14 dez
O Drama dos Abortos Espontâneos

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Lembro bem que enquanto lutava buscando a gravidez que insistia não acontecer estreitei muito a minha relação com Deus e em todas minhas orações sempre estava um pedido: “Senhor, se for para engravidar e abortar, me poupe dessa dor”. Isso porque cheguei a acompanhar alguns casos e isso me chocava demais… Engravidar, festejar, pensar que o sonho estaria concretizado, fazer mil planos e de repente… acabou!

Quantas mulheres sofrem com abortos espontâneos, e em alguns casos com abortos repetitivos. Tudo bem que diante de tantos casos vi vários serem contornados e muitas mulheres enfim conseguindo gestar até o final, mas após ter que passar por essa dor enorme.

Relendo alguns artigos relacionados a infertilidade, que venho salvando há anos, encontrei um texto que a jornalista Cláudia Collucci, no seu antigo blog “Quero Ser Mãe”, chegou a traduzir em 2008, texto este escrito por uma escritora americana chamada N. West Moss publicado no The New York Times, que desabafa e relata as dificuldades que encarou ao sofrer três abortos espontâneos, conseguindo expressar o turbilhão de sentimentos que envolve este momento tão traumático na vida de uma mulher.

Apesar da escritora num trecho pedir para que as pessoas não a ajudem naquele momento de dor não me contenho e desde já estendo a mão para você que já passou ou está passando por isso. Não sei se poderei te ajudar muito mas prometo que através deste blog te levarei muita esperança e a minha certeza de que milagres existem SIM!

Também confirmo que temos uma força interior que desconhecemos e que nos surpreende em determinados momentos nos quais pensamos que não conseguiremos seguir e de repente reagimos mais determinadas que nunca, isso aconteceu com uma amiga querida chamada Gabriela que após anos de tratamentos chegou a engravidar e sofreu um aborto, e após “digerir” aquele duro momento partiu mais determinada para realizar o seu sonho de ser mãe e ontem Cecília nasceu, coroando sua luta.

Abaixo lhes repasso o  texto citado de uma mulher que sentiu na pele 3 abortos, mas que apesar do desabafo no final deixa transparecer que apesar de tudo tinha esperança, sentimento este que nos faz seguir vivendo!

“Não existem faixas rosa para usar se você sofreu um aborto espontâneo, nenhuma passeata ou camiseta para encorajar a conscientização e prevenção. E até onde temos uma linguagem para falar sobre o assunto, ela é repleta de frases superficiais: “Não se preocupe, eu também tive um”, ou “Eu tive dois, e então – puf – o Davey nasceu, e nesta semana ele está se formando na faculdade”. Mas, enquanto você pertence ao clube imaginário das Mulheres Sem Filhos, este é um planeta secreto de dor, praticamente invisível ao mundo externo.

Recentemente, sofri meu terceiro aborto espontâneo em um ano. Aconteceu cedo na gravidez, e foi descartado como nada grave – “gravidez química” parece ser o termo artístico. Não vamos reagir exageradamente, não há necessidade de histeria, bola pra frente. “Vamos tratar disso como se você estivesse simplesmente tendo seu ciclo menstrual”, como disse meu médico.

Mas, honestamente, não é como ter seu ciclo. Psicologicamente, claro, não tem nada em comum, mas fisicamente também é diferente. Tive espasmos durante horas que deixaram minhas costelas contundidas. Quatro dias depois, eu estava de volta ao trabalho e exausta porque continuava sangrando muito – não uma quantidade alarmante, mas o suficiente para que eu agendasse as reuniões em salas próximas a um banheiro, e para me mandar para casa para cochilos de duas horas à tarde. Imagino como os homens lidariam com isso. Toda a dor, a confusão, as limpezas furtivas, a vergonha e as fugas do trabalho me parecem tão fundamentalmente femininas.

As pessoas agem como se um aborto espontâneo fosse um evento localizável num calendário, com início, meio e fim. Mas na verdade ele começa quando você sente aquela primeira pontada inconfundível dizendo que algo está totalmente errado. Ele continua através dos duros dias de sofrimento e espasmos profundos, e então serpenteia ao longo de cada dia do resto de sua  vida. Provavelmente lamentarei esse aborto de alguma maneira visivelmente mediana até ter um bebê saudável ou morrer.

A sensação de sofrer três abortos em um ano é a de que eu devo ter feito algo errado, quando a realidade é que a maioria dos abortos acontece por motivos cromossômicos fora de nosso controle.

Ainda assim, uma mulher que sofre um aborto espontâneo provavelmente se perguntará o porquê. “Deus não deve querer que eu tenha um filho”, ela pode pensar, ou “Estou velha demais”. Há momentos em que você sente que o aborto e as calamidades do mundo são culpa sua e que você deveria, de alguma forma, não ter esse tipo de pensamento.

Talvez não falemos de nossos abortos porque não queremos as mulheres com filhos nos olhando com pena, ou adolescentes com seu jeito imortal pensando “Isso nunca acontecerá comigo”. Não queremos que famílias felizes sussurrem “Graças a Deus não é com a gente.” Não queremos imaginar que os homens possam estar pensando “Se elas não podem ter filhos, por que estão aqui?”

Entretanto, não sei o que você deve dizer a uma mulher que teve abortos espontâneos. Ao mesmo tempo em que pode ser emocionante ouvir histórias de outras mulheres, pode também ser irritante: faz com que nosso momento de extraordinária tristeza se torne comum e dentro da média. Por que eu iria querer ouvir sobre seu aborto quando estou deitada no chão tentando erguer 250 quilos de fracasso, desilusão e hormônios despedaçados em meu peito?

O que posso dizer é: quero que as pessoas saibam. Não quero que seja um segredo ou uma sombra, ou algo carregado individualmente. Quero que as pessoas saibam que eu passei por algo, que estou cansada mas otimista, que fui derrubada mas não me ajude, pois posso me levantar sozinha.

É justo, acho eu, querermos testemunhas para nosso sofrimento. Mas com o sofrimento também vem a esperança. E afinal de contas, somos criaturas flexíveis. Uma amiga minha disse-o muito bem, num e-mail enviado depois que soube de minhas novidades. “Espero que você não desista”, escreveu ela. “Ainda quero tirar uma foto de seu filho ao lado do mais alto girassol.”N. West Moss é escritora em Nova Jersey (EUA)

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