21 abr
“Não estão conseguindo engravidar? Por que vocês não adotam?”- A velha frase que se repete.

ADOOFOTO

O título deste post é o mesmo que a psicóloga paulista Luciana Leis brilhantemente escreveu no seu blog www.lucianaleis.wordpress.com. Nem a conheço ainda, um dia quero conhecê-la pessoalmente sim, mas ela escreveu sobre um tema que há tempos já pensava em expor por aqui… A tão conhecida “resolusão” que os demais fazem pensando em nos ajudar e resolver o problema da infertilidade, opinando que de um dia para o outro um casal que está buscando a gravidez resolva optar pela adoção, como se fosse algo simples assim… Adoção ao meu ver é algo que nasce de dentro, e jamais deve ser imposta.
Em alguns outros posts já deixei claro a minha posicao sobre o tema maternidade e os meios para tal, e ser mãe independe da forma como o filho chegue, através da gravidez ou do gerar no coração através da adoção, estou certa que não deve existir diferença e que o amor é o mesmo, infinito, indescritível!
Conheço vários casais que optaram por adotar. Uns, talvez a maioria, que após uma longa jornada de tratamentos para infertilidade se cansaram e sentiram que poderiam muito bem se realizar adotando, e vários, lhes garanto, se lamentam por nao haver optado pela adoção antes de tão realizados que se sentiram ao se tornarem pais. Há outros casais que também conheço suas histórias e que tiveram a adoção como sua primeira opcao, como a Luciane Cruz do blog www.gravidezinvisivel.com, por exemplo.
Enfim, vivo alentando às seguidoras a seguirem em busca da maternidade sonhada! Lhes passo minha história e experiência durante 6 anos de tentativas para engravidar e assim seguirei, pois bem sei o quanto é difícil, mas também sei o quanto vale a pena. Porém, ao mesmo tempo que as animo falo sobre seus limites. Sim, cada uma tem seus limtes, cada casal tem seus limites, esses tratamentos são muito desgastantes e sinceramente acho que deve-se se respeitar esses limites, pelo bem dos envolvidos na situação, e quando se decide haver chegado nesse momento muitos casais despertam de coração para adoção, um despertar verdadeiro, uma abertura verdadeira para essa opção, não como segunda opção e sim, sinceramente, naquele momento, como a primeira, única e almejada opção. E aí começam outra caminhada repleta de burocracias mas que quando chega o dia do ENCONTRO com seu filho, já escutei vários relatos e já tive a honra inclusive de presenciar um primeiro encontro, se confirma e não há dúvidas alguma que aquela criança nasceu para aquele casal e vice e versa. E ali, naquele encontro, naquele “parto”, nasce uma família!
Então divido com vocês esse post maravilhoso que transcreve tão bem o que eu sempre quis repassar para vocês sobre o tema e me despertou novamente lhes escrever um pouquinho sobre, mas que Luciana Leis escreveu com profissionalismo e com o coração, de uma psicóloga que atende pessoas com problemas de infertilidade:

“Hoje quero discutir aqui algo que, a maioria das pessoas que está com dificuldades para  engravidar, já deve ter escutado, a famosa frase: ” Não está conseguindo engravidar? Adote! Tem tanta criança precisando de um pai e uma mãe!”. Como se esse fosse o remédio para a infertilidade e ponto.

Percebo que muitas pessoas que estão passando por problemas para engravidar e que, no momento, não cogitam adotar, acabam se sentindo meio culpadas em não desejar a adoção, pois se existe tanta criança abandonada, caberia a elas, mais do que a outras pessoas, colaborar para que esse número diminua.

Acontece que, nem todo mundo que vive a infertilidade cogita a adoção como possibilidade para si- e isso não é um absurdo. A maioria das pessoas que se depara com a infertilidade deseja um filho biológico como primeira opção, porém, se com o tempo e os tratamentos esse filho demora a chegar, percebo que a adoção pode passar a ser cogitada como um possível caminho para a realização do sonho de ser pai e mãe.

No entanto, a adoção só será bem sucedida se realmente houver abertura para amar uma criança adotada como sua. Se o luto pela perda do filho biológico não acontecer, não há como esperar que pais e criança fiquem bem. Por isso que eu costumo falar que a adoção não é para qualquer pessoa, somente para as que estão abertas a essa possibilidade de realização do desejo.

Outra frase bem comum do senso comum é: ” Adote que logo você engravida!”, simples assim, como uma receita de bolo!

Socorro! Eu tenho arrepio dessas soluções prontas. E fico ainda mais preocupada com as pessoas que acreditam nisso e criam a fantasia de que esse é o caminho para resolverem seu problema.

Uma criança a ser adotada precisa encontrar um lugar de filho junto aos pais adotivos, e não vir com a função, na fantasia dos pais, de abrir caminho para o filho biológico. Precisamos ser cuidadosos quando buscamos soluções para nossos problemas.

O fato é que no meio à sua volta, nunca faltarão pessoas para dar palpites em como você deve resolver sua dificuldade de gravidez, e, na fragilidade emocional que envolve esse momento, não é difícil levar em consideração o que é dito sem avaliar, realmente, o que se deseja fazer para possibilitar a chegada dessa criança.

Cada casal, cada pessoa, precisa avaliar com cuidado e sensibilidade os caminhos que lhe são possíveis trilhar na busca por esse filho, quer seja através dos tratamentos para infertilidade ou pela via da adoção.”

Luciana Leis

 

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