02 nov
Voltar no Tempo

Esta semana fui a uma profissional da saúde, logo cedo liguei para sua secretária e pedi o endereço por ser minha primeira consulta… Ao me aproximar do local me deparo com um empresarial conhecido… Confesso que um friozinho na barriga e cenas, muitas cenas, vieram a minha cabeça!
Tentei estacionar no edifício mas estava lotado então me dirigi a um estacionamento próximo e voltei caminhando. Entrei no empresarial e parei diante de uma sala e ali viajei no tempo… Ali ficava a empresa do único representante em Recife dos medicamentos indicados para estes tratamentos naquela época em que eu fiz as fertilizações. Naquela sala quantas vezes entrei com um isoporzinho embaixo do braço para comprar mais gonais e outros da vida… Por meus ovários não responderem bem aos estímulos eu era aquela compradora que sempre voltava para pegar aquelas doses extras e absurdamente caras para tristeza minha, e que impulsionava as vendas daquele comércio. “Me vi” entrar ali com o isopor embaixo do braço e “me vi” também sair dali com ele mas de outra forma… carregando o isopor nos braços como se fosse um bebê, com todo cuidado do MUNDO, afinal estava ali dentro parte da minha esperança! A atendente era um amor e já me conhecia quando eu ligava dizendo… “precisarei de mais um tal e acrescentarei mais um daquele outro também…” Aquele lugar foi um dos cenários que passei  momentos não tão legais… Mas que fizeram parte da minha história e não tive como não me emocionar.
Peguei o elevador e fui a consulta. Prontamente fui atendida, não conhecia a profissional, entrei na sala, me sentei e logo no início comentei com ela sobre este misto de emoções que tinham tomado conta de mim naquele momento, nem a conhecia mas eu precisava pôr para fora um pouco daquilo que estava sentindo: “você não imagina como ter vindo a este empresarial me fez viajar no tempo…” E dai começamos uma longa conversa! Para minha surpresa ela  já tinha feito fertilização e  também tinha ido comprar naquele local algumas medicações! Hoje em dia a tal empresa já não se encontrava mais ali mas quem frequentou aquele lugar jamais esquecerá, e ela bem me entendeu. E de repente quem precisou falar e me contar sua história foi ela! Me confirmando que quanto mais conheço casos e casos nesse âmbito mas me surpreendo… e quero dividir aqui com vocês brevemente a história dela.
Gente, ela chegou a engravidar e perder  6 (SEIS) gestações! Até hoje não descobriu o por que. Chegava na 6a semana de gestação e perdia… Dá para imaginar a dor desta mulher??? Em um momento necessitou fazer fertilização e não engravidou. Até que na sétima gestação, sem tratamento algum, engravidou de uma linda menina e a gestação evoluiu perfeitamente! E logo após a primeira filha nascer… ela engravidou novamente! De outra princesa, que dessa vez se apressou em chegar ao mundo e pregou um susto na mamãe por ter sido prematura mas que acabou dando tudo certo resultando numa menina linda e saudável. Ficou para trás as dores e os traumas, em cima do seu birô a foto das suas lindas filhotas e no seu olhar a alegria de uma mãe realizada que não desistiu facilmente em busca do seu sonho, e como ela mesmo disse: “foi muito difícil, mas valeu a pena TUDO que passei até a vinda delas.”
Viram só? Lembranças que me fizeram chegar a outra história vitoriosa para dividir com vocês! Incrível como Deus coloca no meu caminho pessoas para somar e trazer esperança as que estão necessitando neste momento de ler algo assim para seguir acreditando! Acredite que seu dia chegará da melhor e mais linda forma. Acredite que tudo isso que você possa estar passando valerá a pena, enfim quando você conhecer este amor maior do MUNDO tudo ficará para trás e recompensará
29 out
Mais uma tentativa… A 2a FIV.

Casal-abraçado

Em 2005 partimos para a 2ª fertilização in vitro… Estando presente o trauma da 1ª FIV que não pudemos nem sequer concluir todo processo esperado devido à péssima resposta dos meus ovários aos estímulos, e consequentemente o resultado de não haver NENHUM óvulo para ser puncionado… E lá fomos nós mais uma vez.

Apostamos na mesma equipe médica, gostava muito do médico por ser muito gentil e atencioso conosco, quis apostar novamente por acreditar que poderia dar certo, ele já conhecia meu histórico e faria outro esquema hormonal para esta nova tentativa.

Se tivesse de resumir em uma só palavra este tratamento resumiria em: MEDO. Sim, medo dos ovários não responderem novamente aos estímulos, medo de não haver novamente folículos a serem puncionados, medo de não dar certo, medo de não ter mais forças para seguir. Por mais que o médico tentasse me animar e eu tentasse me auto enganar, nós sabíamos das baixas probabilidades de dar certo e o MEDO era o sentimento dominante da vez, infelizmente.

Mas fomos em frente. Começamos todo o processo de novo, dessa vez com algumas mudanças nas medicações mas o contexto igual, furadinhas, ultrassons… E aparentemente os ovários começaram a responder melhor a essas mudanças, mas não muuuito melhor… Definitivamente nunca poderia me comparar as várias mulheres que conhecia e tinham folículos demais da conta. Congelar embriões? Nem pensar! Eu lutava para ter o mínimo necessário para ter o direito de chegar a punção e posterior transferência de óvulos.

Resultado final: 2 puncionados, dos quais nos restou… UM! Um a ser transferido. Não consegui ficar feliz, lhes confesso… Por mais que o médico tentasse me animar alegando que eu só precisaria de UM para engravidar e realizar meu sonho, por mais que eu pesquisasse na internet e encontrasse casos de mulheres que engravidaram apenas com a transferência de apenas UM… Mas eu queria mais! Queria pelo menos 2 ou 3 para poder sonhar com mais vontade, acreditando que poderia realmente dar certo… Em alguns momentos o desânimo dava espaço a esperança e eu voltava timidamente a acreditar que aquele único óvulo seria meu filho tão sonhado.

Transferência feita e vamos a difícil espera… Os dias foram passando, fiz tudo novamente conforme as orientações médicas. Na véspera do exame de sangue para saber o resultado… Menstruei. Dessa vez cheguei mais longe mas nem sequer cheguei a fazer o beta hcg, a menstruação se adiantou e com ela a frustação também.

Uns dias antes da menstruação eu já sentia alguns sintomas de que a menstruação chegaria mas como boa sonhadora pensava eu que poderia ser sintomas de gravidez, aliás eu queria me enganar, eu não queria acreditar que ainda não havia chegado a minha vez.

Foi muito difícil encarar mais uma vez esta realidade. Estava cansada, estava triste, precisava novamente de um tempo, mas por outro lado não queria mais perder tempo. Definitivamente teria que me reerguer para poder voltar a pensar em mais uma batalha, a ser pensada no outro ano a seguir: 2006. Enquanto isso a ordem expressa do marido era tentar esquecer e voltar a nos cuidar, e assim foi feito, na medida do possível.

Somos muito mais fortes do que acreditamos ser. Esta é uma das grandes lições que aprendí naqueles tempos…Acreditem!

15 out
Anjos no caminho

Nesta caminhada, durante esses 6 longos anos, vários anjos em forma de gente foram de extrema importância para mim. Foram apoio, foram colo, foram torcida. Começando pelo marido que estava comigo sempre, sonhando junto. Nossas famílias que torceram e sofreram conosco em todos instantes. Amigos próximos que em alguns momentos foram irmãos, que se preocupavam com a gente e estavam ligados sempre, muitas vezes fazendo de conta que não estavam nem aí para este tema mas que estavam pendentes de alguma notícia positiva… Mas hoje venho lhes falar de outros anjos e divido com vocês o encontro de alguns que encontrei na internet através de um grupo muito especial de mulheres que conheci lá no ano de 2002 e que até hoje mantenho contato.

O fórum de infertilidade da Colunista Cláudia Collucci na UOL, era um espaço aberto para mulheres que tinham dificuldades para engravidar, espaço para dúvidas, conflitos, desabafos e expor nossas histórias. Mulheres do Brasil inteiro, algumas brasileiras também que moravam no exterior, numa troca fantástica que me fez muito bem naquele momento. O se deparar com pessoas com histórias parecidas a minha, com outras com casos aparentemente bem mais complicados que o meu e que haviam conseguido e outros tantos mais. Digamos que era uma terapia gratuita na internet. Haviam algumas que como eu eram assíduas e que começamos a seguir os passos umas das outras nessas tentativas para engravidar. Até um certo momento que começamos a nos identificar pelas regiões que cada uma morava, e um dia fui contactada por uma recifense chamada Cleide que me informou sobre um grupinho de mulheres com dificuldade para engravidar que estavam começando a se reunir pessoalmente aqui em Recife…

Trocamos alguns e-mails, deixei o receio de lado (afinal se encontrar com pessoas que você nem conhece…). A curiosidade e a vontade de me juntar ao grupo foi mais forte e lá fui eu conhecê-las no Shopping Center Recife. Elas já tinha se reunido a princípio em outro shopping da cidade, marcaram 4 de se encontrar e afinal foram 3, Cleide e mais duas, e desde o princípio o grupo se identificou demais. E lá fui eu ao Shopping Recife encontrá-las. Gente, era um frio na barriga! Em algum momento pensei na loucura de ir ao encontro de pessoas que não conhecia mas por outro lado ansiosa por me juntar a pessoas que me entenderiam bem o que eu estava sentindo e passando…. Marcamos de nos encontrar para um café que durou horas e foi maravilhoso!!! Nos primeiros encontros a pauta era basicamente cada uma contar “ao vivo” sua história em detalhes, as horas passavam e não nos dávamos conta. Foi muito importante para todas aqueles momentos de conversa, desabafo, lágrimas e amizade que nasceu diante daquela sintonia.

Os anos foram passando e algumas começaram a realizar seus sonhos, algumas se afastaram, outras continuavam na luta, outras retornaram ao grupo e após 12 anos continuamos em contato, não tanto como no princípio mas com a reunião de fim de ano sempre em pé e alguns encontros ao decorrer dos anos. Hoje em dia somos 11 mulheres, agora com grupo no whatsapp e poucos e-mails mas que nos fazem presentes umas nas vidas das outras. O foco agora já não é engravidar, isso ficou para trás e se transformou em encontro de amigas, mulheres, mães, com direito a papos mais relaxados e dando tchau aquele passado que tanto nos fez sofrer, mas também crescer!

E com base neste grupo de mulheres maravilhosas, em algumas oportunidades dividirei histórias lindas e emocionantes que com certeza serão importantes para vocês. Ficando o incentivo de continuarem seguindo este blog e outros espaços mais que lhes fizerem bem, como assim me fez naquele momento da minha vida.

sentadas Cleide, Viviane e Andréa    Em pé Sofia, Taci e Ana Paula

Foto acima do primeiro encontro de algumas daquelas mulheres especiais e tão importantes naquela espera.

  amigas
 Foto com alguns desses anjinhos. Todos os anos, desde então, no final do ano nos encontramos!
11 out
Dia das Crianças… e cadê a minha?

criancas

Toda data comemorativa que nos faça relacionar com o tema não tem para onde… Vem os por quês sem resposta, vem um pouco de nostalgia, vem um vazio que implora ser preenchido por este amor que tanto se fala, que tanto desejamos ter e sentir, que tanto buscamos através de uma criança nossa, do nosso FILHO.

Lembro bem que antes de me tornar mãe me apeguei muito aos sobrinhos. O  primeiro sobrinho que fez despertar e confirmar em mim toda essa minha vontade louca de ser mãe. Lembro bem da minha emoção ao descobrir que a cunhada estava grávida e de que meu irmão seria PAI! Toda família ansiava pela chegada de um bebê e finalmente seria concretizado! Eu morava em Buenos Aires e acompanhei como pude a gravidez de longe, palpitando a cada mês que se passava. Me organizei bem para estar por aqui para o parto e me emocionei muito com a chegada do bebê Gabriel, primeiro sobrinho e primeiro afilhado, uma babação só!

Assim que ele nasceu logo em seguida coincidentemente voltei a morar no Brasil e acompanhei bem de perto o crescimento deste pequeno, hoje já um “rapazinho” de 10 anos! Irmão e cunhada ocupados, eu com mais tempo disponível na época,  então quem sempre estava na área para marcar presença? Euzinha aqui, com muito prazer! Algumas vezes o levava à escola, outras a algum médico, uma vez inclusive comparecendo a reunião de pais e mestres na escola, enfim me sentia um pouco mãe, MAAAAS não era a mãe! E os anos foram passando e cada vez mais o tempo me lembrava disso e a vontade de me tornar mãe só aumentava… Me lembro um dia das crianças que compareci a escola dele… Um monte de mães conhecidas minhas, todas lá babando seus rebentos e eu… era a tia de Biel, e queria e ansiava MUITO dar um priminho para ele e óbvio ser a mãe de…

E como não podia ser diferente dia das crianças era dia de presentear os sobrinhos. Primeiro Gabriel e depois veio a sobrinha linda Bruna, um príncipe e uma princesa que me faziam tocar um pouco com as mãos neste sonho da maternidade tão sonhada para mim, me reconfirmando em algumas oportunidades que estava mais do que na hora disso acontecer, e não acontecia!

Então meninas aqui lhes venho dizer que ser tia é uma delícia, ser amiguinha-tia dos filhotes das amigas também e enquanto não vem os seus eles com certeza poderão ser um bom treino e passatempo delicioso, mas que é super normal num dado momento você gritar dentro que você quer uma criança sua! Para cuidar, brincar, ensinar, AMAR! Para festejar o dia das crianças ou simplesmente tê-lo para lhe dar um bom dia cantado e alegre todas as manhãs, ou para rezar para Papai do Céu todas as noites juntos… Então vamos pensar que este é um dia das crianças sem a sua criança com você ainda mas já nascida no seu coração, pelo simples fato de já amá-la sem ao menos existir, que tal? Sabendo que seu dia chegará SIM!

06 out
Limites para tentar?

limite 2

Meninas, até então aqui neste espaço venho sempre incentivando a questão do não desistir, de lutar ao máximo atrás da sonhada maternidade, e enalteço muito o estado maravilhoso do estar grávida. Continuarei nesta linha mas quero lhes passar outro ponto de vista que tenho claramente na minha concepção do querer ser mãe e seus limites.

Tudo na vida tem limites e nesta busca não seria diferente. Animo muito o ir em busca, o perseverar ao máximo, mas existe casos que chegam ao limite mesmo. Sim! Claro que existem limites para tentativas, para espera, para o querer e não conseguir.

E qual seria esse limite nesta caminhada? Cada uma tem seus limites. Limites emocionais, limites financeiros, limites da idade, limites que cada uma se ache no direito de impor ao seu caso. E não há nada nem ninguém, nem nenhum parâmetro para definir qual seria o limite para buscar ser mãe através do gerar.

No meu caso, apos 1 inseminação, 2 cirurgias, tratamentos hormonais pesados e 3 FIVS (a primeira incompleta por não haver conseguido nenhum folículo sequer para aspiração) estava consciente que estaríamos chegando ao nosso limite. Quando falo “nosso” falo do casal que estava muito abalado emocionalmente e cansado de tudo isso após 6 anos nesta espera.

Lembro bem uma conversa previamente à realização da 3ª FIV na varanda do nosso apartamento… Nós dois na rede… Quando num momento de silêncio eu lhe perguntei: e se não dar certo? Ele já tinha me falado sobre sua posição, mas naquele momento ele olhou nos meus olhos e falou seriamente que não queria mais seguir… O marido se preocupava demais com a quantidade de hormônios que eu tinha que receber devido a péssima resposta dos meus ovários aos estímulos… Também sempre nos curtimos muito e não tem como tudo isso em um certo momento não abalar momentaneamente o relacionamento a dois.

Fiquei triste com aquela resposta mas tive que concordar e reconhecer que realmente estávamos no limite e que já tínhamos feito tudo o que estava ao nosso alcance.

Foi aí que eu disse a ele que se não desse certo eu queria adotar uma criança e realizar meu sonho de ser mãe. Ele disse preferir esperar o resultado da FIV para conversarmos mais adiante… Não foi preciso esta conversa porque engravidei naquela que seria a última tentativa, mas tenho certeza que se assim não tivesse sido havíamos adotado e hoje seriamos pais realizados e muito felizes com esta opção.
Então a partir de agora meninas vez ou outras lhes vou trazer também histórias maravilhosas de amigas que partiram para adoção e realizaram este sonho de ser mãe e se sentem plenas com esta oportunidade.

Claro que seguirei incentivando AO MÁXIMO todas que estão na luta! Jamais negarei que acho uma dádiva o conseguir gerar mas também abrirei espaço para olharmos com carinho esta possibilidade de amor e realização deste sonho através da adoção, e por que não?

24 set
“Bem vinda” ao mundo das FIVS
Após ter convencido o marido a deixar a resistência de lado partimos para encarar a primeira fertilização in vitro. Não foi fácil para ele a princípio, mas se esta era a indicação ele abraçou a opção, por mim, por nós, por nosso sonho. Fomos bem esperançosos, afinal partiríamos para o tratamento de reprodução assistida que oferece melhores chances de gravidez para o casal. Sentimos que de repente estava mais perto a possibilidade do tão esperado positivo.
Fomos ao médico e nos explicou todos os passos a seguir. Os custos são muito mais altos que de uma inseminação começando pelo valor cobrado pelo especialista em reprodução, tendo em vista o tratamento em si ser bem mais complexo, incluindo também os valores das medicações previstas inicialmente e as que podem ser acrescentadas no decorrer do processo (como foi no meu caso). Infelizmente é muito caro e muitas pessoas não tem condições de arcar um tratamento assim, triste realidade mas que graças a Deus começam a aparecer alguns projetos de auxílio para casais de baixa renda recorrerem. Nós tínhamos em mente que isto seria uma prioridade em nossa vida, então valeria o que estivesse ao nosso alcance, sem medir esforços. A gravidez tão sonhada valeria cada centavo investido, e como valeria!
Ultrassonografia inicial, compra de medicamentos, e foi dada a largada da nossa primeira FIV! Aparentemente tudo certo para começarmos a evoluir. A ansiedade era o sentimento da vez, não tinha como controlar, mas a esperança caminhava junto e abrandava o nervosismo. Estávamos na luta e achávamos que dessa vez poderia enfim ser a vencida.
Quando você é iniciante neste “mundo das FIVS” você não se dá conta de certos detalhes no processo… O médico ia me orientando constantemente a aumentar as dosagens hormonais, a agregar outro medicamento, mas eu pensava que fazia parte do processo, mas não… Ele estava apostando ao máximo na reposta dos meus ovários…
As ultrassonografias são muito importantes para o médico analisar a evolução do processo e assim constatar a resposta dos ovários quanto a estimulação.
Os dias foram passando e lá fui eu fazer mais uma ultrassonografia. Desta vez fui sozinha, me lembro bem, o dia estava lindo e ensolarado. O médico que fez a ultra não estava para muito papo. Esperei na sala de espera o resultado, afinal o meu médico havia pedido que fizesse a ultra e em seguida ligasse para ele para ler o laudo. E assim foi feito. Ao terminar a leitura do lado, um silêncio…
-Taciana querida, teremos que esperar outro ciclo.
-O que? Não estou entendendo doutor. (Gente eu não queria entender!) Como assim?
-Infelizmente seus ovários não responderam bem a estimulação e não há NENHUM folículo viável para aspiração. Temos que repensar outro esquema e tentarmos de outra maneira. Apareça lá no consultório para conversarmos depois.
Acho que foram minutos sem me mexer. Celular numa mão, ultra na outra, olhar perdido e coração TRISTE. De repente tudo acabou! Mas nem tinha começado para valer! Cadê a tal transferência dos óvulos? Cadê a espera pelo resultado do beta?
Alguém poderia me explicar? Jamais esquecerei aquela sensação, definitivamente sem rumo e sem direção. Em choque.
Nesse caminho de tratamentos você se surpreende com você própria. Eu não imaginava que dentro de mim haveria tanta força e determinação. Com certeza precisei de um tempinho para “digerir”, mas incrível como a vontade de ser mãe só aumentou. Desistir foi uma palavra que passou a ser eliminada da minha vida e realizar o sonho da maternidade era uma meta a ser cumprida.
E após mais este momento difícil surgiu uma mulher mais forte e determinada. Mais que nunca quis continuar! NADA me deteria porque tinha uma certeza de que TUDO valeria a pena!
18 set
E as vezes no meio do caminho…

no meio do caminho

Após o negativo na primeira inseminação, feita numa clínica em Buenos Aires, demos um tempo para nós, tentamos esquecer ao máximo o tema, por mais difícil que fosse nos policiávamos para evitar nem tocar no assunto. Foi um momento nosso, do casal, de se cuidar e juntar forças naturalmente para continuar seguindo em busca do nosso bebê.

Em 2003 sentimos que estava na hora de retomar a luta! Fui a outro médico, já morando em Recife, para fazermos novos exames e ver como prosseguiríamos. Na reprodução assistida é de extrema relevância novos pareceres, por mais que o casal já tenha feito vários exames em determinado momento tudo pode mudar, para melhor ou para pior. E lá fomos nós refazer todos os exames de praxe (espermograma, histerossalpingografia, ultrassonografia, entre outros).

Após fazer todos os exames requeridos pelo atual médico, aguardamos os resultados e retornamos ao médico. Na minha cabeça seria apenas a constatação da necessidade de mais um tratamento, mas infelizmente não estava apta para um tratamento em seguida como assim pensava. Novamente a endometriose estava em cena e assim sendo não seria viável recorrer já a um tratamento, teríamos que partir para uma segunda cirurgia (agora por videolaparoscopia), e após esta repetir meses de tratamento hormonal para só assim estar apta para seguir…

Decepção! Eu que estava pronta, mentalizada, com sede de ir com tudo a mais um tratamento, ter que esperar. Esperar mais? Depois de uma pausa considerável ter que juntar paciência e persistência para um caminho mais longo ainda? Saí chateada de lá. Chateada comigo, chateada com a situação, chateada com o que nos esperava de novo, mais uma espera, mais uma cirurgia, mais meses “eternos” de uma menopausa forçada com sintomas chatos, calores insuportáveis, irritação a flor da pele… Mas se era o que eu queria??? E se esse era o preço, teria que pagar por ele! Nosso bebê já não seria para 2003, como assim também não foi para 2001 (conforme havia planejado) mas seria para 2004! Será? Acreditava que sim…

Marcamos a cirurgia para início de 2004, havíamos nos mudado de Buenos Aires para Recife. Por me operar na minha cidade contei com a presença do meu pai e um irmão, ambos médicos, que foram autorizados a entrar ao bloco cirúrgico e assistirem a cirurgia. Marido, irmãos e minha mãe na sala de espera, apoio total da família. O pós operatório desta vez seria mais tranquilo, em comparação a primeira cirurgia. Vários focos de endometriose foram cauterizados, muitas aderências encontradas e retiradas também. Minha endometriose foi diagnosticada como severa, grau 3 (a endometriose pode ser de grau 1 a 4, conforme a gravidade), o meu era um caso complexo. Segundo meu irmão comentou à família, e que vim saber bem depois, é que minhas trompas estavam repletas de aderências o que se justificaria o que saberia em breve…

O pós operatório foi bem mais tranquilo, como era esperado, fizemos o tratamento hormonal por alguns meses e após o término retornamos finalmente à clínica para dar prosseguimento ao esperado tratamento. Esperávamos marcar uma inseminação para o quanto antes até sermos surpreendidos com a indicação de fertilização in vitro, o que meu marido até o momento se resistia.

Resumidamente explicarei as diferenças básicas entre inseminação artificial e fertilização in vitro ok?

Na inseminação artificial se induz à ovulação na mulher e realiza o preparo do sêmen em laboratório, colocando-o dentro da cavidade uterina. Na prática, isso significa que, durante o período fértil, os espermatozoides são colocados dentro do seu útero por uma injeção.

Na fertilização in vitro os óvulos são coletados do útero da mulher, fertilizados pelo esperma fora do útero da mulher, in vitro, em laboratório, e colocados em um ambiente que simula as trompas. Se o processo evoluir positivamente, os pré-embriões são transferidos para o útero da futura mamãe para desenvolver a gestação. É bem mais complexo que a inseminação…

Diante do meu grande desejo em ser mãe e o dele de ser pai, a resistência do marido não durou muito e decidimos seguir em frente. Mais uma novidade para conhecermos e enfrentar porque tudo valeria a pena! Primeira Fertilização in vitro, ou FIV como também é conhecida no meio, lá fomos nós!!!

02 set
O Primeiro negativo a gente nunca esquece

chorando

Pois bem, após o resultado indesejado demorei muito em “digerir” esta realidade.

Como poderia ser se fizemos tudo certinho? Com um bom médico, numa clínica renomada, respeitando minuciosamente todo o protocolo (horários, hormônios…).

Em seguida uma sucessão de por quês? Por que EU, por que nós? Por que ter que passar por isso para simplesmente engravidar e ter um filho?

Esses momentos de revolta após um negativo são extremamente normais. Somos humanas, somos mulheres que queremos apenas nos tornar mães. Algo até então no nosso imaginário como simples e fácil.

Tinha um companheiro, condições financeiras para arcar com gastos de uma criança, idade, e acima de tudo tínhamos muito AMOR pra dar!

Após este beta negativo vieram outros, mas lhes confesso que este primeiro (proveniente de tratamento) foi o que mais me traumatizou.

Diante desse meu depoimento queridas, gostaria de alertar sobre os prognósticos desses tratamentos. Acredito que deveria ser obrigatório todo médico especialista em Reprodução Assistida ser franco quando se decide partir para inseminação artificial ou Fertilização In Vitro (FIV), levando em consideração que a maioria das pacientes desconhece estes prognósticos e chegam ali com a ansiedade de pular já esta etapa e festejar a gravidez, desconhecendo a dura realidade de que a possibilidade de êxito é bem menor que a de insucesso. Acho que com esta consciência o “baque” seria menor.

Só sei que desde que entrei naquela clínica só escutei maravilhas e indícios de que já tinha praticamente dado certo mesmo antes da primeira injetada hormonal… E a realidade não é esta, infelizmente.

Não quero desanimar ninguém entendido? Ao contrário! Quero apenas cuidar daquelas que estão iniciando algum desses tratamentos para que acreditem e estejam confiantes de que dará tudo certo, mas deixando um espaço pequeno para colocar “os pés no chão” (por mais difícil que seja).

E apesar desse alerta deixo claro: só se sabe tentando! E uma das lições que tirei de tudo isso foi ser perseverante, foi lutar até os últimos e únicos 5% que me foram dados de esperança para que desse certo a minha última fertilização,  5% estes que me agarrei com toda fé do mundo e que se transformaram em…

MARIANA!