que estejam atentas e escutem seus corações, não só referente a isto mas em relação a tudo nessa caminhada! Se você acha que deve escutar outra opinião e lhe fará bem, por que não? Claro que não animo para que fiquem mudando sempre, até porque pode lhes trazer mais confusões e angústias, mas que estejam abertas para ir atrás e elucidar suas dúvidas da melhor maneira possível e aí confirmar e seguir com quem você realmente confia e acredita, sem dúvidas de que vale a pena apostar e seguir.