26 ago
Quando tudo começou
qdotudocomeçou
Nos casamos em janeiro de 1999. Meu marido é argentino e lá fui eu morar nas terras vizinhas: Mi Buenos Aires Querido! Ao chegar lá confirmei o que já desconfiava… o cordão umbilical com a mamãe não tinha sido cortado! Pense no drama para viver longe… sobrevivi! Foi muito positivo para mim como pessoa e para nós dois como casal. Após um ano de altos e baixos, devido a minha adaptação “um pouco” lenta, estávamos bem e felizes!
Vivíamos em um bairro tranquilo de Buenos Aires, a família dele me abraçou como mais uma, alguns amigos dele viraram meus e a vida a dois era muito feliz! Sempre sonhei em ser mãe. Desde pequena tinha certeza de que este papel iria desempenhar da melhor forma e seria muito feliz cuidando das crias. Cresci numa família de 4 irmãos, com pais amáveis, havendo encontrado o “príncipe encantado”, tudo contribuía para confirmar o que já sentia. Ano de 2001, dois anos de casados, resolvemos que havia chegado o momento para sermos pais! Primeiro passo: marquei um ginecologista para fazermos os exames de rotina e apenas esperar para recebermos o positivo e armarmos o enxoval!
Numa ultrassonografia o médico começa a me questionar: sente cólicas fortes ao menstruar? Não. Dores nas relações sexuais? Também não. Silêncio… Não me disse mais nada e me encaminhou de volta ao ginecologista com os demais exames que me havia solicitado. Dias após retornei ao querido Dr. Mendez Ribas… Levo os exames, ansiosa e certa do ok para começarmos a busca e já – claro!- fazendo contas para quando seria o bebê engravidando no mês seguinte… Ao abrir os exames observo um semblante raro no ginecologista, o sorriso amigável dele se escondeu atrás das rugas franzidas na testa que expressava que algo não estava bem… E pela primeira vez eu escutaria a palavra ENDOMETRIOSE. Fui diagnosticada com uma endometriose severa e o tratamento indicado deveria ser cirúrgico. A partir daí começaríamos a nossa batalha… Voltei para casa desolada. Segundo o médico o grau da minha endometriose era elevado e sendo assim a possibilidade de gravidez era muito remota.
Chorei muito, questionei o porque de estar passando por aquilo. No outro dia acordei decidida em marcar a operação. Voltamos ao consultório e providenciei os exames do pré-operatório. Devido ao grau constatado da minha endometriose (atípica por não ter sintomas ) os médicos decidiram que não seria por videolaparoscopia e sim aberta mesmo…Dias após estava eu na maternidade que havia escolhido para ter nosso primeiro filho, internada no andar que ao redor estavam festejando nascimentos, com uma cicatriz da cirurgia similar a de uma cesárea, e eu começando a lutar atrás do meu sonho.


Não imaginava que o caminho ia ser comprido e doloroso, mas algo me dizia que TUDO valeria a pena, e como valeu!

 

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