21 jan
Esperando e… Vivendo!

 

Taci (4)

Hoje venho dividir com vocês um pouco da minha postura diante dessa espera carregada de tanta ansiedade que vocês estão vivendo e que eu senti na pele durante 6 anos… Bem sei que não é fácil o “saber esperar” com sabedoria, paciência e tranquilidade… Tem dias então que… aff!!! Nem nós mesmas nos aguentamos! E não é de se surpreender, o desgaste é enorme.
Compartilho então com vocês um pouco do que eu tentava sempre colocar em prática durante os 6 anos nessa bendita espera, para assim seguir “vivendo” em paralelo ok? Aí vai:
– Sempre fui muito grata por tudo que tenho na vida e isso me ajudava demais a reagir quando estava para baixo… Pensava em tantos outros motivos que tinha para sorrir e seguir, e também pensava que muitas pessoas gostariam de estar no meu lugar com “apenas” esse problema…
– Temos que nos cuidar! Sim! Me lembro as vezes que postergava a compra de uma roupa mais justa ou uma sandália com salto mais alto, pensando: ” não vou comprar porque não usarei muito já que irei engravidar” maaaas não deixava de comprar algo lindo mesmo que fosse um modelo que pudesse adequar apenas aos primeiros meses de gestação… E quantas daquelas peças de roupas cheguei a doar porque os anos passaram, saiu de moda e nada da gravidez acontecer… mas sempre buscava me vestir bem, e acima de tudo me ver e sentir bem!
-Manicure semanal, SEMPRE! Foi, é, e será sagrado! Umas unhas bem feitas e um momento só nosso no salão alivia a tensão e elimina o stress. Comprovado! Rsrs. Não admito mulheres que perdem a graça de se cuidar por estarem consumidas por esta espera. Mais que nunca você deve se cuidar! Você merece estar bela, se sentir bem e … o marido agradece!
– Programas diferentes e legais também são muito bem vindos! Viagens, passeios, encontros com amigos queridos, ou seja TUDO que te faça sentir bem e mais leve!
–  Nunca, jamais você deve se sentir pior do que ninguém porque ainda não é mãe. Meu marido sempre me dizia o quanto era orgulhoso de mim por correr atrás desse sonho, sem medir esforços. E vocês não imaginam como levei a sério isso rsrs… eu tenho o maior orgulho do mundo por ter sido tão guerreira! E vocês devem se sentir assim! Nós somos maravilhosas, vocês desde já são vencedoras e admiráveis por não desistir fácil de um sonho tão lindo!
O que quero deixar claro é que a vida segue meninas! Essa mulher que sonha com a maternidade segue viva e necessita ativar e investir outros focos na sua vida enquanto o sonho não se transforma em realidade! Essa futura mamãe é uma mulher que tem outros papéis a desempenhar e ocupar a cabeça e o tempo,  e isso com certeza contribui para freiar a ansiedade também. De repente passa a existir uma profissional que esteja estagnada, ou uma amiga que esteja afastada daquelas que te fazem tão bem evitando um bom bate papo com direito a boas gargalhada , ou o pior e infelizmente o mais frequente: uma esposa que esquece do marido e só o enxerga como possível procriador do filho tão sonhado… entre outros tantos exemplos de mulheres que deixamos adormecidas aí dentro de cada uma de vocês que se estão deixando “ofuscar” pelo assunto infertilidade.
Que o sonho da maternidade seja uma prioridade, concordo totalmente! Mas que saibamos controlar que esta prioridade não seja apenas o que controle a sua vida em tudo. Lembro bem que na fertilização que foi a “vencida”, teria que decidir: ou viajar finalmente para conhecer a Europa ou tirar as férias para fazer a FIV. Adoraria conhecer a Europa, mas a minha prioridade era o tratamento e nao me arrependo da escolha, mesmo que nao tivesse dado certo, como de outras vezes… Mas por que optei e sei que fiz o certo? Porque vinha esperando e vivendo! A minha vida seguia por mais que sonhasse e sofresse com a demora da concretizacao do sonho de ser mae, eu não deixava que a infertilidade controlasse a minha vida como um todo.
Por isso te peço que reanalise e reveja suas posturas nesse momento, que o assunto da maternidade sonhada seja prioridade, mas que não seja TUDO para você, afinal existe uma vida a se viver, combinado? Então, mudanças de atitude: se cuidar, cuidar do parceiro, se amar, se valorizar e… VIVER!!!
08 jan
Tentante, a expressão que as vezes incomoda

Já foram algumas as mulheres que comentaram em privado para mim o quanto lhes incomoda alguns termos usados entre as que estão nessa espera pela gravidez que não vem… A começar pela expressão “tentantes” que boa parte das mulheres se auto denominam.
Significado da palavra Tentante: aquele que tenta. Partindo deste significado então, não deixa de se bem justificar essa auto denominação, afinal quem espera a gravidez que não vem está sempre nas tentativas de que finalmente se concretize, com vida sexual ativa, sem uso de algum método anticoncepcional e na maioria das vezes em vias de algum tratamento de reprodução assistida, sendo acompanhada por um ginecologista ou médico especialista da área que lhe investiga algum diagnóstico que possa estar causando esta demora e aumentando os tempos das tentativas…
E tenho que lhes confessar que lembro bem o quanto ansiava perder este título de tentante! E tinha isso guardado aqui dentro de mim, até hoje, tendo a oportunidade também de expor isto para vocês. Ao mesmo tempo que me “auto entitulava” e me enquadrava nas características do “grupo de tentantes”, no fundo me doía este danado desse título e não via a hora de pertencer ao grupo das… Ex tentantes!
Já que estou aqui para lhes escutar, sempre tento expor ao máximo o que me chega. Não que resolverei algo mas faço questão de que este espaço seja de vocês para que se sintam compreendidas e acompanhadas, e que seja usado como uma espécie de desabafo para tudo o que lhes possa incomodar nessa jornada que já é bastante difícil.
Por outro lado consigo entender a tal expressão e chego até a admirá-la por sempre estar incentivando a todas que sigam tentando, afinal só se pode seguir sonhando se seguir tentando não é mesmo?
Então! A partir de agora, em respeito as que não se sentem bem em serem chamadas assim, tentarei  usar cada vez menos a denominação “tentante”, e me referir a vocês como “futuras mamães”, que acham? Porque acredito que todas que realmente sonham e correm atrás da maternidade assim serão! Ou gerando na barriga ou grávida do coração, ou seja todas que seguirem atrás do sonho serão MÃES!

06 jan
E um dia sonhei MUITO

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Um dia sonhei MUITO, sonhei com um filho, passava um bom tempo imaginando como seria, se menino ou menina, a quem se pareceria… Claro que antes disso sonhava “apenas” em ser mãe, em conseguir ser mãe, em ter este direito à maternidade… Mas quando me entusiasmava nos sonhos chegava a me permitir sonhar como seria esse ser tão desejado… Quando então enfim chegou o meu dia! Minha morena, a cara e careta do pai e da avó materna, minha doce e braba Nana, exatamente como Deus tinha desenhado para mim e ela era a mais bela de todas, era única, era minha! E no ano seguinte quando menos esperava Papai do Céu me manda meu milagrezinho, a grande e mais linda surpresa da minha vida, minha Titina! Dessa vez bem parecida a mamãe, conseguindo ser tão linda quanto a irmã com belezas diferentes, mas preciosas e MINHAS filhas! E elas? São tudo para mim, não são apenas um pedaço de mim, são o melhor de mim. Minhas meninas, trelosas, espertas, felizes e amadas demais! Sonhei com uma, Deus me mandou duas, sonhei de uma forma e me mandou da melhor forma, da forma dEle, em todos detalhes, elas nasceram para mim e eu para elas, não tenho dúvida disso!
Então a sonhar sem medidas, sem limites, sem medo, mais e mais! Porque você nasceu para ser mãe de… E seu filho nascerá para ser SEU!!!

21 dez
A Tal “Pilha” de Exames

pilhaPara quem já está nessa caminhada há algum tempo com certeza irá se identificar com o post de hoje… As que estão começando agora, mas por acaso já foram a alguma consulta com algum especialista em Reprodução Assistida também já deve entender o que lhes espera…

Venho aqui lhes falar sobre a ENORME quantidade de exames geralmente requeridos para uma análise do casal em busca de algum diagnóstico que justifique a gravidez que não vem…

Me lembro que começei levando os exames na mão, depois já providenciei um envelope para guardá-los e assim mais facilmente transladá-los, depois o envelope foi sendo trocado por um maior e outro maior e outro beeeeem maior e por aí vai. Naquele envelope estava guardado a minha história referente à infertilidade, valia ouro, era precioso! Detalhadamente e cronologicamente estavam todos os exames requeridos pelos médicos que passei e constava a evolução da minha endometriose e outros detalhes mais referentes a mim. Também constava ao final uma coleção de espermogramas colecionados pelo meu marido. Laudos das cirurgias, resultados de histerossalpingografia, dezenas de ultrassonografias e tantos outros mais.

Considera-se infertilidade conjugal quando não surge gravidez após um ano de casal sexualmente ativo sem uso de métodos anticonceptivos, sendo indicado a partir desse período a busca de um médico especialista em reprodução humana para análise do casal e a investigação básica complementar visa responder, de modo preliminar, a quatro questões:

1- a avaliação seminal é normal?

2- a ovulação é normal?

3- o canal reprodutor é normal?

4- a reserva ovariana é adequada?

E a partir de então se começa a “maratona” de exames e a “tal pilha” vai crescendo… Alguns casais fazem os exames, logo é detectado algum diagnóstico e aí já se inicia algum tratamento para o caso. Outros fazem os exames e nada é detectado, não justificando essa demora e por muitas vezes mais e mais exames são solicitados para uma investigação mais detalhada. Alguns casais conseguem engravidar logo após um tratamento e a “tal pilha” não chega a crescer tanto, mas outros tantos vão somando exames e mais exames e a pilha só faz crescer.

Lembro que chegou a um determinado momento que tive que organizar os exames por data, período, tipo de exames, porque até eu mesma já não estava entendendo tanta informação, então tive que organizar melhor para quando me “apresentasse” a um novo médico o mesmo pudesse entender a cronologia dos fatos no meu histórico.

Lembro que no último médico que fui a pilha era tão grande que ele passou bastante tempo para analisá-la e entender o turbilhão de informações ali contidas. A tal pilha se tornou pesada e o envelope era ENOOORME.

Era chato chegar aos consultórios com a bendita pilha de exames nos braços, era a prova “viva” de que eu era uma “tentante das antigas” e todas que por ventura estivessem na sala de espera me olhavam com pena, “bichinha, com toda essa papelada o caso aí deve ser bem complicado…”, imagino eu o que elas pensavam rsrs.

E os médicos então! Acho que ao ver o tamanho pensavam: “caso brabo a se resolver!” rsrs.

Só sei que a tal pilha me acompanhou e foi crescendo por mais de 5 anos e quando minha Mariana nasceu ela se foi! Um dia arrumando o guarda roupas achei que estava mais do que na hora da despedida, TUDO aquilo já não fazia mais sentido para mim, TUDO aquilo tinha ficado para trás.

Aquela paciente infértil tinha morrido e havia nascido uma MÃE que conseguiu superar todos aqueles diagnósticos e estava disposta apenas para pilhas de receitas rosas e lindas de recomendação de tal pomada para bumbum fofinho de bebê, vacinas a serem aplicadas para sua proteção e tudo o mais lindo e suave que a vida começou a me brindar desde a realização da maternidade. Naquele dia me desfiz da referida “tal pilha” e fui mais feliz!

14 dez
O Drama dos Abortos Espontâneos

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Lembro bem que enquanto lutava buscando a gravidez que insistia não acontecer estreitei muito a minha relação com Deus e em todas minhas orações sempre estava um pedido: “Senhor, se for para engravidar e abortar, me poupe dessa dor”. Isso porque cheguei a acompanhar alguns casos e isso me chocava demais… Engravidar, festejar, pensar que o sonho estaria concretizado, fazer mil planos e de repente… acabou!

Quantas mulheres sofrem com abortos espontâneos, e em alguns casos com abortos repetitivos. Tudo bem que diante de tantos casos vi vários serem contornados e muitas mulheres enfim conseguindo gestar até o final, mas após ter que passar por essa dor enorme.

Relendo alguns artigos relacionados a infertilidade, que venho salvando há anos, encontrei um texto que a jornalista Cláudia Collucci, no seu antigo blog “Quero Ser Mãe”, chegou a traduzir em 2008, texto este escrito por uma escritora americana chamada N. West Moss publicado no The New York Times, que desabafa e relata as dificuldades que encarou ao sofrer três abortos espontâneos, conseguindo expressar o turbilhão de sentimentos que envolve este momento tão traumático na vida de uma mulher.

Apesar da escritora num trecho pedir para que as pessoas não a ajudem naquele momento de dor não me contenho e desde já estendo a mão para você que já passou ou está passando por isso. Não sei se poderei te ajudar muito mas prometo que através deste blog te levarei muita esperança e a minha certeza de que milagres existem SIM!

Também confirmo que temos uma força interior que desconhecemos e que nos surpreende em determinados momentos nos quais pensamos que não conseguiremos seguir e de repente reagimos mais determinadas que nunca, isso aconteceu com uma amiga querida chamada Gabriela que após anos de tratamentos chegou a engravidar e sofreu um aborto, e após “digerir” aquele duro momento partiu mais determinada para realizar o seu sonho de ser mãe e ontem Cecília nasceu, coroando sua luta.

Abaixo lhes repasso o  texto citado de uma mulher que sentiu na pele 3 abortos, mas que apesar do desabafo no final deixa transparecer que apesar de tudo tinha esperança, sentimento este que nos faz seguir vivendo!

“Não existem faixas rosa para usar se você sofreu um aborto espontâneo, nenhuma passeata ou camiseta para encorajar a conscientização e prevenção. E até onde temos uma linguagem para falar sobre o assunto, ela é repleta de frases superficiais: “Não se preocupe, eu também tive um”, ou “Eu tive dois, e então – puf – o Davey nasceu, e nesta semana ele está se formando na faculdade”. Mas, enquanto você pertence ao clube imaginário das Mulheres Sem Filhos, este é um planeta secreto de dor, praticamente invisível ao mundo externo.

Recentemente, sofri meu terceiro aborto espontâneo em um ano. Aconteceu cedo na gravidez, e foi descartado como nada grave – “gravidez química” parece ser o termo artístico. Não vamos reagir exageradamente, não há necessidade de histeria, bola pra frente. “Vamos tratar disso como se você estivesse simplesmente tendo seu ciclo menstrual”, como disse meu médico.

Mas, honestamente, não é como ter seu ciclo. Psicologicamente, claro, não tem nada em comum, mas fisicamente também é diferente. Tive espasmos durante horas que deixaram minhas costelas contundidas. Quatro dias depois, eu estava de volta ao trabalho e exausta porque continuava sangrando muito – não uma quantidade alarmante, mas o suficiente para que eu agendasse as reuniões em salas próximas a um banheiro, e para me mandar para casa para cochilos de duas horas à tarde. Imagino como os homens lidariam com isso. Toda a dor, a confusão, as limpezas furtivas, a vergonha e as fugas do trabalho me parecem tão fundamentalmente femininas.

As pessoas agem como se um aborto espontâneo fosse um evento localizável num calendário, com início, meio e fim. Mas na verdade ele começa quando você sente aquela primeira pontada inconfundível dizendo que algo está totalmente errado. Ele continua através dos duros dias de sofrimento e espasmos profundos, e então serpenteia ao longo de cada dia do resto de sua  vida. Provavelmente lamentarei esse aborto de alguma maneira visivelmente mediana até ter um bebê saudável ou morrer.

A sensação de sofrer três abortos em um ano é a de que eu devo ter feito algo errado, quando a realidade é que a maioria dos abortos acontece por motivos cromossômicos fora de nosso controle.

Ainda assim, uma mulher que sofre um aborto espontâneo provavelmente se perguntará o porquê. “Deus não deve querer que eu tenha um filho”, ela pode pensar, ou “Estou velha demais”. Há momentos em que você sente que o aborto e as calamidades do mundo são culpa sua e que você deveria, de alguma forma, não ter esse tipo de pensamento.

Talvez não falemos de nossos abortos porque não queremos as mulheres com filhos nos olhando com pena, ou adolescentes com seu jeito imortal pensando “Isso nunca acontecerá comigo”. Não queremos que famílias felizes sussurrem “Graças a Deus não é com a gente.” Não queremos imaginar que os homens possam estar pensando “Se elas não podem ter filhos, por que estão aqui?”

Entretanto, não sei o que você deve dizer a uma mulher que teve abortos espontâneos. Ao mesmo tempo em que pode ser emocionante ouvir histórias de outras mulheres, pode também ser irritante: faz com que nosso momento de extraordinária tristeza se torne comum e dentro da média. Por que eu iria querer ouvir sobre seu aborto quando estou deitada no chão tentando erguer 250 quilos de fracasso, desilusão e hormônios despedaçados em meu peito?

O que posso dizer é: quero que as pessoas saibam. Não quero que seja um segredo ou uma sombra, ou algo carregado individualmente. Quero que as pessoas saibam que eu passei por algo, que estou cansada mas otimista, que fui derrubada mas não me ajude, pois posso me levantar sozinha.

É justo, acho eu, querermos testemunhas para nosso sofrimento. Mas com o sofrimento também vem a esperança. E afinal de contas, somos criaturas flexíveis. Uma amiga minha disse-o muito bem, num e-mail enviado depois que soube de minhas novidades. “Espero que você não desista”, escreveu ela. “Ainda quero tirar uma foto de seu filho ao lado do mais alto girassol.”N. West Moss é escritora em Nova Jersey (EUA)

27 nov
Repouso após os tratamentos

repouso

Gente, este tema do repouso após os tratamentos muda bastante de médico para médico… Se você confia no seu médico siga em frente com todas suas recomendações, mas venho aqui lhes falar sobre minhas experiências.

A inseminação foi o primeiro tratamento de reprodução assistida que fiz, depois de realizada confirmamos que não seria o tratamento indicado para o meu caso, tendo em vista o grau da minha endometriose e a quantidade de aderências nas minhas trompas. Na inseminação o médico recomendou vida normal, nada de repouso. Ele me disse que teria que encarar como se tivesse tido uma relação sexual e pronto, segundo ele se tivesse de engravidar engravidaria de qualquer jeito. Óbvio que tomei alguns cuidados, evitei maiores esforços por conta própria, por achar que teria que desacelerar enquanto se confirmava ou não a possível gestação, mas repouso não fiz e não deu certo aquela tentativa.

Na segunda fertilização in vitro (a primeira tivemos que cortar o processo por não ter folículos a serem aspirados) fomos ao extremo. Já era outro médico e este me recomendou repouso absoluto! Quando falo em absoluto, falo em não se levantar nos dois primeiros dias nem para o banheiro. Fazia as necessidades numa paradeira! Não me esquecerei das dores de coluna que tive. Também me recomendou dormir barriga para cima sem nem virar de lado, por alguns dias (não me lembro precisamente quantos) e não foi fácil! Também não deu certo aquela tentativa.

Na terceira fertilização, o quadro era de OU TUDO OU NADA, poderia ser nossa última tentativa… Fizemos com outro médico e segui a risca suas recomendações. Nos 3 primeiros dias repouso absoluto, me levantando para ir ao banheiro e tomar banho, comendo na cama. Nos outros dias seguintes repouso relativo, podendo se levantar, caminhar, comer na mesa. Não dormia de bruços de forma alguma, aliás foram 9 meses assim. Comia o mais saudável possível, evitando comer qualquer coisa que me fizesse mal, tomando muito líquido e comendo muito inhame. Li que o tal do inhame é fonte rica de progesterona e a progesterona é grande responsável por segurar o embriãozinho, então foram quilos de inhame, fica a dica!

Revistas, livros, programas de TV leves, louvores e boas companhias favoreceram o cenário dessa espera, havendo no meio dias mais fáceis que outros, a ansiedade vez por outra apertava e não tinha como não estremecer ao pensar na possibilidade de mais um negativo… Mas até nisso daquela vez foi diferente, na maioria do tempo meu coração me dizia que já tinha dado certo.

Em nenhum momento me queixei do repouso, se era o que eu queria então TUDO valeria a pena e daquela vez como valeu! Lembro que na última consulta antes da transferência perguntei ao médico tudo o que estaria ao meu alcance para ajudar no processo, ele me disse e eu segui a risca:

-Não se abaixe, para nada! Gente podia cair o que fosse no chão e eu não me abaixava, jamais! No banheiro sempre tinha dois sabonetes, na dúvida caso um caísse.

-Evite dirigir. Essa foi drástica! Inclusive após confirmada a gravidez… Vendi o carro! Kkkkkkkkk Só comprei outro e voltei a dirigir após Mariana nascer.

-Evite esforços maiores… Nem precisa dizer né? Pisava em ovos!

-Baixe do salto. Sapatilhas e sandálias rasteirinhas estavam em todos os meus looks.

-Fuja de situações de stress. Me isolei ao máximo num mundo lindo e colorido rsrs, bem vindo era só o que me fazia bem, o resto dispensado!

Volto a dizer, cada médico tem suas recomendações a serem seguidas. Divido com vocês como foram as minhas, a pedido de algumas seguidoras que por curiosidade queriam saber.

Meu conselho? Na dúvida e diante das possibilidades: repouso!!!

22 nov
Hora de Mudar?

metas-e-objetivos

Tenho tido contato com algumas seguidoras que expressam certa angústia na vontade de consultar outro especialista em Reprodução Assistida. Por um lado se sentem satisfeitas com os médicos que estão mas por outro algo lhes deixa inseguras e necessitam de uma segunda opinião, e o que lhes digo? Sigam seus corações!

Ainda não lhes contarei sobre a terceira fertilização (suspense rsrs), mas já lhes adianto que ela veio proveniente de uma mudança de equipe médica. Por um lado eu amava o médico anterior, sempre muito atencioso conosco, mas o histórico com ele já era de uma cirurgia e de dois resultados negativos em tratamentos, e ele e tudo o que havia naquela clínica já me fazia tremer e me sentir uma “perdedora”. Então este panorama fez com que eu, igualmente a algumas seguidoras do blog, começasse a questionar se não deveria novamente procurar outra opinião, mas só com a diferença de que eu me questionava sozinha, comigo mesma e não dividia isso com ninguém, nem mesmo com o marido. Um certo medo havia de lhe comentar isso e ele concordar com a ideia e “abandonarmos” e “trairmos” o meu querido Dr…. Ao mesmo tempo que pensava na possibilidade, me apavorava com isso. Era medo do novo, medo de escutar outra opinião, de descobrir mais diagnósticos e que me machucasse mais ainda.

Mas não foi necessário abordar o assunto com o marido… Na primeira consulta posterior a segunda fertilização com resultado negativo naquele médico, chegamos juntos à clínica… A secretaria já nos cumprimentou com cara de circunstâncias e pena (talvez não, mas assim eu senti), a sala era a mesma frequentada há mais de um ano, ambiente que naquele momento era cenário de derrota para nós, a ferida estava “exposta” e o desânimo era incontrolável. Entramos à consulta para analisar os possíveis motivos de não haver dado certo e desde já qual seria o novo esquema a ser utilizado na próxima fertilização… Foi aí que o marido interveio e disse ao médico que daríamos um tempo e mais na frente retomaríamos a possibilidade de outra fertilização.

Eu não queria esperar muito mais, sabia que supostamente não poderia e não deveria esperar muito mais, se confirmava que os ovários não respondia bem aos estímulos e teríamos que correr contra o tempo, mas por outro lado eu estava cansada, nós estávamos exaustos de seguir já para outra tentativa… Saímos calados e para minha surpresa, o marido diz: “está na hora de mudar!”. Gelei. Eu não sabia se realmente queria mudar, eu gostava muito daquele médico, mas ao mesmo tempo algo me dizia que isso não me bastaria para seguir confiante. Mudar? “- Sim, mudar! Taci, time que ganha não se mexe e time que não ganha, tem que mexer!” Isso foi tudo, determinante para eu entender a mensagem! Ia nos fazer bem mudar, era o momento NOSSO de mudar, de escutar outra opinião, de “respirar outros ares”, de voltar a acreditar de verdade, a tentar ter mais esperança em outro ambiente, a nos sentir “vivos” de novo diante daquele panorama para apostar no nosso sonho!

E já lhes adianto que estávamos certos. A mudança era necessária! Era o tempo de mudar! Nos fez bem e foi determinante para a realização do nosso sonho.

Não estou aqui estimulando todas a mudar de equipe médica logo, de forma alguma! Estou apenas dizendo que estejam atentas e escutem seus corações, não só referente a isto mas em relação a tudo nessa caminhada! Se você acha que deve escutar outra opinião e lhe fará bem, por que não? Claro que não animo para que fiquem mudando sempre, até porque pode lhes trazer mais confusões e angústias, mas que estejam abertas para ir atrás e elucidar suas dúvidas da melhor maneira possível e aí confirmar e seguir com quem você realmente confia e acredita, sem dúvidas de que vale a pena apostar e seguir.

16 nov
Culpa da sua cabeça!

culpa cabeça

Gente, este post aqui foi inspirado por uma série de desabafos feitos, nos quais me identifiquei MUITO lembrando o quanto me incomodava certos comentários na minha época de “tentante”.

Batendo papo com uma seguidora do blog acabamos morrendo de rir ao concordar que o comentário talvez que mais irrita uma pessoa que está na busca da gravidez que não vem é o tão conhecido… “Você não engravida devido a sua cabeça ou a culpa é da sua cabeça ou quando você relaxar e tirar isso da cabeça vai conseguir”, e uma série de outros comentários mais que resumem o que boa parte das pessoas que tentam consolar as mulheres que estão nas tentativas dizem, e na maioria das vezes em vez de confortá-las as irrita!

Me lembro bem diversas situações que tive que escutar isso… Eu sempre fui tranquila quanto ao tema mas sou humana e havia dias que não me contentava em dar um sorrisinho e consentir mesmo sem concordar que afinal a culpa era da minha cabeça!!! Pois é… lembro que uma vez recém operada da endometriose me deparo com uma pessoa que veio alegar isso e aí eu não aguentei e lhe respondi: pode até também ser da minha cabeça maaaaaas outros motivos também tem a culpa então, como minha endometriose e a péssima resposta dos meus ovários aos estímulos hormonais por exemplo… E mesmo com uma resposta assim mais fundamentada a pessoa geralmente segue insistindo: “vai ver só quando você tirar isso da cabeça, bingo!”

Claro que a cabeça realmente ajuda ou atrapalha em muitos casos, mas quando você está diante de uma mulher que já está em meio a tratamentos evite culpar a “tal da cabeça”,todas se sentem no mínimo um pouco incomodadas com tal comentário, afinal, pelo menos eu me sentia assim, se tivesse que pensar de quem seria “a culpa” seria minha então por ter uns “defeitos de fábrica” que me faziam, como dizia o marido, especial!

Então este é um post de apoio às que se incomodam com estes comentários mas também para você que pensa que está alentando alguma “tentante” e na verdade acaba chateando algumas colocando a culpa na cabeça dela.. Então na dúvida que tal em vez de culpar a cabeça, não trocar pelo comentário: “vai dar tudo certo”?