23 fev
O Início da Caminhada para a 3ª Fertilização

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Já estávamos calejados e sofridos demais nesses mais de 5 anos de espera. Por um lado meu marido se preocupava muito com a quantidade de hormônio que eu vinha tomando nesses procedimentos, somado aos tratamentos da endometriose mais a inseminação e duas fertilizações, sempre necessitando do máximo permitido de quantidade hormonal em busca de uma boa resposta ovariana que não vinha… Um gasto financeiro importante e acima de tudo um desgaste emocional absurdo.

Claro que partiu dele a decisão e eu com toda dor no coração tive que admitir que já havíamos percorrido um longo caminho e que essa seria a última tentativa atrás do filho tão sonhado, através de uma gravidez. A adoção rondava a minha cabeça, com certeza seria uma possibilidade a ser abraçada após a conclusão desse processo, caso não desse certo, mas lhes confesso que sempre quis e sonhei com meu barrigão. Queria muito passar por esta experiência do gerar, não posso lhes negar, era um fato, mas claro que acima de tudo estava minha vontade de ser mãe.

Mais uma vez partiríamos para uma nova equipe médica. Já era a terceira a essa altura. Era necessário mudar. Era necessário novos ares, era necessário mudar o cenário. E lá fomos nós…

Um médico muito bem conceituado em Recife, marquei a consulta. Voltei a juntar aquela montanha de exames e fui enfim conhecê-lo. Sempre ao meu lado estava o marido, ele que me convenceu (para não dizer obrigou rsrs) a esta mudança de médico… E enfim chegou a hora de entrar ao consultório, frio na barriga, ansiedade em conhecer o novo e o que me esperaria afinal?

Na primeira consulta conversamos muito expondo o nosso histórico, os exames foram analisados e novamente os mesmos requeridos… Para mim mais uma histerolssalpingografia para variar e para o meu marido mais um espermograma para sua coleção (ele nunca reclamou, fazia parte do “pacote”…), também requisitou outros novos exames, entre eles um novo e bem caro que seria coletado para envio a São Paulo para análise da minha reserva ovariana… A primeira impressão foi muito boa, o médico nos passou muita confiança e seriedade nas suas posições. Não me iludia e não me garantia nada, mas ao mesmo tempo me passava um ar de serenidade e firmeza nas suas colocações, e isso me fez muito bem.

Fomos embora refazer todos exames e providenciar os novos requisitados. Saliento o quanto é importante a reavaliação do casal de tempos e tempos, tudo pode mudar para melhor mas também para pior e algum diagnóstico novo pode surgir, podendo ser determinante para …

Após termos todos os resultados em mãos marquei a volta ao médico para que os analisasse… Antes de entrarmos ele sempre pedia a uma funcionária para que buscasse os exames a serem analisados para só posteriormente pudéssemos entrar, estando ele já com uma visão do panorama apresentado para expor na consulta à paciente.

Chegou a nossa vez e entramos. Mal sabia eu o que estava prestes a escutar… O tal exame para a análise da reserva ovariana havia indicado falência ovariana precoce, em outras palavras eu estaria entrando precocemente na menopausa. Desabei. Chorei. Um silêncio tomou conta do ambiente. Meu marido de cabeça baixa e apertando a minha mão. O médico olhando para o nada, apenas aguardando eu me recompor. Diante da novidade o médico nos explicou então o porquê dos meus ovários não responderem bem a uma dosagem hormonal “cavalar”, devido a baixa reserva ovariana… Resolvemos seguir insistindo com meus poucos míseros óvulos… E daí a pergunta que o forcei me responder: “Dr. Com meus óvulos quantos porcentos o senhor me daria de êxito numa próxima FIV?” e eis que veio a resposta que fiquei escutando por vários dias na minha cabeçinha e que ressoava com dor no coração: 5%. Me acabei de chorar. Um silêncio ainda mais longo naquela sala. Eu quis me ausentar, disse que era melhor voltar outro dia, mas o médico não deixou e disse que só deixaria eu sair quando me visse mais tranquila, e ali somou muitos pontos mais quando nos disse que não se importava se havia espera, que aquela era nossa vez e não nos liberaria sem antes me ver um pouco mais tranquila. Quando enfim consegui me controlar lancei outra pergunta e ai escutei primeiro uma resposta que me chocou e depois uma resposta que mudou a minha postura diante do tratamento que se iniciaria mais adiante…

– Dr., devido a tudo isso, vamos então já marcar quando iniciaremos a fertilização…

-Fertilização? Com você assim? Comigo você não fará nada, por enquanto.

– O que???

– Minha filha, você está muito abalada emocionalmente, foi constatado a sua falência ovariana após todo histórico de endometriose, aderências… As chances são poucas, mas não são inexistentes. Eu não lhe disse que terias zero% de chances, eu lhe disse 5%. Então! Vá embora, se cuide, cuide da sua cabeçinha, tente relaxar e volte para GANHAR! Para se agarrar a esses 5% como sua vitória. Preciso de você entrando vitoriosa e me ajudando em todo processo, e lhe prometo que tudo o que estiver ao meu alcance, o farei para te ajudar!

Chorei! Mais uma vez, sendo que dessa vez de emoção. Tinha diante de mim um excelente médico, mas acima de tudo um médico ético e humano que em vez de “contabilizar” mais uma fertilização, pesou o sofrimento de um casal cansado e sofrido, uma mulher muito abalada emocionalmente, que precisava se cuidar, se animar e se encher de um pouco de esperança para enfrentar talvez sua última batalha naquele caminho.

Jamais esquecerei disso. E lá fomos nós respirar, nos cuidar e nos preparar para retornar – para vencer!

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