12 jan
Mirella e seu trio, após 7 anos de espera!

trio

Esta é mais uma história das quais AMO contar… Mirella é uma prima querida, que durante alguns anos, boa parte no mesmo período que eu, lutava também contra a infertilidade, mas só um detalhe: eu não sabia, aliás eu imaginava, mas sempre respeitei a maneira discreta que ela lidava com o tema…  Até que um dia ela se abriu para mim e de imediato senti o quanto ela já vinha sofrendo. Eu engravidei da minha primeira filha antes que ela e bem sei o quanto ela vibrou por mim e no ano seguinte lá estava ela enfim gravidíssima de trigêmeos! E no mesmo período eu novamente… grávida!
Uma gravidez trigemelar requer muitos cuidados e Mirella desde o início estava bastante consciente disso, e o marido dela mais consciente ainda por ser médico. Após toda euforia da descoberta, vieram os cuidados e o medo de segurar a gestação tão sonhada, mas já lhes adianto que o final foi super feliz resultando em três príncipes lindos e saudáveis.
Com vocês um pouco da história de Mirella, ou mais conhecida por aí como a mãe do trio, contada por ela própria para vocês, como mais uma injeção de ânimo e perseverança!!!

“Bem … Minha gravidez foi bastante delicada.

Fiz o tratamento de fertilização in vitro em março de 2008 e no dia 29/03/08, fiz o teste que deu positivo. Não acreditei. Fiz um teste de farmácia e depois fui ao laboratório confirmar. O quantitativo assinalado no teste foi bastante alto e a médica já sinalizou por telefone que poderia ser uma gravidez gemelar ou trigemelar, de alto risco e com grandes chances de abortamento.

Tentei engravidar durante 7 anos e fiz 8 tratamentos, sendo 4 inseminações artificiais e 4 fertilizações. Em todas as tentativas, nunca consegui engravidar.

Na última tentativa, a 8º, ainda com esperança de conseguir realizar esse sonho de ser mãe, a equipe médica decidiu colocar 3 embriões. Na época, até tentei persuadi-los para que fossem colocados 4, pois eu tinha um total de 8 embriões de qualidade para transferência.

Por volta de 6 semanas fiz a 1º ultrassom no consultório da médica e vi os três corações pequeninos batendo. Fiquei impressionada e não acreditei no que vi, nem eu, nem meu marido. Choramos muito e mal conseguimos avisar a família e aos amigos, que ficaram atordoados tb. Todos sabiam do alto risco, tanto para mim quanto para os bebês. Os sentimentos se misturaram: alegria, ansiedade (será que eu ia conseguir ir até o final), preocupação, medo e culpa (me culpava por fazê-los sofrer já na barriga), confiança, fé, etc.

Daí, entrei em um processo de licença médica que durou 7 meses (de março/08 a setembro/08). Foram 7 meses de injeções diárias e ultrassons quinzenais. Os dias não passavam, os enjôos foram grandes e já não conseguia respirar direito no 3º mês, devido a pressão dos meninos na barriga e o pouco espaço, embora eu só tenha engordado 8 quilos em todo o processo. Só saia para médicos: 1 geneticista, 1 obstetra, 1 hematologista, 2 hepatologistas, 1 cardiologista, 1 nefrologista, etc…. Nos últimos 15 dias de licença, fiquei internada para segurar um pouco mais a gravidez. E, durante os 7 meses, foi de cama, literalmente.

Em setembro de 2008, já internada, eu tive pré-eclampsia e a equipe decidiu fazer o parto, pois corria risco de morte. Meus exames estavam todos alterados. Daniel nasceu com 948 gramas, Miguel com 954 e Rafael com 1 kilo e 150 gramas, no dia 18 de setembro de 2008. Todos ficaram em UTI pré-natal durante 2 meses e meio. Precisavam amadurecer os órgãos imaturos, principalmente o sistema respiratório e gastrointestinal. Foi muito difícil. Eles “esqueciam” de respirar frequentemente e precisavam de ventilação auxiliar. Tomaram dezenas de antibióticos, fizeram 6 transfusões de sangue cada um e quando receberam alta foram internados uma semana depois para cirurgias de ernias inguinais (os 3) e hérnia umbilical(2). As cirurgias transcorreram bem, exceto a de hérnia umbilical de Miguel, que voltou à UTI por 3 dias. Eles tinham em média 2 kilos cada um, nessa época.

Hoje são essas delícias. Superaram tudo. Estão com 6 anos e são a alegria da minha vida, a minha razão de viver. Para chegar até aqui, passaram por muita coisa, inúmeras terapias(fonoaudiologia, terapia ocupacional, neurologista, etc) e cirurgias, mas nada que os fizessem desanimar e desistir. Eles têm muita energia, são saudáveis e danados, como toda criança feliz. São anjos de Deus.”

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