18 set
E as vezes no meio do caminho…

no meio do caminho

Após o negativo na primeira inseminação, feita numa clínica em Buenos Aires, demos um tempo para nós, tentamos esquecer ao máximo o tema, por mais difícil que fosse nos policiávamos para evitar nem tocar no assunto. Foi um momento nosso, do casal, de se cuidar e juntar forças naturalmente para continuar seguindo em busca do nosso bebê.

Em 2003 sentimos que estava na hora de retomar a luta! Fui a outro médico, já morando em Recife, para fazermos novos exames e ver como prosseguiríamos. Na reprodução assistida é de extrema relevância novos pareceres, por mais que o casal já tenha feito vários exames em determinado momento tudo pode mudar, para melhor ou para pior. E lá fomos nós refazer todos os exames de praxe (espermograma, histerossalpingografia, ultrassonografia, entre outros).

Após fazer todos os exames requeridos pelo atual médico, aguardamos os resultados e retornamos ao médico. Na minha cabeça seria apenas a constatação da necessidade de mais um tratamento, mas infelizmente não estava apta para um tratamento em seguida como assim pensava. Novamente a endometriose estava em cena e assim sendo não seria viável recorrer já a um tratamento, teríamos que partir para uma segunda cirurgia (agora por videolaparoscopia), e após esta repetir meses de tratamento hormonal para só assim estar apta para seguir…

Decepção! Eu que estava pronta, mentalizada, com sede de ir com tudo a mais um tratamento, ter que esperar. Esperar mais? Depois de uma pausa considerável ter que juntar paciência e persistência para um caminho mais longo ainda? Saí chateada de lá. Chateada comigo, chateada com a situação, chateada com o que nos esperava de novo, mais uma espera, mais uma cirurgia, mais meses “eternos” de uma menopausa forçada com sintomas chatos, calores insuportáveis, irritação a flor da pele… Mas se era o que eu queria??? E se esse era o preço, teria que pagar por ele! Nosso bebê já não seria para 2003, como assim também não foi para 2001 (conforme havia planejado) mas seria para 2004! Será? Acreditava que sim…

Marcamos a cirurgia para início de 2004, havíamos nos mudado de Buenos Aires para Recife. Por me operar na minha cidade contei com a presença do meu pai e um irmão, ambos médicos, que foram autorizados a entrar ao bloco cirúrgico e assistirem a cirurgia. Marido, irmãos e minha mãe na sala de espera, apoio total da família. O pós operatório desta vez seria mais tranquilo, em comparação a primeira cirurgia. Vários focos de endometriose foram cauterizados, muitas aderências encontradas e retiradas também. Minha endometriose foi diagnosticada como severa, grau 3 (a endometriose pode ser de grau 1 a 4, conforme a gravidade), o meu era um caso complexo. Segundo meu irmão comentou à família, e que vim saber bem depois, é que minhas trompas estavam repletas de aderências o que se justificaria o que saberia em breve…

O pós operatório foi bem mais tranquilo, como era esperado, fizemos o tratamento hormonal por alguns meses e após o término retornamos finalmente à clínica para dar prosseguimento ao esperado tratamento. Esperávamos marcar uma inseminação para o quanto antes até sermos surpreendidos com a indicação de fertilização in vitro, o que meu marido até o momento se resistia.

Resumidamente explicarei as diferenças básicas entre inseminação artificial e fertilização in vitro ok?

Na inseminação artificial se induz à ovulação na mulher e realiza o preparo do sêmen em laboratório, colocando-o dentro da cavidade uterina. Na prática, isso significa que, durante o período fértil, os espermatozoides são colocados dentro do seu útero por uma injeção.

Na fertilização in vitro os óvulos são coletados do útero da mulher, fertilizados pelo esperma fora do útero da mulher, in vitro, em laboratório, e colocados em um ambiente que simula as trompas. Se o processo evoluir positivamente, os pré-embriões são transferidos para o útero da futura mamãe para desenvolver a gestação. É bem mais complexo que a inseminação…

Diante do meu grande desejo em ser mãe e o dele de ser pai, a resistência do marido não durou muito e decidimos seguir em frente. Mais uma novidade para conhecermos e enfrentar porque tudo valeria a pena! Primeira Fertilização in vitro, ou FIV como também é conhecida no meio, lá fomos nós!!!

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Pin on PinterestEmail this to someone

Deixe seu comentário