02 fev
Endometriose, Falência Ovariana Precoce e… Vicente!!!

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Conheci a Geovana como tantas de vocês, como uma seguidora que me procurou para trocarmos umas ideias. Ela se identificou muito com minha historia ao saber que também tive endometriose e fui diagnosticada com falência ovariana precoce, o que lhe animou quando soube que mesmo assim havia conseguido engravidar por duas vezes! Conversamos através de mensagens, ela me falou que também escrevia um blog, que por sinal é bem legal, chamado Cinderela de Bege, e como sempre foi gostoso o contato e sensação que de alguma forma vinha lhe ajudando e incentivando a seguir… Pois bem, em Janeiro recebi a confirmação da sua gravidez e hoje recebo da Geovana o relato da sua luta e a chegada a sua conquista, por estar gerando o Vicente! Palavras lindas, de uma mulher que teve motivos de sobra para desistir, mas que deixou que o amor materno, já vivo no seu coração, falar mais alto. Post imperdível, carregado de emoção e esperança!

“Foram quatros longos anos até ver, finalmente, o beta positivo. Nem sei descrever o que sentimos na hora que vimos esse número. Um misto de alegria, alívio, medo, de sensação de conquista e vitória.
Quando você descobre problemas com fertilidade, para quem sempre sonhou em ser mãe, o mundo cai, despenca, e você se sente completamente sem rumo.
Nos dois últimos anos, em que efetivamente eu fiz tratamentos de fertilização in vitro, o que mais li e ouvi foram assuntos relacionados a: ovodoção, gametas, óvulos, embrião, blastocistos, D1, D2, D3, D4, D5 e assim por diante até o D12, exames de sangue, hormônios, remédios, como aumentar o limite do cartão de crédito (gasta-se muito dinheiro) e tantos outros ligados ao universo dolorido e sombrio da fertilidade (sim, sombrio, porque quase ninguém fala sobre isso, ou quando se fala é sempre de maneira muito superficial).
Durante os tratamentos a mulher se sente muito sozinha, e por mais que ela tenha o marido, família e amigos do lado é ela quem toma as injeções (picadinhas de amor como aprendi com o blog que tanto me ajudou o Maternidade Sonhada), que sofre com as reações dos medicamentos, que percebe as mudanças no corpo, que recebe as notícias – e acredite que as notícias, quando se faz um tratamento de fertilização, são quase diárias e podem mudar da noite para dia – que se sente culpada, que ouve os comentários (maldosos ou não) de “e aí, está demorando, né? Daqui a pouco vai ficar velha para engravidar” e que tem que administrar toda a ansiedade. Doí, doí muito, emocional e fisicamente.
Nesses quatro anos de espera eu recebi os diagnósticos de endometriose e baixa reserva ovariana o que vai gerar uma falência prematura dos ovários (sim, vou entrar na menopausa muito antes do que as mulheres comuns). Fiz, com um renomado médico, quatro fertilizações, todas sem sucesso e sendo que em três elas nem embrião conseguíamos (ou seja, todo o tratamento era feito, mas na fase final “embrião morria” antes mesmo de ser implantado no meu útero), recebi desse mesmo profissional a indicação de ovodoação (quando a mulher não é mais capaz de produzir óvulos saudáveis e utiliza um óvulo de uma outra mulher para gerar o bebê).
Ouvi, tantas e tantas vezes comentários como: “Será que não é a hora de você desistir?” e “Você já gastou tanto com isso”.
Eu simplesmente não aceitei o diagnóstico, ignorei os comentários e, depois de muito chorar, eu ainda sentia “aquele quentinho” no meu coração que me garantia que iria dar certo.
Foi então que recebi, por o acaso, o cartão do Dr. Julio Voget, Médico que me acolheu e me disse: “É possível”. Com ele foram dezenas de consultas, muito choro e milhares de vezes que eu disse que iria desistir. E ele sempre ali, me mostrando o caminhando e que era possível. Ele conduziu um tratamento muito mais suave (inclusive na quantidade de medicamentos) e personalizado, três punções (ou seja, três vezes em que fui retirar óvulos maduros e saudáveis) e na primeira implantação (quando o embrião é de fato colocado dentro do útero) eis que o Vicente cresce aqui dentro saudável e fazendo uma família inteira feliz e realizada.
Essa é a minha história de maternidade que apesar de ter apenas 16 semanas de realização tem mais de 208 semanas de muita luta e dedicação.
Hoje eu sou só gratidão!”

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Um comentário

  1. Tati que lindo seu depoimento, me enche de esperança... também tenho pouca reserva 😔 Antimuleriano 0,3 tenho 32 anos e a 02 na luta. Não tenho endometriose mas o marido tem criptoespermia 😓. Já ouvi dos médicos também sobre ovodoação, mas quero muito tentar com meu restinho de óvulos primeiro. É sempre bom ler positivos de quem tem baixa reserva, nos dá um gás, fiz todos os exames inclusive os de genética, aguardando os resultados para começar a tomar as agulhadas do amor. Parabens pelo positivo e também o nome acho lindo Vincente. 😘

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